26.1.09

There's no marketing like show marketing



Os prémios de cinema são cada vez mais um folclore para o qual se tem de olhar com complacência, e os Oscars só vêm reafirmar a tendência desbaratinadora. O discurso de Meryl Streep ao aceitar o prémio do Screen Actors’ Guild por Doubt – “There’s no such thing as the best actress” –, onde goza consigo própria, é uma sugestão interessante de como os homenageados deveriam encarar estas pancadinhas nas costas da indústria. Não sei se é por ter a cátedra de prémios, nomeações e derrotas, mas a verdade é que a espontaneidade e relativa ligeireza com que Streep encara os epítetos e louvores são a prova de que os verdadeiros actores se comprazem com o trabalho que lhes é dado e não com o lado circense da profissão. Para Kate Winslet, trabalhadora das mais genuínas que é possível encontrar, não deve ser muito racional estar a aceitar galardões de “Melhor Actriz Secundária” por The Reader, um filme onde é a protagonista. Isto porque as manobras publicitárias dos estúdios – a mesma Streep dizia há pouco tempo que os Oscars são entregues a quem tem a melhor campanha, e não a quem é mais merecedor – obrigam a que não haja concorrência na mesma categoria, e Winslet já estava a ser empurrada pela DreamWorks como “Melhor Actriz” por Revolutionary Road. Ganhou o Globo de Ouro mas esta interpretação foi esquecida pela Academia, que passou ao lado do protocolo comercial e a nomeou na categoria principal por... The Reader. Philip Seymour Hoffman, que é tão protagonista de Doubt quanto Streep, aparece citado em todo o lado, Oscars inclusive, como “Melhor Actor Secundário”, porque a Miramax achou que as nomeações de “Melhor Actor” já estavam preenchidas. Marketing: 1 / Lógica: 0. A omnipresente – e é um eufemismo – Angelina Jolie, uma máquina promocional por si mesma, surge nomeada para o Oscar de "Melhor Actriz" por Changeling. É discutível, mas quanto a mim uma interpretação entorpecida num filme enfadonho. De fora, um dos casos em que as campanhas realmente servem talentos escondidos: Sally Hawkins, por Happy-Go-Lucky, vencedora do Globo de “Melhor Actriz em Comédia/Musical”, para quem raio achou que aquilo era uma comédia, pois lembro-me até de sair do cinema com um apertozinho no coração. Um desempenho à beira do ataque de nervos (do espectador), numa personagem tão exasperante e difícil de compor que deveria receber o Oscar só por tê-la aceite. Mas será que esta malta votadeira vê realmente os filmes que acha tão merecedores? Começo a duvidar.

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SAG Awards: Meryl Streep leaves no "Doubt"
who gave the best acceptance speech

January 26, 2009 by
Saul Relative

11 Time Nominee wins her first Outstanding Female Actor SAG Award for Motion Pictures

Meryl Streep's look of complete shock that was quickly supplanted by overwhelming joy was so infectious that the clamped lips of Kate Winslet even came unglued for a warm smile by the time Streep finished her acceptance speech.

Looking like a holy-roller running for the altar, Meryl Streep, hands held high in the air, ran up to the podium to accept the Outstanding Performance for a Female Actor in a Leading Role award. Nominated for her portrayal of Sister Aloysius in "Doubt," Streep was up against inestimable Kate Winslet, who had already won the Outstanding Performance for a Female Actor in a Supporting Role award for "The Reader" (and who had swept the Golden Globe Awards in both comparable categories just two weeks ago), Angelina Jolie for "Changeling," Anne Hathawary for "Rachel Getting Married," and Melissa Leo for "Frozen River." Winslet was up for the award for her performance in "Revolutionary Road." Given that talent and her winless record in film nominations, it is not too difficult to believe that Meryl Streep actually believed she would watch number eight be given to someone else.

But it was not.

Ralph Fiennes presented the nominees and award. Streep was so ecstatic, she kissed him firmly on the mouth, which no doubt took him somewhat aback.

After rearranging her blouse with exaggerated ceremony, the actress thanked everyone, then admitted, "Well, I didn't even buy a dress." To prove it, she stepped out from behind the podium so everyone could see that she was clothed in a loose-fitting black pant suit.

She went on, "I'm really, really, really shocked! And even though awards mean nothing to me anymore..." The obviousness of the lie was perfect. As the star-heavy crowd roared, laughed, and clapped its approval, Streep took a couple seconds to draw a breath. "... I'm really happy," she finished.

After thanking several people and agencies, Meryl Streep turned to the women in the audience. "Can I just say, there is no such thing as the best actress. You know, there is no such thing as the greatest living actress. I am in a position where I have secret information... you know, that I know this to be true." The audience laughed at this bit of self-deprecation (Streep has been nominated for dozens of Best Actress awards over the years) before she became serious.

"I am so in awe of the work of the women this year," she said. "Nominated, not nominated. So proud of us girls. And everybody wins, when we get parts like this."

Meryl Streep's acceptance speech was a work of art and a testament to the class of a woman whose body of work is dauntingly great. From "The Deerhunter" to "Doubt," Meryl Streep has entertained in award-nominated and award-winning performances for most of her entire career. There is little doubt that she truly is the one of the best of Hollywood's leading ladies, her protestations aside, but she shares her mantle generously.

And with far better decorum than most. No one will ever forget Sally Field moment of blatant insecurity when, upon receiving her second Academy Award for Best Actress, she told the audience, "You like me. You really like me." But there was none of that at this year's SAG Awards, not even from the talented Ms. Field, who won Outstanding Actress for her television role on the ABC drama "Brothers and Sisters."

Meryl Streep exited the stage with a "I really appreciate this."

No acting required there. The audience could tell.

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4 comentários:

Anónimo disse...

Johnny, foste mais rápido que eles, mas eles já te caçaram:)... o vídeo já não está available... mas não é só aqui, é no You Tube... não percebo... marketing por marketing, não fazia sentido deixarem o povo participar na festa? Não queres resumir? Se calhar fazias até uma impression dela, não;)? I'd looove to see that!

Anónimo disse...

Que horror! Pareço uma emigrante... só faltava mesmo ser em francês! Minhas desculpas, caro senhor, vou rever o meu português!

João disse...

Obrigado, Mafalda, não dei por isso. Lá está, estes gajos levam-se muito a sério. É pena não se ver, porque o discurso não só tem imensa piada, pela expressividade e sinceridade, como é muito bem articulado. A audiência farta-se de rir e chorar e percebe-se como toda aquela gente adora esta mulher. É um fenómeno único, de facto, e inteiramente merececido. Assim que puder coloco aqui o dito. E obrigado também por comentares, ó fiel (e única?) leitora.

Anónimo disse...

Gracias, cariño! Não, eu não sou a única... ou é preguiça- dos outros- ou é, enfim, gosto de escrevinhar- meu... Sim, sim, fidelíssima leitora, conto sempre com algo teu aqui... nas próximas férias, já sabes, levas o portátil;)!

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