24.7.12

Expliquem-me como se fosse um atrasado mental de esquerda... ou de direita

O Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, apresentou publicamente um livro intitulado A Crise Explicada às Crianças. Este tem a particularidade de ter "duas caras": dum lado uma capa de fundo azul com o conteúdo dirigido a - pasmem-se! - miúdos de direita, do outro uma capa vermelha dirigida a miúdos de esquerda. Lá dentro efabula-se com ilustrações dum urso gordo - o défice - e abelhas furiosas - os mercados. Imagina-se a bela moral da história, dirigida aos paizinhos semi-analfabetos e crédulos. Às crianças explicam-se os factos da vida metaforicamente, com recurso a abelhinhas, flores, ursinhos. A crise também se explica assim, pelos vistos. Às crianças do bibe vermelho, que são de esquerda e às do bibe azul, que são de direita. 


Aos adultos já não é bem assim. Estes necessitam de explicações mais adequadas à sua idade, recorrendo a um imaginário mais maduro, explícito mesmo. Por isso sugiro esta publicação, com alegorias igualmente ilustradas, explicando a crise aos crescidos. Para aqueles adultos - de bibe vermelho ou azul – que ainda não perceberam bem como a hegemonia do poder financeiro anda a fecundar a cidadania e tudo o que apanha à frente. Como pronunciaria uma criancinha inocente: "metafodicamente", claro.


Post de Pedro M.

Archivo pittoresco: as piores capas de livros


Difícil eleger entre as categorias: pior capa, pior título, pior tema para escrever um livro...

Para pior título em português recomendo: Trate a vida por tu, de Daniel Sá Nogueira. Dentro do género de livro de conselhos "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

Já em língua catalã, gosto particularmente do livro para crianças intitulado Collons, posa't a dormir!. O título começa exactamente pelo vocábulo equivalente ao português, seguido de algo como "toca a dormir!". Cada capítulo consta de uma ternurenta rima, à volta de um palavrão diferente.

De resto, livros para crianças sobre cocó, parecem ser um subgénero literário. 
E também é complicado escolher um título.

Post de Pedro M.

17.7.12

Enquanto há neve no Kilimanjaro






  Jean-Pierre Darroussin e Gérard Meylan em "As Neves de Kilimanjaro"

Uma lição de humanidade em forma de filme (ainda se usa o termo "lição" sem presunção ou demagogia?...). Simples, tocante, feito daqueles pormenores que me fazem sentir mal por não os conseguir (d)escrever e muito contente por ainda deixarem espíritos subtis oferecer-nos coisas destas. Talvez porque o filme seja francês; embora pudesse ser de qualquer lugar onde coração, sinceridade e ética fossem investidos numa narrativa que revela, por trás da mundanidade e das adversidades quotidianas, um mundo de motivações profundas e nobres que são, afinal, o verdadeiro sol dos dias.

Tudo isto faz ainda mais sentido quando, no dia em que vimos "As Neves de Kilimanjaro", falei com um amigo sobre este "país egoísta" (palavras dele, mas poderia ser "sociedade egoísta" ou "mundo egoísta"). De certa forma, esta história ilustra como este egoísmo - que nos parece, de forma condescendente, uma espécie de traço endógeno exponenciando-se fatalmente de geração em geração - é uma questão de opção. De opção ideológica e, acima de tudo, da opção por um profundo investimento pessoal na vida. Na nossa e na dos que nos rodeiam.

"As Neves de Kilimanjaro" (Les Neiges du Kilimandjaro, FRA, 2011), de Robert Guédidian; argumento de Robert Guédidian e Jean-Louis Milesi, baseado no poema "Les Pauvres Gens", de Victor Hugo; com Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan, Marilyne Canto, Grégoire Leprince-Ringuet e Adrian Jolivet, entre outros.

