Deve haver uns tios e umas tias no marketing da L’Oréal que, por entre risinhos húmidos, ainda se estão a bajular à conta do tamanho da sua criatividade (tão giros os trocadilhos). Esta nova campanha às bolas grandes é uma pedrada no charco da publicidade nacional. Antes de chegar à lama, o seu enorme volume escaqueira sem perdão os telhados do bom senso. Isto não é de homem, nem de mulher, é só intensamente, XXL estúpido. E tiazada reprimida a fazer marketing é como vegetarianos a comer alheiras. Dá merda da grossa.
Mostrar mensagens com a etiqueta Pub. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pub. Mostrar todas as mensagens
13.1.16
30.11.12
Hard copy 66
Ora aqui está um caso sério de boa publicidade. O tipo de comunicação sofisticada que só um gestor de eleição poderia produzir, depois de deglutir o belo naco do cachaço, exactamente entre um reconfortante peido neoliberal, a baba de camelo à casa e uma charutada a rematar, satisfeito por ter despachado a equipa de comunicação. Na agência (?) dizem-lhe que o seu arrojo sabe a maminha da alcatra e a coisa sai, espessa e retumbante, na net e e na imprensa escrita, deixando um inconfundível gosto a grossura. Se comprar o carro vou ter de lhe pendurar algures o poster desbotado de uma serrana mamalhuda, enquanto palito os dentes com a unhaca do mindinho. E vou parar forçosamente numa estação de serviço ribatejana para comprar um pack de cassetes de anedotas porcas e música ao (es)gosto popular, com as quais arruinarei o moderníssimo leitor de CD. Ao chegar a casa gravitarei como uma mosca para os pré-gravados da Casa dos Segredos, de modo a não perder os melhores momentos de pintelheira a passar de boca em boca, revendo-me no desafio épico da articulação verbal e sentindo vibrar em mim o mesmo ADN bovino. Tudo para estar à altura desta carrinha. Quem diria que uma simples frase seria capaz de tanto?
20.11.12
Hard copy 65
A TDM é uma empresa estatal moçambicana. O que faz disto um anúncio institucional. Provavelmente foi encomendado a uma agência. Embora, institucional ou não, com ou sem "profissionais" contratados, não fizesse qualquer diferença. São tantas e tão boas as camada de mau que até se torna redundante satirizá-las. Mas se pensarmos que esta realidade pode ser a nossa num futuro próximo...
P.S. Acordo Ortográfico. Pois com certeza.
15.11.12
O Slogan Recalcitrante 3
Pérolas esquecidas nos lineares de supermercado. Um encontro fortuito com a arte de criar claims, à procura de uma refeição de preparação rápida, económica e - esperança vã - saudável. A riqueza polissémica, a equilibrada escolha lexical e o reaproveitamento picaresco da coloquialidade, sintetizados numa homenagem franga à idiomaticidade - interpretada a gosto, visto encontrar-se numa embalagem de hambúrgueres de peru.
Na sequência de outros ensaios já postados, proponho-me adoptar tentativamente os mesmos critérios no rebranding de marcas interessadas em afirmar o seu carácter nacional. Não sei que marca gostaria hoje de afirmar o seu carácter nacional, mas deixo isso ao critério de indivíduos com conhecimentos profundos de secretaria.
Por exemplo, uma marca no mesmo segmento de negócio, mas com as carnes vermelhas por foco - imaginemos, Porquivaca - poderia ostentar algo como:
© Do mesmo modo, uma empresa distribuidora de peixe congelado - Peixófrio -, beneficiaria de uma releitura deste tipo, valorizando o espectro temporal de conservação:
©Se é que me faço entender.
(Com o inestimável contributo estético de Filomena L.)
25.6.12
18.6.12
Hard copy 60
Uma ideia tão assustadora quanto o senhor protagonista (a quem, aliás, só falta uma gadanha para a graça ser um pouquinho mais tétrica). Esta adaptação para Portugal pauta-se por uma enorme inconveniência, causada inadvertidamente pelos idiotas que a aprovaram.
O plágio é a nova criatividade
"Se não podemos pôr o cavalo a correr em slowmo pômo-lo a relinchar em Auto-Tune,
mas estás à espera do quê?!..."
