8.9.08

O humor contemporâneo

Não sei qual é o maior problema d' Os Contemporâneos, para além da minha má vontade em relação ao humor em geral e ao português em particular. Sei que dou por mim a contemplar o programa sem reacção, a rir-me ocasionalmente com o jogo físico do Nuno Lopes, e a pensar que os autores têm ideias muito giras (a das mascotes, na última emissão, tinha imenso potencial, assim como a do tocador de ferrinhos) mas que, por qualquer razão, aquilo não funciona. Não sei se é a falta de química dos e entre os actores, a morosidade das cenas ou a montagem pesada. Alguns textos têm graça mas parecem mal articulados e rematados pela pressa e pelo improviso, sem que a realização se consiga ancorar numa visão de conjunto. Para ajudar à fragmentação, não há grandes comediantes ali, Rueff e Lopes à parte, e mesmo que os houvesse, não conseguiriam salvar ideias soltas alinhavadas em scripts tão displicentes. Em todo o caso, a tentativa de fazer algo “diferente” é recomendável e pode dar origem a algumas lições importantes.
A primeira de todas: o Eduardo Madeira é um pé de chumbo do humor e um improvisador de terceira. Quem teve a triste ideia de colocar este gajo nos ecrãs tem o discernimento de um busto de gesso e a sensibilidade de um canhão de assalto.

2 comentários:

Rui Rosa disse...

Não consigo ser tão radical quanto ao Eduardo Madeira, nem quanto ao programa. Acho que lhe falta ritmo e uma envolvente de cenários e figurinos que nos transportem para o universo da piada. É uma opção de produção. Para equilibrar, os intervenientes tentam fazer improvisos com graça, mas não deixam de ser "os malucos a fazerem tontices" e com pouco tempo para as fazer, sem querer repetir o que fazem nos seus próprios programas e depois, egos, egos e egos. Nesse sentido, o Eduardo Madeira parece-me ser o menos pretencioso e o que mais se diverte com aquilo.

João disse...

Mais valia repetirem-se um bocado.
Talvez, mas para mim só piora o cenário.

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