Reality is a curse


 


Those of us who are lost and low
I know how you feel
I know it's not right
But it's real

"Don't Ask Me Why", Laura Marling (A Creature I Don't Know, 2012)

11.7.12

A silly season começou


Há muitos solstícios atrás, o meu irmão Pedro tinha pendurada na parede do quarto uma imagem - hoje icónica - de Nastassja Kinski a fazer uma pausa de beleza auxiliada por uma cobra pitão estrategicamente colocada. Um poster, se bem me lembro, tirado das páginas centrais da revista Première, porque o meu irmão era um moço culto e só consumia as centerfolds de revistas de cinema francesas. Tanto quanto sei. Enfim, as mesmas Première que eu recortava laboriosamente, e à socapa, para compilar um extenso e perfeitamente inútil portefólio de anúncios de automóveis. Os meus interesses então não eram muito alargados, pelo que, tirando carros, banda desenhada e batata cozida (segundo a minha avó, eu era "muito batateiro"), o mundo fechava cedo. Claro que, alguns anos mais tarde, quando me passou a retenção anal e comecei a aproveitar as fontes de conhecimento que havia em casa, amaldiçoei-me várias vezes por não conseguir ler até ao fim diversos artigos de cinema, sobretudo relativos ao Star Wars, assim como muitas pranchas do Michel Vaillant, barbaramente retalhadas. Alguns dos meus interesses mudaram - infelizmente continuam a não ser muitos, embora permaneça o grande batateiro que sempre fui - mas estou em crer que, ontem como hoje, iria preferir a Miss Piggy à Nastassja. Aqui fica uma singela homenagem à produção fotográfica de Richard Avedon em 1981, ao meu irmão, que nos veio visitar, e à beleza acetinada e intemporal de Miss Piggy, que faz da porcaria uma autêntica arma de sedução.

2.7.12

Segredos


 "(...) Meu amor por Alana não aceita essa simplicidade de coisa concluída, de casal para sempre, de vida sem segredo. Por trás desses olhos azuis há mais, no fundo das palavras e dos gemidos e dos silêncios alenta outro reino, respira outra Alana. Nunca lhe disse isso, gosto demasiado dela para despedaçar essa superfície de felicidade pela qual hão deslizado já tantos dias, tantos anos."

Julio Cortázar, excerto de "A Orientação dos Gatos" (retirado de Queremos tanto a Glenda), tradução adaptada

Ilustração: Adam Hancher, "Holding Loneliness"

26.6.12

Soluções para a crise 10


Who you gonna call? Pararara para para...

Pensamento do dia

 
E é. Para quem leva com ela.

Ser híbrido



O que decerto não torna as coisas mais fáceis.

O mundo segundo Julio Cortázar


 "En el restaurante de los cronopios pasan estas cosas, a saber que un fama pide con gran concentración un bife con papas fritas, y se queda de una pieza cuando el cronopio camarero le pregunta cuántas papas fritas quiere.
-¿Cómo cuántas?- vocifera el fama-. ¡Usted me trae papas fritas y se acabó, qué joder!
-Es que aquí las servimos de a siete, treinta y dos, o noventa y ocho- explica el cronopio.
El fama medita un momento, y el resultado de su meditación consiste en decirle al cronopio:
-Vea, mi amigo, váyase al carajo.
Para inmensa sorpresa del fama, el cronopio obedece instantáneamente, es decir que desaparece como si se lo hubiera bebido el viento. Por supuesto el fama no llegará a saber jamás dónde queda el tal carajo, y el cronopio probablemente tampoco, pero en todo caso el almuerzo dista de ser un éxito."

Excerto do livro Papeles Inesperados, Editorial Alfaguara, com textos inéditos até Abril de 2009.

25.6.12

Descarga emocional

Há tempos saiu no i online uma "notícia" que nos apresentava de modo cândido o dito "salário emocional", conceito cunhado por esclavagistas de coração doce nos anais da trafulhice, visando, decerto, confortar a alma dos trabalhadores que já arranham muito por muito pouco, mesmo à beirinha de uma ladeira a pique. Parece que a Associação dos Salafrários com Dois Apelidos Finórios e Conjunção Coordenativa achou que seria uma ideia genial dar um empurrãozinho amoroso para criar habituação, como disse ao i António Brandão de Vasconcelos (pois com certeza), logo depois de passar à administração do jornal o pastel necessário para pagar as senhas de refeições dos estagiários (pois sim). Atente-se na seguinte bomba de neutrões da falta de vergonha:

"A máxima 'o dinheiro não é tudo' ganha cada vez mais força. E para o presidente da Everis pode sintetizar-se num conjunto de medidas: 'Comunicar de uma forma totalmente transparente, ter tempo para ouvir, reconhecer e agradecer o empenho e o compromisso, celebrar colectivamente os êxitos, dar espaço para as preocupações são alguns pormenores', enumera o responsável. No caso da empresa de consultoria, começa pelo trato. António Brandão de Vasconcelos faz questão de ser tratado só por António em vez de senhor engenheiro, mesmo pelos estagiários. 'Estamos em presença de uma situação win-win', concluiu."

