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13.1.16

L'Oréal Trolha Expert




Deve haver uns tios e umas tias no marketing da L’Oréal que, por entre risinhos húmidos, ainda se estão a bajular à conta do tamanho da sua criatividade (tão giros os trocadilhos). Esta nova campanha às bolas grandes é uma pedrada no charco da publicidade nacional. Antes de chegar à lama, o seu enorme volume escaqueira sem perdão os telhados do bom senso. Isto não é de homem, nem de mulher, é só intensamente, XXL estúpido. E tiazada reprimida a fazer marketing é como vegetarianos a comer alheiras. Dá merda da grossa.

29.1.14

O lobby javardo e a infecção generalizada



Num desses canais de notícias por cabo vejo Marinho Pinto a espumar alarvamente, como é seu apanágio. A tendência imediata de carregar no comando da TV para afastar tão repugnante figura é detida por um enfático “o lobby gay!”, repetido duas ou três vezes para efeito dramático. Percebendo desde logo que se tratava de um “debate” sobre a proposta de referendo, pensei por momentos que um monumento vivo à irracionalidade poderia constituir o poster boy ideal de tamanha aberração. Porém, a realidade é bem diferente e não tem graça nenhuma. O espectáculo da vileza é aplaudido por muita gente com fome de retaliação arbitrária. A mediatização desta conversa inane, dardejando ódio, constitui a melhor protecção do referendo. É o discurso que convoca e galvaniza multidões para a queima em praça pública. Cujos urros abafam a credibilidade de especialistas e a sensatez dos verdadeiros argumentos. Facto já de si sobejamente demonstrativo e deprimente, Marinho Pinto ocupa um lugar de responsabilidade na sociedade portuguesa, em concreto na sua cada vez mais distante galáxia jurídica. É, por isso, legitimado como barómetro moral. Tem garantido tempo de antena para metralhar sem ponderar uma palavra, sem olhar sequer de relance para a extensão e gravidade dos danos que causa, começando nas crianças “que os gays [sic] usam como desculpa” para reivindicar – indignem-se os demais cidadãos! – um direito aprovado em parlamento e prescrito por todas as leis universais da decência. Coerente, portanto, com os espancamentos que a actual governação inflinge a esta pobre democracia e à sua trágica Constituição. Com os detritos largados por uma bancada parlamentar e ratificados por um presidente. Em suma, com a nojeira moral, social e política que se abateu sobre nós de forma aparentemente irremediável.

Esta não é uma questão tópica. Os palermas ululantes, entre bastonários e jotazinhas de infra-inteligência, não são meras feridas. Se existe “um lobby”, visível e de gigantesca vitalidade, é o dos grandessíssimos javardos – regentes e bufões –, que infectaram todo um país e se ocupam a aniquilar o que sobra da sua consciência. 

22.3.13

Notas terapêuticas 8



Uma bela notinha passivo-agressiva cortesia do artista norte-americano David Fullarton.

19.3.13

Reliving Nan


















Providencial o reencontro com um livro sobre o trabalho de Nan Goldin, na última ida a Coimbra. De vez em quando resgato do esquecimento pedaços da minha memória sensitiva. Parece que faço questão de os obliterar, juntamente com o papel que desempenharam. Este, apropriadamente, tinha as páginas coladas pela humidade e os bordos queimados pelo tempo e o desleixo. Na altura senti a fotos de uma maneira; concluído um ciclo, não as sinto de forma assim tão distinta. Fazia-me falta reencontrá-la.

18.3.13

O dia-a-dia da Igreja


A Agência Católica de Notícias (no seu moderníssimo suporte digital) está bastante atrás dos acontecimentos. Comprovando, de resto, um princípio que suporta todo o edifício filosófico da Igreja.

1.2.13

O mundo segundo Tina Fey


“Lesson learned? When people say, "You really, really must" do something, it means you don't really have to. No one ever says, "You really, really must deliver the baby during labor." When it's true, it doesn't need to be said.”

“Gay people don’t actually try to convert people. That’s Jehovah’s Witnesses you’re thinking of.”

“Don’t waste your energy trying to educate or change opinions; go over, under, through, and opinions will change organically when you’re the boss. Or they won’t. Who cares? Do your thing, and don’t care if they like it.”

