15.3.12

O beijo da Judite


E num dia povoado de bons e calorosos sentimentos ocorre-me deixar uns versos dessa notável viseense, à falta de melhor qualificativo (ocorre-me g'anda maluca), que foi Judith Teixeira.

Foi um beijo doloroso,
a estrebuchar agonias,
nevrótico ansioso,
em estranhas epilepsias!

E eu que já me contentava com um abraço...

Notas terapêuticas 6

De modo que eu até andava a ler na net umas coisas sobre buracos negros, daqueles supermaciços, de forma a construir uma metáfora apropriada sobre ti, embora crente de que nem esse incomensurável vácuo poderia dar uma dimensão aproximada da tua estupidez e do teu mau carácter... e eis que a esperança despontou, sob a forma do "Dicionário Informal", que me ofereceu uma definição mais justa do que tu realmente representas. O rigor científico e o cuidade linguístico exibidos estão, aliás, bem adequados a ti. Anexo a esta notinha, se não te importares.


P.S. Estou a ponderar oferecer-te uma camiseta.

Oração da manhã

 
Obrigado ao F. por me ter feito chegar isto. Uma prece simples porém eficaz, virtuosa  e com o seu quê de catarse. Da manhã, da tarde, da noite e na vigília.

Os mais belos carros de rally


20. LANCIA FULVIA HF


19. OPEL MANTA 400


18. TOYOTA COROLLA WRC


17. RENAULT ALPINE A310


16. FIAT GRANDE PUNTO ABARTH S2000


15. NISSAN 240 RS


14. ALFA ROMEO 75 TURBO


13. RENAULT MÉGANE RS


12. FORD RS 200


11. CITROËN XSARA KIT CAR


10. TOYOTA CELICA GT-FOUR


9. PEUGEOT 307 WRC


8. PORSCHE 911 SC RS


7. ALFA ROMEO GTV6


6. TOYOTA CELICA TURBO


5. SUBARU IMPREZA 555


4. RENAULT ALPINE A110


3. AUDI QUATTRO A2


2. LANCIA STRATOS HF

1. LANCIA RALLY 037

Don't touch the animals




Preciso de uma merda de um abraço, mas compreendo que exista alguma relutância.

Ilustrações: Adam Avery

14.3.12

Os mais bizarros carros de rallyes


Björn Waldegaard ao volante do Saab 96 V4 que, na altura (anos 60 e 70), apresentava um design revolucionário. Ainda hoje é impossível resistir ao encanto deste charuto metalizado com 70 possantes cavalos a galope desde o espaço sideral.


O Suzuki Ignis S1600, para além de ser feio, ter nome de esquentador e aparecer invariavalmente pintado de amarelo, constituiu uma boa plataforma de lançamento, no início deste século, para alguns dos melhores pilotos actuais, graças à sua fiabilidade, baixo custo de manutenção e (relativa) rapidez. 


É um pássaro, é um avião? Não, são uns malucos a dar gás a um "boca de sapo" (ou Citroën DS 23, para a ocasião) algures numa picada africana, em 1972. Coisa mais bizarra? Um "boca de sapo" a fugir de um elefante.


Um Volkswagen 1303 S, igualzinho ao do meu avô mas com mais faróis e uma decoração competitiva, no gelo da Suécia. O "carocha" fazia muito barulho mas andava pouco, o que, com o meu avô ao volante, era decididamente um aspecto positivo. Nos rallyes nem por isso.


O Peugeot 504 não servia apenas para ajudar nas tarefas da quinta, percorrer quilómetros infindos em estradas secundárias e espalhar petrodiesel pelo universo durante décadas a fio. Nos anos 70 levantava voo nas mãos de campeões como Tommi Mäkinen, com muito estardalhaço mas poucas consequências... na mecânica e nas tabelas classificativas.


Cansado de fazer figuração em filmes elegantes e de transportar figuras de Estado francesas, o Citroën CX meteu-se à estrada, fosse ela alcatroada ou não, e conquistou um lugar ao sol no mais alto escalão competitivo, manobrado por gauleses dedicados como Jean-Pierre Nicolas, na versão 2400 GTI. Sim, dois mil e quatrocentos centímetros cúbicos.


Michèle Mouton não era mulher para gostar de tupperwares, mas isso não a impediu de guiar um. O Fiat 131 Abarth era tosco, espesso e genérico, com uma direcção tão suave como um tronco de árvore na cervical, mas o certo é que foi dos mais vitoriosos automóveis da sua geração, graças a um fantástico motor, aos mistérios da aerodinâmica e a muito talento atrás do volante.


