16.7.10

Um outro olhar sobre a monarquia



Ela está com ar de quem andou a inalar éter dietílico, depois de emborcar dois clonazepam e meio quilo de trufas de chocolate. De certeza que apagaram o fio de nylon que lhe está segurar o toutiço.
Ele tem aquela imutável expressão que funde obstipação crónica com uma incomparável leveza existencial - entre o quem sou, porque é que ainda não cofiei o bigode e onde estão as minhas pantufas alentejanas -, próprio dos grandes marretas. E parece que dão medalhas a provas de ginjinha e jogos de dominó.

Que belo trabalho de um Homem Cardoso.

Obrigado pela inspiração, A.

22.6.10

FBA. (e ponto final)



Alardear o que é bom não é favorecimento, é justiça. Num país (do)minado pelo derrotismo e pela mediocridade, há exemplos de rigor que nos dão uma consciência animadora dos reais valores que possuímos. Isto diz respeito a uma área, que genericamente designarei por Comunicação, onde, imerso como tantos numa morrinhante realidade, raras vezes me apercebo de que a qualidade (e a seriedade, pois já colaborei com eles) ainda prevalece em alguns redutos por aí espalhados. Depois dos Red Dot Awards e do Silver Award, o atelier de design conimbricense FBA. recebeu mais uma importante distinção que recompensa a sensibilidade dos seus designers e todo o bom-senso investido num projecto.

Para conhecerem mais capas seleccionadas pela AIGA, podem espreitar aqui.

18.6.10

A solitária viagem de José Saramago


“Morrer é, afinal de contas, o que há de mais normal e corrente na vida, facto de pura rotina, episódio da interminável herança de pais a filhos pelo menos desde Adão e Eva.


In As Intermitências da Morte (2005)
"Don Quixote", ilustração de Gustave Doré (1863)

Até sempre, senhor.

Tenho a vida interior de um tremoço




Ondem gastei o saldo todo a falar ao telemóvel com a minha irmã. Hoje sonhei que lhe ligava novamente e que gastava o saldo uma segunda vez.

Será pobreza de espírito ou o meu subconsciente a fugir às responsabilidades?...

O mundo é uma corneta



Eis a melhor exemplificação possível da inanidade das redes sociais. E uma óptima tradução do que sinto em relação à humanidade. Mas não sejamos alarmistas.

16.6.10

No melhor pano...

Há tempos vi no noticiário da RTP2 um destaque à estreia na encenação de Beatriz Batarda, "Olá e Adeusinho", um texto de Athol Fugard (em cena até há pouco no Teatro da Cornucópia). Batarda é uma actriz estimada, de indiscutível talento (que eu já tive oportunidade de testemunhar em "De Homem para Homem") e geralmente interessante nas suas escolhas e intervenções. Por isso estranhei que, numa filmagem dos ensaios, Catarina Lacerda tenha largado, a dada altura, um ruidoso "supônhamos". Um deslize da actriz, pensava eu. Eis senão quando reincide: "supônhamos". Ora bem, excluindo uma (feia) opção estilística associada à caracterização da personagem - embora, creio eu, o substrato literário desta arte não o permita, não ao nível da indução do erro -, fica a insegurança linguística da actriz e da encenadora, que não só deixou passar a falha como permitiu que fosse retransmitida. O que para uma artista com a sua aura é um infeliz pormenor de significativa proeminência.

Virtualidades


Ah, quão gratificante é a internectividade.

Ilustração de Steve Wilson

8.6.10

A lei do penico


O que a expressão "o mundo é um penico" quer realmente dizer, na sua subtil irrisão, é que "o mundo é um penico cheio de gente bem relacionada". Os que não cabem lá, amigos, pelo cano abaixo.

