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13.1.16

O futuro da solidão



"In America they went out on the streets and fought for equal rights, and over here people are too busy on fucking Grindr or shaving their arses to be able to do anything. Where's their fight?"

(Weekend, de Andrew Haigh)

Time and its lapses


Geoff: You really believe you haven't been enough for me?

Kate: No, I think I was enough for you. I'm just not sure you do.

(45 Years, de Andrew Haigh)

8.1.15

Porque é bom o ano novo



Com o ano novo muita coisa fica velha. Pessoas e histórias. Eu bem sinto o que me fazem os anos novos. Que isto não me traz vantagem nenhuma. E poupem-me à perspectiva propagandística de um recomeço. As pílulas que ando a engolir não precisam de ser douradas, obrigado. Mas como dizem que a antiguidade nos outorga certos direitos, porque, bom, é isso, não se discute com velhos e loucos – ou velhos loucos –, vou aproveitar. Ocorreu-me que está na altura de me cagar em certos assuntos. De mandar à merda sem ter de o dizer ou de o fazer com todas as letras, porque me enche a boca de satisfação catártica. De efectuar uma auto-análise a plenos pulmões no meio da Praça da Figueira, porque as luzes lá são bonitas. (Cada novo ano me atrai mais para as luzes bonitas.) Posso e devo fazer aquilo que me apetecer, do abraço sentido à acendalha oportuna, sem esquecer a indiferença, essa soberana. É tempo de colocar o auto-desígnio acima de tudo, deixando-me embalar pela sua já acentuada miopia. Os anos provocam erosão nas coisas que nem sabemos que estimamos. Quando finalmente lhes queremos dar uso, compraz-se em dizer-nos que já é tarde. Por isso é desbundar antes que acabe o que restou. Já entrei naquela fase em que, aos olhos de algumas pessoas, certas reivindicações que me são devidas não passam de sinais de incontinência. Como disse, estou-me a cagar. A essas, nem os anos me vão levar o direito de desejar um vigoroso, enfático e cosmopolita: go fuck yourself.

6.2.14

Recomeço


Tempo de admitir que a vida, tal como a conhecíamos, morreu.

Ilustração: Dante Terzigni

26.12.13

O passado não te leva a lado nenhum



O passado, negoceia-se? Esse lastro inelutável que é o seu legado. O elenco de traumas na nossa pequena alma incapacitada... O perdão, dirão uns. A reconciliação, dirão outros. À merda, digo eu. O passado não faz tréguas nem liberta prisioneiros, é um campo de batalha revisitado e revivido a cada aproximação. Inimigo íntimo tão encarniçado que se faz refém de si mesmo, ardendo eternamente em fogo lento enquanto regurgita promessas de expiação. Não se convence que morreu, o cabrão. Há-de perseguir-te até capitulares. Podes sorrir e fingir que não te pertence, ou que o fintaste, ou que fazes pouco dele com o teu exemplar tour de force. Experimenta endireitar a espinha e logo lhe sentes a carga. Faz-lhe frente. Mostra-lhe que é intolerável. Nega-lhe a entrada e o diálogo. Luta por um futuro onde ele não acontece. 

Ilustração: Gary Venn

16.4.13

Afecto unplugged


Assim é o mundo do egoísmo coitadinho e dos egoístas que são ceguinhos. Dos laços lassos, das plataformas da futilidade, das memórias flash, das palavras que não chegam para nada, das vozes que não se ouvem em lado nenhum, do amor que não sobra, da amizade mediatizada, esfarelada, das mazelas perpétuas, dos respigadores de sexo, do suor dos outros, dos idiotas auto-incensados, dos seguidistas anónimos, do like tanto de tudo, da secura de sede, do upload de afecto, das imagens em barda, dos bardos em baixa resolução. Um mundo de ficheiros por arrumar nas vidas uns dos outros.

Ilustração: Jean Julien

19.3.13

Dezanove




It's funny that way, you can get used / To the tears and the pain / What a child will believe / You never loved me

Cover de Sia Furler, letra de Madonna
Ilustração de Jean Julien

4.3.13

Who are you?


How did we grow so immensely, insurmountably apart?

Ilustração: Dale Wylie

Males de amor



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