Toni, faço-te uma proposta justa e consequente. Se puder entrar no teu gabinete sem avisar nem bater à porta, sentar-me em cima da secretária, acender um cigarro com o isqueiro que trazes na lapela, e, enquanto me peido sem clemência nas tuas trombas, espetar o cigarro nas tuas partes baixas, obrigando-te de seguida a reproduzir uma cena do filme Deliverance ao mesmo tempo que pego fogo aos teus estores, para logo te fazer cantar o "Barco Negro" com chamas em fundo, podemos negociar uns abracinhos salariais durante, digamos, uma semana, para ver como as coisas correm, pode ser?

Os ovos do Chagas

 

 Banner do Chagas na mais apropriada das páginas web




Por falar em charlatães, megalómanos e ególatras, "o Mourinho da escrita", a criatura que revolucionou a técnica redactorial no seu galinheiro e está convencido de que pôr ovos é o mesmo que produzir sintagmas, continua a violentar a rede com os seus banners importunos. Da subtil "Fábrica de Inteligência", em cuja introdução nos brinda com uma analogia do processo digestivo, à apresentação dos "Raios X", rubrica que nos deixa antever uma série de coisas excepto o fim a que se destina, passando pelo "Atelier de Joalharia de Escrita", momento de porfiosa prosa (que refere um "curso gourmet", de onde "saem textos que poderiam ser expostos num museu", objectivo eminente de toda a criação textual, diria eu; lamento, no entanto, que não refira o conteúdo em fibra da dita formação, de modo a que os textos saiam mais facilmente e com boa cor), Chagas continua a marcar pontos na vulgarização azeiteira do processo de escrita. Os seus créditos lancinantes podem ser consultados aqui, mas aproveito para lhe traçar um rápido perfil através de títulos como Já alguma Vez Usaste o Sexo sem Necessitares de Usar o Corpo, A Guerra da Secessão: 1981 - 1985, "uma obra de cariz histórico sobre a Guerra Cívil [sic] Americana", e Os Dias na Noite, "aquela que foi a sua última obra publicada nos formatos tradicionais, com apresentações a cargo do jornalista Carlos Castro e do vocalista dos Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal", e, consta, com a participação especial de Topo Gigio, dois unicórnios, Fernando Rosas e ainda um showcase de Elvis (Presley) a rematar. Entre as intermináveis "obras" editadas (?), contam-se a trilogia dos "Espasmos", que aguarda um terceiro tomo, assim que o autor se recompuser do segundo; uma homenagem ao pleonasmo, intitulada Chãos Pisados; obras de carácter profético, como Só os Feios é Que São Fiéis [sic], ou Porque Ris Sabendo que Vais Morrer [sic]; e coisas cuja simples menção leva a tripa a produzir involuntariamente uma arroba de palavras, como é o caso de Envelhenescer, livro já condenado pela Associação de Foneticistas Portugueses. Noto ainda que, só em 2010, brotaram nada menos que dez (10) títulos do parlapiê do Chagas. Ou, se preferirmos, dez ovos estrelados na frigideira da língua portuguesa.

Hard copy 61

O delírio vitaminado das vacas voadoras

Sinais para detecção de charlatães megalómanos e ególatras:

Recorre frequentemente a hipérboles? 

As hipérboles que usa são ostensivas e, muitas vezes, despropositadas?

Refere-se mais do que uma vez a si mesmo como "especialista"?

O texto encomiátisco que claramente redigiu sobre si próprio está escrito na 3ª pessoa?

Enfia o "ROI" algures a martelo?

Afasta-se por momentos de um untuoso tom profissional para nos dar a notável dimensão "do Homem"?

