24.11.08

Mudança



Algo radical, de hábitos alimentares.

Procura-se sanidade mental

médico / criativo

Part-Time


Empresa de Marketing Farmacêutico em franca expansão, procura clinico geral (residente no concelho de Oeiras) com “veia de de Publicitário(a)”.


Integração em equipa jovem e dinâmica (ficando integrado em equipa com designers e accounts)
Requere-se (gosto) Capacidade para a elaboração (em equipa) de racionais médicos, visitas e concepção de campanhas, literaturas, entre outros desafios interessantes.

Horário flexível e adaptável às funções que já exerce (2 horas por dia, ou 6 horas por semana, em média).


Se sente dentro de si potencial criativo, porque não nos telefona… visita ou fala connosco.
Registo | Login: Para responder a esta oferta terá primeiro de se registar ou fazer login.

Visto no site
Carga de Trabalhos

Este anúncio merece uma análise detalhada do princípio ao fim. Começando pela veia, passando pelo que sente dentro de si e desembocando no pleonasmo épico. Quando pensava que "designer / copy" já era esfarelar a corda de tanto esticanço, eis que alguém se lembra de tão exótica polivalência. Para "responder a esta oferta" terá de estar completamente desesperado, se não doido varrido, sobretudo se pensar que esta empresa é algo mais do que uma chafarica nauseabunda. Até a Herbalife teria mais noção. O que se segue, "engenheiro alimentar / ladrilhador", "controlador de tráfego aéreo / arquivista", ou, sei lá, "astrólogo / apresentador de TV"?

Mensagem evangélica























I'm Jesus fucking Christ, now fucking pay me.

No canal da Xana a emissão está com delay



Ao folhear o livro Mais Luz, de Alexandra Solnado, constato, Jesus, que tens, mostras, dás, Jesus, uma grande força, uma força nice à anáfora, ao assíndeto e ao vocativo. A tua mensagem, Jesus, a tua voz, parece um anúncio à 7 Up saído dos anos 80. Devias mudar de agência de comunicação, de comunicação, mudar, sempre, evoluir, sempre. Tu.

Por outras palavras








A mais saloia alternativa a admissão de culpa parece-me ser:

"Aguardamos com serenidade o desenrolar dos acontecimentos".

20.11.08

Se calhar é por isso parte 2


"Polaroid is not a camera - it's a social lubricant".

John Hegarty

Se calhar é por isso parte 1

















"There's still more poetry than science in business".

Edwin Land

O que uma cambada de líricos nos arranjou.

Recalcamento

Nada é preto no branco


Nada é preto no branco.

As coisas nunca são como são
mas antes como deveriam ter sido.

Têm sombras e contornos
onde tu os encontras
e não onde a luz se fez sentir.

Têm brilhos inesperados e matizes indomáveis
em miserabilismos triviais.

Nada é como tu queres que seja.

Porquê insistir na justiça da interpretação
quando o que tu debitas é uma cartilha resumida,
um vislumbre incompetente da realidade?

Preto no branco só reflecte a tua ausência de cor.
A tua ausência de espírito.

Para ti pode ser preciso.
Para mim é um esboço rebuscado da tua ignorância.


Contribuição para a revista Mutante, Dezembro 2008

Carta ao Sr. José

Tenho a dizer-lhe que não canta bem. Não convencionalmente. Isto é, não há na sua voz a espessura de um intérprete nato, não tem a amplitude de um crooner, não tem o vibrato entusiástico de um popster. Mas o que tem, é único. É quente, meigo e íntimo. Chega mais longe do que o virtuosismo treinado dos vendedores de emoções. Confesso que nunca o vi e não construo imagem alguma para além das suas canções. E até em ritmo electrónico a sua entoação soa bem, por isso lhe perdoo as remisturas de “Killing for Love”. Em todo o caso, continue a aplicar a sua voz suave ao abandono folk e a iluminar os meus dias. Ninguém diria que é sueco. Mas também ninguém diria que um sueco se iria chamar José.

12.11.08

Gata em necessidade de zinco

A Arisca anda muito preocupada com a recessão alimentar e decidiu investigar um bocadinho mais sobre os alimentos a preservar e as principais necessidades nutricionais. Até já substituiu a ração. Só ainda não consegiu largar o tabaco.

Ora aí está


























Não sei se é ingenuidade ou sentido de humor dissimulado, mas é uma possibilidade como tantas outras.

Daqui p'rá frente

10.11.08

Gone baby gone

Biografia a sete pés

No início havia o verbo: "berrar".

Depois, uma forma única de expressar apreço pelo mundo que o recebia:

"Cocó!". Substantivo adjectival.

Aos 9 anos, sofre um trauma irremediável: os seus pais mascaram-no de cowboy no Carnaval. É preso pela GNR à saída da papelaria, loja de brinquedos e sortidos Labesmal.

No dia seguinte, o Diário de Abrantes dá destaque ao anão gatuno, apanhado em flagrante com uma Abelha Maia e um Topo Gigio em PVC no coldre.

Foge do Ribatejo depois de partir um taco de minigolfe nas costas do irmão do meio e, aos 13 anos, ganha a vida em feiras e bares como profissional de danças exóticas, sempre munido de um gorro de campino.

A juventude é marcada pela inadaptação. A idade adulta pelo amadurecimento. Já não atira objectos cortantes.

Ansioso por encontrar o seu lugar e por aprender a manejar um taco de golfe com destreza, alista-se nos Pequenos Burgueses.

Muda de rumo mas não de ramo. Emprega-se numa empresa séria e espera que a mudança ocorra. Com ou sem Obama.

5.11.08

31.10.08

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