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13.1.16

Lenin grade

Para quem, como eu, tem pouco espaço em casa, mas aprecia toques decorativos ocasionais, o bibelô não constitui objecto de desejo. Elementos estilizados pelas paredes substituem-se à parafernália de prateleira. Em nome de uma económica harmonia, o minimalismo erradica eventuais sinais de mundividência. É uma filosofia que só um busto de Lenine consegue vergar. Porque um busto de Lenine é convidado a entrar na habitação mais renitente. É capaz de penetrar a sensibilidade mais céptica e de seduzir o mais espartano dos estetas. Um busto de Lenine não se limita a poisar. Traz um pouco de revolução para o escritório, a sala, ou até a cama, se optarmos pela mesinha de cabeceira. E basta um busto de Lenine para pôr travão ao imperialismo decorativo. Porque é intenso, porque é imponente e porque é um matacão que ocupa meia estante enquanto assusta a vizinhança. Quero.

11.3.13

20.9.12

Fragmentos de copy, ou um cadáver esquisito


Já foste exposto à ignorância radioactiva daquela tipa?

Não te conheço, mas porque é que a tua assinatura de email está em itálico?

… É muito estilo Colecções Philae meets plásticos Domplex.

A alma portuguesa com geleia real.

E com um par de ovos se faz a Páscoa.

Olhaa, o que é que a tua mãe faz? És comunista? O teu pai está desempregado? Aaah…

“Estou a ter uma crise existencialista.”

Vem experimentar uma coisa em grande e sente o teu prazer aumentar.

Oxalá chegues àquela idade com a mesma patine na simpatia.

Desculpe, mas a sua finesse não lhe permite assegurar as necessidades básicas da boa educação?

O meu passado sórdido veio estagiar dois dias para a vivenda ao lado.

Eu localhosto, tu localhostas, ele localhosta

“Conheces as Pussy Riô?”

“Boroa”?! Mas quem raio escreve “boroa”?

"Olhaa, 'camarão' é com maiúscula ou minúscula? Aaah…"

- “Ça va?”
- Ça. Já não há orçamento para o va.

- “No tempo do Salazar é que se estava bem.”
- Acima de tudo porque tu não eras nascida.

Não é quaisqueres, é quaisquer. Não é hajam, é haja. Não é eu disse a elas, é eu disse-lhe. Não é há-des, é hás-de. O acento é para a esquerda, não para a direita. Não é vistes, é viste. Não é asterístico…

- “O que é a ri-ã-trê? [n.d.r.: rentrée]”
- É uma festa popular "tunísia".

Podes perfeitamente sacrificar a originalidade à funcionalidade e até à mera conveniência, mas não esperes que a tua dignidade faça a síntese.

Cadavre exquis pintado por Leonora Carrington e o seu filho Pablo Weisz-Carrington

7.9.12

Um Gorgulho na cama


E já que falamos em bens alimentares, eis Lady Gorgulho numa elegante produção fotográfica de Terry Andy-Warhol-wannabe Richardson. A porcalhona favorita das estrelas meets a badalhoca do momento. Numa pose ao estilo chouriçada no quarto "Oriente Esbraseante" da casa de alterne mais fina de Caxinas, Gorgulho, que já não sabe que uso dar ao dinheiro, faz retenção anal com um rolo de notas de quinhentos. Foge, Bobi, que a seguir és tu.

25.6.12

Os ovos do Chagas

 