Menciona "resultados imediatos"?

A comunicação tem toda ela um tom de urgência a raiar o desespero?

A comunicação ostenta um aspecto low budget, é desprovida de originalidade e arma-se ao pingarelho modernaço, dinâmico e bem disposto, vulgo levezinho? 

O indivíduo surge bem apessoado e em pose interpelativa?

Então estamos na presença de um charlatão megalómano e ególatra de grande calibre, sem qualquer noção do ridículo.



Se porventura o nosso homem produzir mensagens liminarmente indecifráveis, de teor psicadélico, estamos na presença de um charlatão megalómano, ególatra e chanfrado. E talvez por isso lhe reconheçam afinidades com o nosso
Presidente.

A arte da lobotomia




 

David Guttenfelder (AP)


Pedro Ugarte (AFP)


Bobby Yip (Reuters)

Em Abril deste ano, o governo da Coreia do Norte convidou dezenas de jornalistas estrangeiros para fazerem a cobertura do 100º aniversário do nascimento de Kim II Sung, fundador da nação, que é imposto como deidade à população, estando interdita qualquer menção à sua morte. Uma boa forma de vislumbrar a aparente demência colectiva, cruzada com um terror mudo, é lendo Pyongyang, de Guy Delisle, livro sobre o qual publiquei um post, há uns tempos. Tenho um fascínio quase mórbido pela Coreia do Norte, talvez por não conseguir entender como, neste milénio, a subjugação pode atingir proporções tão avassaladoras e, simultaneamente, tão inanes. Uma gigantesca máquina enferrujada movida a irracionalidade, esmagando as mais pequenas formas de evolução humana, para sustentar uma oligarquia enlouquecida que fez do medo uma espécie de ópera-bufa. Pela primeira vez, fotógrafos internacionais tiveram a oportunidade de documentar a capital e as suas imediações (muitas das imagens foram captadas na viagem de comboio a caminho da zona de lançamento do foguete Unha-3, incluído nos festejos), se bem que permanentemente "acompanhados", e, como tal, condicionados, por fiscais do Governo. Mesmo assim é admirável, em informação e vivência, o que as objectivas de profissionais como David Guttenfelder, Pedro Ugarte e Bobby Yip conseguiram registar. Nós, que vemos os nossos bens morais e materiais continuamente hipotecados, devíamos pensar (e usar) mais vezes no admirável bem que possuímos.

Podem ver mais aqui.

20.6.12

O mundo segundo Scott Adams

Ou a deprimente familiaridade de Dilbert. 


18.6.12

Hard copy 60


Uma ideia tão assustadora quanto o senhor protagonista (a quem, aliás, só falta uma gadanha para a graça ser um pouquinho mais tétrica). Esta adaptação para Portugal pauta-se por uma enorme inconveniência, causada inadvertidamente pelos idiotas que a aprovaram.

O plágio é a nova criatividade


"Se não podemos pôr o cavalo a correr em slowmo pômo-lo a relinchar em Auto-Tune, 
mas estás à espera do quê?!..."

Numa crónica escrita há uns meses para o Jornal Económico, a propósito desta e daquela sirénica "controvérsia" na publicidade portuguesa, o estimado Eduardo Cintra Torres pondera o seguinte:

"Hoje, a cópia tornou-se viral; perdeu o forte valor negativo que ainda tinha no século XX. Estudantes copiam da Internet, jornalistas copiam dos outros media, escritores copiam livros doutrem, porque não haveriam os publicitários de se inspirar noutros conteúdos audiovisuais?

Nos dois casos referidos, o plágio ou cópia impressiona por estar tão próximo no tempo dos originais. Os anúncios da Optimus e da PT sacam ideias e materiais de conteúdos recentíssimos. Parece-me que o mundo publicitário desenvolveu um pacto de não-agressão, que permite aos "criativos" imitarem hoje porque poderão ser imitados amanhã. O número de ideias novas é finito, pelo que a publicidade aceita como regra do jogo entrar numa espiral sem fim de "tu copias-me, eu copio-te", sem originar, como no final do século XX, ofensas de publicitários com casos gritantes de plágio ou imitação. Tal como se copiam materialmente filmes e músicas para o computador, com três cliques no teclado, copiam-se anúncios ou vídeoclips em recriações mais ou menos plagiadas sem que o plagiado mexa um dedo. A sociedade hipermediatizada resolveu assim, pois, a espiral do plágio: banalizou-o, naturalizou-o e inocentou-o informalmente.

