









28.3.07
Viva Fred!





Este mês Fred comemorou 76 anos. O “encantador grego”, autor de Philémon e de L’ histoire du Corbac aux Baskets é um dos grandes, grandes da BD, artesão de um universo mágico, complexo e iconoclástico, salpicado pela psicanálise e pela sátira. Ao longo de uma prolífica carreira, Fred encenou
(im)possibilidades alternativas onde a loucura poética elimina por completo qualquer lógica materialista. A incomunicabilidade e a rudeza de um mundo real são temas recorrentes na obra do desenhador e argumentista, com a fuga retratada num traço agitado, quase demencial. Mas é essa pulsão encantatória, esse frenesim inconformado, provocando inicialmente alguma estranheza e até recusa, que acaba por nos conquistar sem concessões. Por razões que certamente ultrapassam muitas suposições minhas, Fred é o desenhador favorito da minha mãe.
E o meu também.
A minha mini-homenagem.
Carta à mana
Como não celebrei o teu aniversário na altura devida, aqui fica o meu manifesto anual de amor por ti.
Ju
Olho vivo


Por outro lado, já a identidade gráfica desses dois pequenitos entumescimentos públicos, a Fonoteca Municipal de Lisboa e a Videoteca Municipal de Lisboa, faz gala de discernimento e bom-gosto. E além. Aconselho qualquer leigo a apreciar a subtileza das páginas ("Contactos", em especial) da Videoteca que, à semelhança de todo o site, se pauta pela subtileza e inteligência rara. O que não é de estranhar, visto encontrar-se semelhante organismo sob a força vital do intrépido Doutor António Cunha.
21.3.07
Pump up the Bass




Alguns dos posters criados pelo grande Saul Bass estão hoje demasiado ensombrados pelas obras-primas que realizou para Hitchcok e, em particular, para Otto Preminger. Ainda recentemente, a revista Premiere americana elegeu Anatomy of a Murder o melhor poster de cinema de todos os tempos. Exagero ou não, o trabalho de Bass alterou a face do design e atravessou poderosamente uma pleíade de manifestações artísticas, com influências claras durante décadas. Foi à 7ª Arte, no entanto, que Saul Bass ficou indelevelmente ligado, tendo deixado o seu cunho irrepetível em cartazes e genéricos que ajudaram a definir a história do cinema. Os últimos anos da sua carreira vêem-no associar-se regularmente a Martin Scorsese, desenhando alguns genéricos inesquecíveis, o último dos quais, também o último trabalho da sua carreira, a abertura de Casino. Em visita passageira à memorabilia cinematográfica de Bass, encontrei estas jóias para partilhar.
Auto-retrato

De português tenho a nostalgia lírica
de coisas passadistas, de uma infância
amortalhada entre loucos girassóis e folguedos;
a ardência árabe dos olhos, o pendor
para os extremos: da lágrima pronta
à incandescência súbita das palavras contundentes
do riso claro à angústia mais amarga.
De português, a costela macabra, a alma
enquistada de fado, resistente a todas
as ablações de ordem cultural e o saber
que o tinto, melhor que o branco,
há-de atestar a taça na ortodoxia
de certas vitualhas de consistência e paladar telúrico.
De português, o olhinho malandro, concupiscente
e plurirracional, lesto na mirada ao seio
entrevisto, à nesga da perna, à fímbria da nádega;
a resposta certeira e lépida a dardejar nos lábios,
o prazer saboroso e enternecido da má-língua.
De suíço tenho, herdados de meu bisavô,
um relógio de bolso antigo e um vago, estranho nome.
Rui Knopfli
(Pintura: Broken Warrior, AnneKarin Glass)
Trocaditos
Enviada: qua 21-03-2007 13:02
R.I.P.
-----Mensagem original-----
De: Alexandre
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 12:59
Para: Ana
Cc: João
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
All to grave!!!
-----Mensagem original-----
De: Ana
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 12:56
Para: Alexandre
Cc: João
Assunto: Re: ALLGARVE é que está a dar!
ALL to garve now!
On Mar 21, 2007, at 12:47 PM, Alexandre wrote:
Acho que avançamos com o PortugALLo, a cantar desde 1143.
Tem uma série de associações felizes. Produto característico e mediterrânico. Remete para um passado glorioso, contendo um grito de futuro, de despertar.
A frase funcionará muito bem no mercado italiano e brasileiro.
-----Mensagem original-----
De: João
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 12:34
Para: Alexandre
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
PortugALLo, a cantar desde 1143.
ou
Portu, a cantar de gALLo desde 1143.
ou
ALLma Lusitana, you rock!
-----Mensagem original-----
De: João
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 10:27
Para: Alexandre
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
All you don't need is Portug.
-----Mensagem original-----
De: Alexandre
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 10:21
Para: João
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
Let's All take Portug out of the Hole.
-----Mensagem original-----
De: João
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 10:16
Para: Alexandre
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
Let's put the All in Portug.
-----Mensagem original-----
De: Alexandre
Enviada: quarta-feira, 21 de Março de 2007 10:10
Para: João
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
E porque não alargar a campanha a todo o Portugal?
PortugAll.
20.3.07
Cozido à portuguesa

