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11.3.13
4.2.13
11.9.12
Compostagem verbal
Sigo com curiosidade antropológica os comentários de alguns sites, com especial incidência no Autosport, que se tem revelado um terreno fértil de conhecimento. Em primeiro lugar, observo manifestações remotamente familiares da língua portuguesa, evocativas, talvez, de gravuras rupestres neolíticas (mas sem o investimento estético), foneticamente representáveis por urros primitivos cuja classificação decerto desafiaria a ciência moderna. Mas o que mais me fascina é o manancial inesgotável de insultos e provocações dirigidos não se sabe bem a quem, nem porquê, contudo indiciadores de enorme convicção e disponibilidade horária. Fica aqui uma pequena demonstração da fertilidade desta variante comunicativa tão pitoresca.
23.5.12
Escrita fracturante
Mais uma legenda antológica, pescada da distribuição gratuita, que está taco a taco com o online no aprumo estilístico. A peça falava de doenças raras, mas pouco importa, pois a universalidade deste fragmento arrasa com as exigências da contextualidade.
22.3.12
A língua, essa eterna insatisfeita
Descobri, neste blog brasileiro e simpaticamente desbragado (conotação provalmente induzida pela divergência sintáctico-semântica, que eu não considero que escreva por aqui coisas particularmente requintadas), algumas observações interessantes sobre o português, bem antes do famigerado A.O. estar na ordem do dia. Por vezes a dialéctica post/ comentários gera coisas úteis e com piada.
Ilustração de Maral Sassouni
6.2.12
3.2.12
A resposta está no Chagas
Chamem este gajo. Por duas dúzias de euros, um bacalhau e um bom Dão, ele inventa mais um botão e põe ordem nesta porcaria toda. "Excomunhão do Acordo Ortográfico", com a participação especial de Pomba Gira, música ambiente, massagem tailandesa e coffee break solúvel. Lugares marcados e certificados pelo Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento Rural. Reserve já e saiba como se livrar de consoantes infernais, acentos demoníacos e conjugações diabólicas! Se não resultar, pode sempre inscrever-se no "Clube dos Escreventes Anónimos" e partilhar as suas experiências na luta inspiradora contra a dependência morfológica e a possessão sintáctica. Pague em suaves prestações com TAEG a combinar.
"Cânones da Escrita"
Estância arqueológica para os lados da Av. de Berna.
Ainda a propósito desta questão, transcrevo um texto que a minha cunhada V. me enviou, assinado pelo arqueólogo Manuel de Castro Nunes. Não partilho o conservadorismo quase radical do autor, mas é mais uma opinião pertinente e especializada:
"Sim. Está na moda e parece bem violar as convenções e cânones de escrita. Dispensar a pontuação, subverter a lógica da sua aplicação, ordenar os vocábulos de forma caótica numa proposição, intercalar até umas tiradas em latim, desconhecendo em absoluto a gramática latina.
É, sem dúvida, uma atitude esteticamente legítima. Na presunção de que o esteta as conhece e está no seu domínio. E tem a percepção de que, em dadas circunstâncias, as convenções e os cânones da escrita inibem a sua expressão.
Mas o que é curioso é que, da negação das convenções e cânones da escrita decorra a instituição de novas convenções e novos cânones.
Mas o que é mais curioso ainda é mesmo a moda. Aproveitando a maré, aqueles que partem do desconhecimento crasso das convenções e cânones da escrita, podem dividir-se em dois grandes grupos. Aqueles que por ignorância escrevem como calha, uma cambulhada indestrinçável de vocábulos e cúmulo e aqueles que, desconhecendo em absoluto as convenções e cânones da escrita e as razões por que foram instituídas, pretendem instituir uma nova estética literária, caracterizada pela dispensa, sem nexo nem sentido, das convenções e cânones. Ora, convém recordar que a dispensa das convenções e normas da escrita por ignorância resulta em erro. E que, para um leitor atento, o erro não passa despercebido.
Dando um exemplo, eu posso suprimir muitos sinais de pontuação, encadeando as proposições umas nas outras, de forma a que nenhuma se conclua e transite ou flua para a seguinte. Mas se, salvo raras excepções, como a da intercalação de um aposto, eu intercalar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma proposição, estou a incorrer em erro. Pelo menos, devo estar apto a explicar por que razão o fiz.