O espaço público na Internet não deixa escapar o crescente assalto intertextual; o mesmo aconteceu agora. Descobrir referências intertextuais é sempre um prazer, mesmo quando resultam de cópias ou plágios e não de meras inspirações. Mas, ao contrário do que sucedeu em casos anteriores, desta feita os internautas foram muito lenientes com os publicitários da PT. Julgo que o motivo é este: o anúncio da PT é visualmente espectacular e a canção "Sail" (navegar, mesmo a calhar), de Awolnation, encaixa como uma luva."

O que Cintra Torres diz é desconcertante. Por um lado evidencia o que se tornou prática quotidiana e escancarada no universo criativo. Por outro, sublinha o sentido de timing como único aspecto discutível, terminando a fazer o que me parece a apologia do plágio, baseada no preceito da boa execução. Simplesmente, e dado o flagrante aproveitamento da ideia, tom e maneira da peça que o precedeu, o anúncio em causa está no limiar do roubo, a léguas do espírito de recriação ou reaproveitamento defendido por muitos criadores ao longo de gerações, como é o caso ilustre de Mark Twain. Com base nestes pressupostos perniciosos (e convenientes?), deixaria de existir propriedade intelectual e o aforismo de Edison veria retorcida a sua lógica para "criatividade é 1% transpiração e 99% inspiração (no esforço alheio)". O trabalho criativo era para Edison, e, quero crer, é-o ainda para a maioria das pessoas que lida com ideias como modo de vida, duro e honesto. Se o mérito no processo de concepção, desenvolvimento e implementação de uma ideia (que é, já o sabemos, compósita por definição) for substituído pelo elogio da execução técnica feito por foristas virtuais amantes "da boa fotografia", qualquer Zé Careta com ideias próprias, um módico de competência e boas notas a História pode reescrever um romance de Mário de Carvalho. A editora atavia-o com uma capa dura e acetinada, desenhada por alguém que gosta especialmente do labor de, digamos, Ana Boavida e João Bicker, e teremos facilmente uma obra de grande fulgor artístico. Como se a criatividade se tivesse transformado num grande irmão da reciclagem discricionária, onde a marca de alguém é prerrogativa de todos, a pilhagem ascende a método e o estardalhaço imediato se converte em único objectivo. Faz sentido.

(Uma perspectiva pedagógica sobre o assunto, aqui.)

"A Sad State of Freedom"


You waste the attention of your eyes,
the glittering labour of your hands,
and knead the dough enough for dozens of loaves
of which you'll taste not a morsel;
you are free to slave for others-
you are free to make the rich richer.

The moment you're born
they plant around you
mills that grind lies
lies to last you a lifetime.
You keep thinking in your great freedom
a finger on your temple
free to have a free conscience.

Your head bent as if half-cut from the nape,
your arms long, hanging,
your saunter about in your great freedom:
you're free
with the freedom of being unemployed.

You love your country
as the nearest, most precious thing to you.
But one day, for example,
they may endorse it over to America,
and you, too, with your great freedom-
you have the freedom to become an air-base.

You may proclaim that one must live
not as a tool, a number or a link
but as a human being-
then at once they handcuff your wrists.
You are free to be arrested, imprisoned
and even hanged.

There's neither an iron, wooden
nor a tulle curtain
in your life;
there's no need to choose freedom:
you are free.
But this kind of freedom
is a sad affair under the stars.


(Tradução de Taner Baybars)

15.6.12

Hipocrisia ao rubro

Meanwhile, back in the U.S.A. ...

Prossegue o interminável circo em torno do próximo fantoche (y sus muchachos) a ocupar a Casa Branca. A pop star ou o facho? O suspense é de cortar a respiração.


Cartoon publicado no Manawatu Standard a 8 de Fevereiro de 2012, sobre a condenação por parte da Nova Zelândia, ao lado dos Estados Unidos, da violência na Síria.

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