“Politics and prostitution have to be the only jobs where inexperience is considered a virtue. In what other profession would you brag about not knowing stuff?”

“Whitney Houston’s cover of “I Will Always Love You” was constantly on my FM Walkman radio around that time. I think that made me cry because I associated it with absolutely no one.”

“In most cases being a good boss means hiring talented people and then getting out of their way.”

Tina Fey, Bossypants, Reagan Arthur Books/ Little, Brown and Company, 2011

During cocktails at her apartment, I ask Fey, What’s the wildest thing you’ve ever done?
 
“Nothing,” she replies blithely.

Fey lured the viewers she craved only when she started moonlighting on S.N.L. as the look-alike Alaska governor who sometimes talks, as Fey puts it, as if she’s lost in a corn maze.
 
"What Tina Wants", Vanity Fair, Janeiro 2009

PLAYBOY: The late Michael O’Donoghue, the first head writer for Saturday Night Live, once said, “It does help when writing humor to have a big hunk of meat between the legs.”

FEY: I do have one but it’s been flayed open to a vagina.

PLAYBOY: So you don’t agree with that sentiment?

FEY: Well, the thing is, he said that and then he died. So, I don’t know. Maybe he was wrong.
 
PlayboyJaneiro 2008

ESQUIRE: On your show, you deal with race really well.

FEY: From the beginning, as soon as we had [Tracy Morgan, Alec Baldwin, and me], I thought we could deal with race, gender, and power. Also, fart jokes.

"Tina Fey, Make Us Laugh", Esquire, Maio 2008 

If you watch her closely on “Weekend Update,” you can occasionally catch a glimpse of the writer who got lucky. It’s in the slight hesitation in her voice, that wide-eyed wonder when a joke gets an unexpected laugh. It’s not false modesty exactly. She doesn’t think she’s undeserving of her success. She’s just surprised that anyone noticed.

"Tina Fey: The Believer Interview", The Believer Magazine, Novembro 2003 

26.10.12

Há-des ver se o filme é bom


É reconfortante ver o trailer para um filme português no qual o protagonista profere algo como: "Ela sabia que iam haver consequências para as suas acções...". O cosmos parece dar-me razão. Até argumentistas pensam que o verbo haver sofreu uma mutação bizarra. Boas novas, amigos, este verbo escapou aos inúmeros estragos e continua a ser impessoal nas acepções de "existir" e "acontecer" ("Ela sabia que ia haver consequências por ter faltado às aulas"; "Ele não sabia que havia inúmeras gramáticas") e a concordar com o sujeito nas restantes (surgindo sempre como auxiliar - "Eles haveriam de, eventualmente, aprender a conjugar verbos"; "Elas hão-de conseguir escrever como se tivessem completado a 4ª classe"). Não creio que seja uma boa entrada em cena para um instrumento "de cultura". Ou de lazer. Ou lá do que for. Chiça, já me viram aquele cartaz?!

25.10.12

Não há coincidências

   
Lido recentemente no iOnline. É "oitro" acordo, só da Lusa. Vou designar o meu por "cornográfico", "horto gráfico" ou ainda "tripa à portuguesa". Vai haver um para todos.

11.9.12

Hard copy 62


De um lado temos a singela identificação de produto para a higiene dentária, "com extractos naturais" e tudo e tudo. Do outro, confirmam-nos a sua pureza e garantem-nos que não estamos a ser objecto de uma qualquer experiência química, assegurando-nos simultaneamente que não foi testado em animais. Uma afirmação menos virginal que o resto, visto que uma barrinha vertical com valor absoluto coloca em dúvida o rigor da confecção. Onde está um copy quando se precisa dele.

24.7.12

Archivo pittoresco: as piores capas de livros


Difícil eleger entre as categorias: pior capa, pior título, pior tema para escrever um livro...

Para pior título em português recomendo: Trate a vida por tu, de Daniel Sá Nogueira. Dentro do género de livro de conselhos "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

Já em língua catalã, gosto particularmente do livro para crianças intitulado Collons, posa't a dormir!. O título começa exactamente pelo vocábulo equivalente ao português, seguido de algo como "toca a dormir!". Cada capítulo consta de uma ternurenta rima, à volta de um palavrão diferente.

De resto, livros para crianças sobre cocó, parecem ser um subgénero literário. 
E também é complicado escolher um título.

Post de Pedro M.

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