Um cúmulo de vocábulos não é um poema. A não ser que eu consiga explicar e o leitor compreender por que razão os vocábulos se encontram em cúmulo e que sentido resulta desse cúmulo.
Foi também por ignorância que um universo quase incalculável de espontâneos vanguardistas aderiram ao acordo ortográfico. Por não compreenderem que as línguas de matriz portuguesa, como a brasileira, já se autonomizaram e revoltaram na afirmação da sua identidade contra a língua mãe, diferenciando-se dela em componentes muito mais significantes do que a ortografia, como são a sintaxe e a semântica.
É fácil entrar na presunção de uma nova e vanguardista elegância literária por ignorância.
Por isso, uma nova geração de arqueólogos e de poetas anda convencida de que é compreensível.
Pudera. Todos lhes batem palmas… Há até quem diga de um paper de um arqueólogo que parece uma écloga de Camões. E pode muito bem ir a Nobel."
É, sem dúvida, uma atitude esteticamente legítima. Na presunção de que o esteta as conhece e está no seu domínio. E tem a percepção de que, em dadas circunstâncias, as convenções e os cânones da escrita inibem a sua expressão.
Mas o que é curioso é que, da negação das convenções e cânones da escrita decorra a instituição de novas convenções e novos cânones.
Mas o que é mais curioso ainda é mesmo a moda. Aproveitando a maré, aqueles que partem do desconhecimento crasso das convenções e cânones da escrita, podem dividir-se em dois grandes grupos. Aqueles que por ignorância escrevem como calha, uma cambulhada indestrinçável de vocábulos e cúmulo e aqueles que, desconhecendo em absoluto as convenções e cânones da escrita e as razões por que foram instituídas, pretendem instituir uma nova estética literária, caracterizada pela dispensa, sem nexo nem sentido, das convenções e cânones. Ora, convém recordar que a dispensa das convenções e normas da escrita por ignorância resulta em erro. E que, para um leitor atento, o erro não passa despercebido.
Dando um exemplo, eu posso suprimir muitos sinais de pontuação, encadeando as proposições umas nas outras, de forma a que nenhuma se conclua e transite ou flua para a seguinte. Mas se, salvo raras excepções, como a da intercalação de um aposto, eu intercalar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma proposição, estou a incorrer em erro. Pelo menos, devo estar apto a explicar por que razão o fiz.
Um cúmulo de vocábulos não é um poema. A não ser que eu consiga explicar e o leitor compreender por que razão os vocábulos se encontram em cúmulo e que sentido resulta desse cúmulo.
Foi também por ignorância que um universo quase incalculável de espontâneos vanguardistas aderiram ao acordo ortográfico. Por não compreenderem que as línguas de matriz portuguesa, como a brasileira, já se autonomizaram e revoltaram na afirmação da sua identidade contra a língua mãe, diferenciando-se dela em componentes muito mais significantes do que a ortografia, como são a sintaxe e a semântica.
É fácil entrar na presunção de uma nova e vanguardista elegância literária por ignorância.
Por isso, uma nova geração de arqueólogos e de poetas anda convencida de que é compreensível.
Pudera. Todos lhes batem palmas… Há até quem diga de um paper de um arqueólogo que parece uma écloga de Camões. E pode muito bem ir a Nobel."
Um ar da sua Graça
Já fui um cisne, mas fiz um "downgrade" funcional.
Goste-se ou não da personalidade em questão, a razão está do seu lado. E se há coisa que não vai influenciar minimamente nem "aproximar" a grafia (e muito menos a cultura) destas nações é o acordo ortográfico. Basta ler o mais diverso tipo de textos, escritos por "altas instâncias" administrativas e operacionais, vindos desses redutos do mais extravagante analfabetismo funcional. Juntem-se essas competências à inigualável qualidade da comunicação escrita em Portugal (ah, a cultura, o ensino, a curiosidade intelectual!) e temos uma mais que previsível esquizofrenia linguística. Primeiro há que dominar a técnica e o instrumento, para depois se atacar a sonata. Não é arrancando teclas ao piano que se aprende a tocar. O critério é essencialmente burocrático-estatístico (dizer "esilístico" seria demasiado rebuscado) e comercial. Por isso, o uso merece ser arbitrário, até não haver outro remédio. Linguística e culturalmente, esta conversão é tão relevante quanto um novo corte de cabelo no progresso individual e colectivo. E como tudo o que se fez, e continua a fazer, em Portugal, o capricho bacoco vai acabar por imperar sobre o que é certo, reflectido e fundamentado.