Numa crónica escrita há uns meses para o Jornal Económico, a propósito desta e daquela sirénica "controvérsia" na publicidade portuguesa, o estimado Eduardo Cintra Torres pondera o seguinte:
"Hoje, a cópia tornou-se viral; perdeu o forte valor negativo que ainda tinha no século XX. Estudantes copiam da Internet, jornalistas copiam dos outros media, escritores copiam livros doutrem, porque não haveriam os publicitários de se inspirar noutros conteúdos audiovisuais?
Nos dois casos referidos, o plágio ou cópia impressiona por estar tão próximo no tempo dos originais. Os anúncios da Optimus e da PT sacam ideias e materiais de conteúdos recentíssimos. Parece-me que o mundo publicitário desenvolveu um pacto de não-agressão, que permite aos "criativos" imitarem hoje porque poderão ser imitados amanhã. O número de ideias novas é finito, pelo que a publicidade aceita como regra do jogo entrar numa espiral sem fim de "tu copias-me, eu copio-te", sem originar, como no final do século XX, ofensas de publicitários com casos gritantes de plágio ou imitação. Tal como se copiam materialmente filmes e músicas para o computador, com três cliques no teclado, copiam-se anúncios ou vídeoclips em recriações mais ou menos plagiadas sem que o plagiado mexa um dedo. A sociedade hipermediatizada resolveu assim, pois, a espiral do plágio: banalizou-o, naturalizou-o e inocentou-o informalmente.
O espaço público na Internet não deixa escapar o crescente assalto intertextual; o mesmo aconteceu agora. Descobrir referências intertextuais é sempre um prazer, mesmo quando resultam de cópias ou plágios e não de meras inspirações. Mas, ao contrário do que sucedeu em casos anteriores, desta feita os internautas foram muito lenientes com os publicitários da PT. Julgo que o motivo é este: o anúncio da PT é visualmente espectacular e a canção "Sail" (navegar, mesmo a calhar), de Awolnation, encaixa como uma luva."
O que Cintra Torres diz é desconcertante. Por um lado evidencia o que se tornou prática quotidiana e escancarada no universo criativo. Por outro, sublinha o sentido de timing como único aspecto discutível, terminando a fazer o que me parece a apologia do plágio, baseada no preceito da boa execução. Simplesmente, e dado o flagrante aproveitamento da ideia, tom e maneira da peça que o precedeu, o anúncio em causa está no limiar do roubo, a léguas do espírito de recriação ou reaproveitamento defendido por muitos criadores ao longo de gerações, como é o caso ilustre de Mark Twain. Com base nestes pressupostos perniciosos (e convenientes?), deixaria de existir propriedade intelectual e o aforismo de Edison veria retorcida a sua lógica para "criatividade é 1% transpiração e 99% inspiração (no esforço alheio)". O trabalho criativo era para Edison, e, quero crer, é-o ainda para a maioria das pessoas que lida com ideias como modo de vida, duro e honesto. Se o mérito no processo de concepção, desenvolvimento e implementação de uma ideia (que é, já o sabemos, compósita por definição) for substituído pelo elogio da execução técnica feito por foristas virtuais amantes "da boa fotografia", qualquer Zé Careta com ideias próprias, um módico de competência e boas notas a História pode reescrever um romance de Mário de Carvalho. A editora atavia-o com uma capa dura e acetinada, desenhada por alguém que gosta especialmente do labor de, digamos, Ana Boavida e João Bicker, e teremos facilmente uma obra de grande fulgor artístico. Como se a criatividade se tivesse transformado num grande irmão da reciclagem discricionária, onde a marca de alguém é prerrogativa de todos, a pilhagem ascende a método e o estardalhaço imediato se converte em único objectivo. Faz sentido.
(Uma perspectiva pedagógica sobre o assunto, aqui.)
(Uma perspectiva pedagógica sobre o assunto, aqui.)
12.6.12
6.6.12
Hard copy 59
Não sei se goste, não sei se odeie
Entre achar que isto é um
extraordinário
serviço ao
cliente ou que foi Fausto
que saiu do sarcófago em chamas para se dedicar ao marketing, admito que quem
respondeu "à criança" tem tanto de insidioso como de bom profissional.
A criancinha quis saber...