 Banner do Chagas na mais apropriada das páginas web




Por falar em charlatães, megalómanos e ególatras, "o Mourinho da escrita", a criatura que revolucionou a técnica redactorial no seu galinheiro e está convencido de que pôr ovos é o mesmo que produzir sintagmas, continua a violentar a rede com os seus banners importunos. Da subtil "Fábrica de Inteligência", em cuja introdução nos brinda com uma analogia do processo digestivo, à apresentação dos "Raios X", rubrica que nos deixa antever uma série de coisas excepto o fim a que se destina, passando pelo "Atelier de Joalharia de Escrita", momento de porfiosa prosa (que refere um "curso gourmet", de onde "saem textos que poderiam ser expostos num museu", objectivo eminente de toda a criação textual, diria eu; lamento, no entanto, que não refira o conteúdo em fibra da dita formação, de modo a que os textos saiam mais facilmente e com boa cor), Chagas continua a marcar pontos na vulgarização azeiteira do processo de escrita. Os seus créditos lancinantes podem ser consultados aqui, mas aproveito para lhe traçar um rápido perfil através de títulos como Já alguma Vez Usaste o Sexo sem Necessitares de Usar o Corpo, A Guerra da Secessão: 1981 - 1985, "uma obra de cariz histórico sobre a Guerra Cívil [sic] Americana", e Os Dias na Noite, "aquela que foi a sua última obra publicada nos formatos tradicionais, com apresentações a cargo do jornalista Carlos Castro e do vocalista dos Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal", e, consta, com a participação especial de Topo Gigio, dois unicórnios, Fernando Rosas e ainda um showcase de Elvis (Presley) a rematar. Entre as intermináveis "obras" editadas (?), contam-se a trilogia dos "Espasmos", que aguarda um terceiro tomo, assim que o autor se recompuser do segundo; uma homenagem ao pleonasmo, intitulada Chãos Pisados; obras de carácter profético, como Só os Feios é Que São Fiéis [sic], ou Porque Ris Sabendo que Vais Morrer [sic]; e coisas cuja simples menção leva a tripa a produzir involuntariamente uma arroba de palavras, como é o caso de Envelhenescer, livro já condenado pela Associação de Foneticistas Portugueses. Noto ainda que, só em 2010, brotaram nada menos que dez (10) títulos do parlapiê do Chagas. Ou, se preferirmos, dez ovos estrelados na frigideira da língua portuguesa.

6.6.12

Instantâneos de um Aníbal social


Sinto-me observado. 


C-a-v-a-c-o... 


Sinto-me redundante.


Não têm com o meu nome?


 E o pastelinho de Belém, já provou?


Vou fazer de conta que é o Sócrates.


É igualzinho ao meu com as contas do BPN.


Eu também sou Silva, mas nós no Algarve é mais o choco frito.


Estão à espera que diga algo relevante?


Não, Maria, dá uma moedinha aos senhores, vá lá...


Sinto-me pressionado.


Sou um grande fã do produto nacional.


Maria, vem-te embora, sabe-se lá o que já andou por aí...

Cavaco, esse terreno fértil da blogosfera.

A convicção do disparate


Ao fazer uma rápida pesquisa na net sobre torneios a cavalo, encontrei a seguinte descrição:

"Dado o sinal de partida ao som de instrumentos, para marcar a animação (fanfarra), eram apresentados os cavaleiros nas listas com um grande séquito. Eles eram pessoas muito simpáticas e era divertido assistir."

Se a Wikipédia o diz num português rudimentar, é porque é verdade. E todos os cavaleiros se pareciam com o Richard Gere, tinham o longo cabelo cuidadosamente arranjado em semi-permanente e faziam por vezes um ar sério e preocupado. O público agitava freneticamente bandeirinhas monárquicas, entoava um éfe-erre-á e depois iam todos comer pernas de javali assadas pelo druida da aldeia.

Por acaso ainda não fui indagar o que isto diz sobre as fogueiras medievais.

1.4.09

Quinta dos Gavetos



Na verdade chama-se Casas do Alfaiate. Mais um site tecnicamente brilhante, onde se infere que a vida é boa mas as habitações são mirradinhas (como os sonhos, se calhar). Nada que não se atenue com uma bela cataplana de peixes mistos.

31.3.09

Compra casa e põe a mesa





No site de imobiliária Helena Dias (ora aí está, sorte não ser Marisol ou Monique Fabiana), abrindo o menu "Parceiros" podemos encontrar, entre outros, uma bela cataplana de peixes mistos, o que calha sempre bem para quem anda à procura de casa... Talvez tenham levado o termo "menu" à letra.

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