O DS 23 não encontrou este modelito da Citroën em África, caso contrário tê-lo-ia devorado. O certo é que o Rally, também conhecido pelo complicado (e audacioso) nome "Mille Pistes" - por causa das então inovadoras quatro rodas motrizes - ganhou reputação de terminar provas sem grandes problemas, sendo que 112 cavalos não davam para muito mais. Como seria um encontro com elefantes merece a sua dose de especulação.


Antes de decepar os membros inferiores a uma dúzia de espectadores e levantar o alcatrão de toda uma recta à sua frente, o MG Metro 6R4 conseguiu descrever esta curva graças aos 3 litros de motor e aos quase 400 cavalos que, nos idos anos 80, propulsionavam as viaturas, arraçadas de avião, do chamado Grupo B. Sobre a versão de estrada do Metro, lembro-me de uma apreciação na Proteste que aconselhava a "acender uma vela a S. Cristóvão" de cada vez que se saísse com ele. Noto um padrão.


Nos mesmos anos eighties, foram vários os pilotos que domaram a besta célere de 500 cavalos chamada Audi Quattro S1. Entre eles os míticos Walter Röhrl, Stig Blomqvist, Hannu Mikkola e Michèle Mouton. Míticos porque nenhum pereceu sentado neste míssil da marca alemã.


A morte do talentoso piloto finlandês Henri Toivonen, na Volta à Córsega de 1986, foi o acontecimento decisivo para a interdição dos poderosos e cada vez mais bizarros Grupo B. No ano do ocaso deste delírio sobre rodas, a Citroën decide apostar no BX 4TC, versão racing do popular modelo. O projecto estava por isso condenado à partida, mas a embaraçosa falta de competitividade e resistência demonstradas nas provas em que participou - na Acrópole nenhum dos carros inscritos passou da 1ª etapa - deu a entender que a Citroën já havia dado um tiro no pé e outro na testa do deus da estética.


Por que razão o fabricante checo se inspirou em Italo Calvino para designar o seu grande familiar escapa ao meu entendimento (pronto, não, foi do latim, mas ainda assim...), até porque o Škoda Octavia, aqui na versão World Rally Championship, se há coisa que tem é um ar sólido. Demasiado sólido. Diria mesmo monolítico. O que lhe permitiu, entre levar e trazer os miúdos da escola, resistir às saídas de estrada - em dupla acepção - do fogoso Armin Schwarz.


Extinto o Grupo B, e cansada de acusações de megalomania e excentricidade, a Audi decide concorrer ao recém-criado Grupo A com o discreto 200 Quattro, que se revelaria um falhanço desportivo mas um portento de versatilidade, sendo capaz de, em simultâneo, transportar múltiplos espectadores de troço para troço, carregar um satélite de telecomunicações e albergar uma delegação de imprensa. Era difícil semelhante tanque capotar, mas, se tal acontecesse, e como é fácil de perceber, não havia volta a dar-lhe. Literalmente.



Um Seat Marbella de rallyes. Repare-se que não é sequer um Fiat Panda de Rallyes. Correr com uma chocolateira é mau, mas correr com um sucedâneo de chocolateira é seguramente pior. Em tempos houve um troféu de senhoras nas provas nacionais e lembro-me de ouvir um oportuno locutor de rádio referir-se às concorrentes como "pilotas". Não há (mais) palavras.

Os chineses são tramados







Vi isto hoje no The Hollywood Reporter online. Esqueçam os plásticos, os têxteis, a cosmética nuclear e quase tudo o que funciona a pilhas. A contrafacção criativa é que está a dar. Ponham estes gajos à frente de um Photoshop pirateado três vezes e eles dão à luz pequenas maravilhas. Seja como for ninguém vai poder confirmar, de modo que "what you don't know doesn't hurt you", como reza o provérbio, devidamente plagiado.

10.3.12

"Préface"


Nous vivons une époque épique et nous n'avons plus rien d'épique
La musique se vend comme le savon à barbe.
Pour que le désespoir même se vende il ne reste qu'à en trouver la formule.
Tout est prêt :
Les capitaux
La publicité
La clientèle
Qui donc inventera le désespoir ?

Avec nos avions qui dament le pion au soleil,
Avec nos magnétophones qui se souviennent de "ces voix qui se sont tues",
Avec nos âmes en rade au milieu des rues,
Nous sommes au bord du vide,
Ficelés dans nos paquets de viande,
A regarder passer les révolutions

N'oubliez jamais que ce qu'il y a d'encombrant dans la Morale,
C'est que c'est toujours la Morale des autres.

Léo Férré, 1956

9.3.12

O Slogan Recalcitrante

©

Para empresa de telecomunicações.

Uma rubrica de João M. e Gonçalo G., inspirada no estado corrente da comunicação publicitária.

As Aventuras da Super-Rolha: The MacXorcist

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