A família tornou-se cliente emérito
vitalício com protagonismo na mailing list de novidades,
promoções, cartões-presente e brindes, cobrindo
eventuais fusões futuras com empresas de produtos de limpeza para o
lar, enlatados e metalomecânica. E o gajo já sabe onde eles vivem...
28.5.12
E agora a versão realista do Holstee Manifesto em sensacionais maiúsculas!
And now for the down-and-dirty version of the Holstee Manifesto
(full out caps locks sensational!)
23.5.12
O mundo segundo Milton Glaser
Who is your mortal enemy?
Rupert Murdoch. He probably is the most powerful single man on earth. If you look at the amount of influence he has in virtually every country, and the internal corruption that is now being revealed in one of those sites — England — and the fact that there doesn't seem to be any constraint of decency, morality, responsibility, anything, that prevents him from doing anything he wants. It seems to me that nothing that appears on most of his outlets are any more than a reflection of his point of view. And I think that is very dangerous for a democratic society.
Rupert Murdoch. He probably is the most powerful single man on earth. If you look at the amount of influence he has in virtually every country, and the internal corruption that is now being revealed in one of those sites — England — and the fact that there doesn't seem to be any constraint of decency, morality, responsibility, anything, that prevents him from doing anything he wants. It seems to me that nothing that appears on most of his outlets are any more than a reflection of his point of view. And I think that is very dangerous for a democratic society.
What do you think of Donald Trump?
Well I've met him — I've even done a vodka bottle for him as a matter of fact. I don't know how to think about him. He's an example of the power of the ego. How can anyone be so totally egocentric to not understand that there are others in the universe. It also shows the power of that position: When you don’t think there are others, everything is attainable for you. I just find that the combination of incredible ambition and a lack of modesty can be a terrifying prospect. And if you're in a roomful of people like that, you realize that that's why the world is the way it is. And the other thing is: I can't figure out his hair. From the point of view of someone who is into art and form-making, I can't figure out the structure of it: where it's coming and where it's going. And then I also wonder, what does he think this object on his head achieves? It's just a great mystery.
Well I've met him — I've even done a vodka bottle for him as a matter of fact. I don't know how to think about him. He's an example of the power of the ego. How can anyone be so totally egocentric to not understand that there are others in the universe. It also shows the power of that position: When you don’t think there are others, everything is attainable for you. I just find that the combination of incredible ambition and a lack of modesty can be a terrifying prospect. And if you're in a roomful of people like that, you realize that that's why the world is the way it is. And the other thing is: I can't figure out his hair. From the point of view of someone who is into art and form-making, I can't figure out the structure of it: where it's coming and where it's going. And then I also wonder, what does he think this object on his head achieves? It's just a great mystery.
21.5.12
O Slogan Recalcitrante 2
Moodboard (em português, quadro de disposição) com propostas de naming (em português, nome) e de claim (em português, slogan) para anúncio a restaurante especializado em frango no churrasco.
Restaurante Asas do Sabor
VENHA E TRAGA OS MIÚDOS!
Restaurante Dê Asas ao Sabor
É DE PERDER A CABEÇA!
Restaurante Espeto Mágico
SOLTE O PORCO QUE HÁ EM SI!

Restaurante A Bela Assadura
UM BOCADO BEM PASSADO!

Publicidade portuguesa, com certeza.
4.5.12
Indigência mental
Nunca deixarei de me surpreender com a impudência parasitária e o triunfal cinismo da publicidade. Mais uma forma de as empresas procederem à aniquilação, a soco, da pouca dignidade que subsiste.
Lido aqui:
"A nova campanha publicitária da Cerveja Sagres (...) com uma nova assinatura 'Sagres Somos Nó', pretendendo desta forma reforçar a Personalidade da marca líder de cerveja do mercado nacional, que assume a Portugalidade no seu ADN. A campanha (...) contou com a participação de grandes personalidades portuguesas (...) como é caso de Luís Figo, Soraia Chaves, João Manzarra e Rita Andrade, tendo ainda sido produzido um novo hino (...)."
Lido acolá:
19.4.12
Hard copy 56
Subscrever:
Mensagens (Atom)










