----Mensagem original-----
De: Alexandre
Enviada: segunda-feira, 19 de Março de 2007 18:00
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
Toda esta história é deprimente... Só refiro duas questões de pormenor, para não falar de todo o processo que é assustador, tanto mais sabendo que somos um país de fracos recursos e que nem quando se trata de investir conseguimos
colocar as instituições nacionais em acordo.
A marca é apresentada numa feira de seu nome "Algarve convida". (Ando há
anos para fazer uma colecção das terras e dos respectivos materiais que
utilizam a expressão "Terriola convida". Gosto particularmente quando são
muito irreverentes e redigem sob a forma de "Terriola ComVida".)
E o slogan que vai acompanhar a campanha é «experiências que marcam»...
OUCH... Foi o melhor que se conseguiu? Único de facto... quase tão único
como o ComVida.
Dá para fazer uma contracampanha muito curiosa... Imaginem uma imagem de um
acidente de viação na EN 125... acompanhado por "Allgarve - Experiências que
marcam..." e por aí fora.
Acho que se pegassem nos três milhões de euros e oferecessem uns fins de
semanas a umas quantas famílias inglesas teriam maior retorno só pelo
processo "espalha palavra".
ARRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGG
De: João
Enviada: terça-feira, 20 de Março de 2007 19:51
Assunto: RE: ALLGARVE é que está a dar!
A genialidade da campanha, a beleza do logótipo e a originalidade do slogan à parte (ATENÇÃO: proceder com precaução à incineração destes resíduos num forno regulado a 500 ºC, deixando repousar durante cerca de uma hora. Após arrefecimento, humedecer as cinzas com ácido nítrico concentrado, esmagando-as com uma vareta de aço. Evaporar e incinerar de novo), esta notícia merece-me outras reflexões. Em primeiro lugar, Mendes Bota é o porta-voz designado do desagrado e do desagravo. E quando Mendes Bota é a voz da razão, ficamos sem chão onde pisar e a mim ocorre-me engolir uma caixa inteira de Lorenin. Prefiro, portanto, acreditar que a designação "Allgarve" se propõe adaptar a grafia à fonética local, pronunciado a 1ª vogal como um [o] fechado - embora alternar o dito [o] com um [a] aberto não seja tarefa fácil, se quiserem tentar. Na verdade, soa a um grasnado raro, que nem os algarvios produzem. Proporia "Al Garve". Mais cinematográfico, mais cosmopolita. Deverá tê-los dissuadido o comprometimento implícito de: "Fui ao Garve. Ao Al Garve". "Ai fostes?". "I was in Al all summer long.". "Sorry, love?...". "I was in Garve, Al Garve, all summer long". "Oh, I see. I love it there. Splendid". "A terra de Zezé Camarinha - Al Garve: Experiências que marcam". Não desgosto desta catch phrase. Recentemente fui conduzido a Portimão, mais concretamente à Praia da Rocha, e os tendões do meu diafragma quase rebentaram de comoção. Tive uma crise de soluços que só passou quando me levaram dali para fora. Semelhante dose de "Allgarve" é capaz de arrasar qualquer visitante incauto. Portanto, evacuem a bifalhada para Portimão e Armação de Pêra, chamem àquilo Alldente, Allfabeta ou Allibabábabábali que é absolutamente indiferente, desde que tenha plasmas em todos os tascos com os jogos da Premier League, ementas em inglês macarrónico, danceterias, muitos howtypicals e litrongas de cerveja.
E instituam o Prémio Cozido à Portuguesa em Massapão, a atribuir a equipas criativas que contribuam para a rentabilização do espaço algarvio. Este já está dado.
Preços sacrílegos!

Submitted by Arisca on Fri, 2007-03-16 12:51.
If we're going to trivialize a certain number of icons (which will never go down well in light situations - no pun intended), then let's be bold and inventive. This is just artsy fartsy pshychedelics that amounts to absolute nothingness.
reply
Agência: Ogilvy, Franqueforte, Alemanha
16.3.07
A minha semana em revista
Falar com a Anita ao telefone, para lhe dar os parabéns e dizer que sinto falta dela, como sempre, como sempre. E saber que ela também me hecha de menos. Há muito que estamos longe mas continuamos a falar a mesma linguagem. Gente do campo, já se sabe...
A fábula negra “O Labirinto do Fauno”, do poeta mexicano del Toro.
Uma deliciosa salada de tomate com queijo fresco, pevides e avelãs, com a qual passei metade da semana a sonhar e que lá acabei por executar. A avelã é a minha oleaginosa favorita, o que poderá ser um dado fascinante e revelador sobre a minha pessoa. Quinze a vinte avelãs equivalem a uma refeição, pelo seu elevado conteúdo de proteínas, gordura saudável e hidratos de carbono. Infelizmente, a avelã é muito pobre em vitaminas. O que até calha bem, porque por um ínfimo pacote arroto três euros e dou mais pontos à Turquia.
O regresso da grande Vanessa Redgrave à Broadway, na peça The Year of Magical Thinking, que não vou ver, claro está, mas cujo poster me comoveu. O rosto de Vanessa Redgrave comove-me sempre, de alguma maneira. E esta foto foi tirada por Brigitte Lacombe.

Esta capa de um livro infantil dos primórdios da União Soviética.

A encantadora Tammy Blanchard, a emprestar humanidade e doçura ao austero “O Bom Pastor”, de Robert DeNiro.

Alguns trabalhos de ilustração de uma artista precocemente desaparecida, Sarah Ruble. Macabros e tempestuosos. Alguns são ainda incipientes, mas todos eles perturbadores.


15.3.07
Faye queridíssima

The Golden Have (Big) Glasses

Quem, no seu perfeito juízo, se deixaria evangelizar por este sorridente casal? Dir-se-ia que as criaturas de The Hills Have Eyes estão nas redondezas à espera de entrar na corrente.
Ovelhas loucas


Submitted by Arisca on Mon, 2007-03-12 11:29.
This Mussolini inspired campaign does bring stuff to mind. It would make Dr. Mengele proud. Didn't the sweaters come in red - you know, to give it a bit more pizazz. It's not just blatantly stupid and frivolous, it is irresponsible.
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Agência: Saatchi & Saatchi, Roma, Itália