Penico, Museu da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, Rafael Bordallo Pinheiro, séc. XIX

2.6.10

The past will always be in my future



Cause you can't unring a bell, Junior
Aaghhhh
Hurts don't it

Take it like a man

Get it through your head


Suffer

("You can't unring a bell", Tom Waits)

Imagem: "O rapaz que criou raizes porque um dia apanhou uma nuvem", de Jorge Simão

1.6.10

A arte do cu-na-língua


Nunca se deve subestimar o comprimento e a dedicação de uma língua, quando uma figura destacada da hierarquia laboral, com muito apego ao seu buraquinho lustroso, cruza uma veterana profissional de delícias lambeteiras. Podiam era escolher um local mais discreto porque há gente que se impressiona com tamanha pujança. Pode ser que não passe de hoje, já devem ter os calos a doer.

19.5.10

Deus ilumine as nossas finanças


A mim o pai ensinou-me que, se tens pouco, deves gastar apenas no essencial e não andares para aí a torrar o que não tens. O pai e a mãe também me ensinaram que, acima de tudo, não deves andar a endividar-te com carcanhol que não é teu, porque isso equivale, bom, a roubo? O que o pai não me ensinou, mas eu eventualmente aprendi, é que não há ninguém que deve ditar o que é ou não é bom para ti, e que isso é tanto mais grave quanto a inutilidade, senão o prejuízo, que tais decisões te vão trazer. Mas o que o pai também me ensinou, seguramente mais do que a mãe, é que não há campanha beata que se aguente, muito menos com aquele imaginário de naftalina que nos interpela com condescendência sobranceira.

15.5.10

Hard copy 18



Nos setentas a emancipação feminina e a maroteira por vezes confundiam-se, daí que anúncios como este manifestassem entusiasticamente uma outra condição. Hoje em dia, quando a Lady Gaga, Beyoncé e quejandas agitam freneticamente a perseguida com um fio de pano que tão pouco deixa à imaginação, exibir uns mamilos pujantes seria como apontar mísseis à moral pública.
E eu cá prefiro maroteira ingénua a pornochanchada mal disfarçada.

Alexandre, não sei onde arranjaste isto, mas queremos mais como este.

13.5.10

Rise and (The) Shining


O designer Chris Dimino criou este relógio de parede que, a cada hora, solta um "Heeere's Johny" por via do seu Jack Nicholson retráctil. Temos um psicopata no lugar do cuco, o que, apesar de original, não deixa de ser muito creepy. Era rapaz para comprar tal coisa, mas não me parece que os detentores dos direitos achem uma boa ideia de merchandising.

12.5.10

Um sentido adeus

Tim Minchin - Pope Song from Fraser Davidson on Vimeo.


Visto aqui (obrigado, Mono, still waiting for that call, e desculpa lá o ripanço), saído da mente desvairada deste gajo.

Dupla revelação



Se Bento veio, Bento também haveria de ir. Uma segunda oportunidade para acenar à direita sem fixar o olhar embalsamado em coisa alguma, apenas acompanhando vagamente a linha do passeio, à medida que o Mercedes-aquário desfilava rua abaixo. Entre uma agente da autoridade com galharda postura e um anúncio maroto a uma revista feminina, o nosso protagonista não deixou de mostrar quem é que manda na gaiola, pondo as outras malucas em sentido com notável firmeza. Alguém deixou acabar os aperitivos...

Efeitos especiais por Gonçalo G.

11.5.10

Revelação


"Ouve lá, ó núncio, há óstias recheadas para o almoço?"

Acabámos de ver passar o Bento aqui mesmo à porta do trabalho, mas o papamóvel ia na esgalha e a relíquia só acenou para o lado direito. O gajo é pequenino e tem uma fixação pelo branco. Mesmo assim fiquei com um tesão de fé.

8.5.10

Regresso às origens



Porque o meu planeta até tem coisas boas.

How many words is too many?









I've had enough of those.
Time to sober up.
Time to get real.

Grande Tangerina








































Bernardo Carvalho,
um dos melhores ilustradores portugueses e um dos responsáveis pela editora Planeta Tangerina, venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2010, pelo livro Depressa, Devagar, escrito por Isabel Minhós Martins. Uma distinção atribuída anualmente pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas que este ano contou com 117 obras a concurso, de 76 ilustradores e 35 editoras. Madalena Matoso, outra magnífica ilustradora lusa, também colaboradora da Planeta Tangerina, recebeu uma Menção Honrosa.

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