Não há nada de estranho em incorporar evoluções numa língua, um processo necessariamente diacrónico. Mas não se confunda essas ocorrências naturais com a bizarria que é esta óbvia despenalização da calinada, produto de um bando de tecnocratas com a mundividência de uma camilha e o apetrecho linguístico de uma colher de pau, fechados semanas a fio num gabinete interior a conjecturar, a deglutir cafés e a emborcar mini-pastelaria sortida.
Eu não simpatizo com o Vasco Graça Moura, mas ele tomou uma medida correcta e, por isso, bastante corajosa.
18.7.11
Simplificando...
A administração do meu prédio não sabe escrever, mas faz-se entender aos pontapés. Possivelmente o próximo acordo ortográfico já possibilitará separar o predicado do complemento directo com uma vírgula marota e há-de espremer à força a impessoalidade do verbo haver, e a gente aceitamos, porque ninguém come registo discursivo nem concordância, mas há que precisar se os "cortes" comportam risco de: a) levar com um frigorífico na testa; b) entrar-nos um frigorífico pela casa dentro e partir aquela porcaria toda; c) ser selvaticamente atacado nas escadas por um frigorífico em ressaca de qualquer coisa que suponho ser electricidade; d) o frigorífico sair porta fora e ir para o prédio ao lado onde há luz e coiso; e) lixarmos o frigorífico e o seu conteúdo se não lermos esta atenciosa cartinha e as informações pontuais. Além disso angustia-me pensar nas inúmeras possibilidades que "e outros" induz. Microondas, subsídios, chapa do automóvel, infiltrações no sótão, novo racionamento de açúcar, morfologia, sintaxe e semântica do português?...
23.2.11
Hard copy 31
Ora aqui está um caso dúbio. Ou a ambiguidade é propositada, o que coloca este belo anúncio na categoria de bacanal comercial, com todo o desaforo de que só os brazucas são capazes (afinal, é de carnaval que se fala), ou então temos uma mensagem involuntariamente perversa, com um bodycopy tranquilizador, provando uma vez mais que a semântica é a mãe de todas as diferenças entre português de Portugal e português do Brasil.
11.1.11
16.6.10
No melhor pano...
Há tempos vi no noticiário da RTP2 um destaque à estreia na encenação de Beatriz Batarda, "Olá e Adeusinho", um texto de Athol Fugard (em cena até há pouco no Teatro da Cornucópia). Batarda é uma actriz estimada, de indiscutível talento (que eu já tive oportunidade de testemunhar em "De Homem para Homem") e geralmente interessante nas suas escolhas e intervenções. Por isso estranhei que, numa filmagem dos ensaios, Catarina Lacerda tenha largado, a dada altura, um ruidoso "supônhamos". Um deslize da actriz, pensava eu. Eis senão quando reincide: "supônhamos". Ora bem, excluindo uma (feia) opção estilística associada à caracterização da personagem - embora, creio eu, o substrato literário desta arte não o permita, não ao nível da indução do erro -, fica a insegurança linguística da actriz e da encenadora, que não só deixou passar a falha como permitiu que fosse retransmitida. O que para uma artista com a sua aura é um infeliz pormenor de significativa proeminência.
2.7.09
8.4.09
So you think you can spell
Estou certo de que isto já foi publicado neste blog, mas em todo o caso foi o próprio Ridwan que me fez chegar o link. Vale a pena ver pela vitalidade do centenário Ed Rondthaler, pela piada do mecanismo e para que não nos olhem de soslaio quando pronunciarmos correctamente "Tomb Raider".
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