9.7.07

...Eventually.


Digo eu.

(Ilustração de Muted Faith)

Patricia Clarkson on why it works



Everybody is so interested in that, I don't own a computer. I have a much larger computer vocabulary now because of this part; I did learn and do research. And I have been on a computer with a friend or the man I date. I have been on a computer, but I'm not a computer aficionado. I'm not a computer gal, but I have been in chat rooms, with different friends I have gone into a chat room. And I think they're fascinating and I think the beauty of chat rooms is that you can have your anonymity, of course, and you can choose to be raunchy and sexy and bold. Or you can actually go into certain chat rooms and maybe have an incredibly soulful, meaningful conversation that will change your life or change the other person's life. And I think that's kind of great about this film, that you see how these chat rooms, how the Internet can cover this broad base. When we first start out it is very funny and then it branches into something much darker, and then ultimately something kind of beautiful, I think, in the end.

("What do you think about people getting to know each other by chatting online? Did you research?", Patricia Clarkson sobre The Dying Gaul, entrevista de Rebecca Murray, About.Com: Hollywood Movies)

Razão pela qual raramente choro

















"Lágrimas não são argumentos."

Machado de Assis

Variações sobre a Estátua da Liberdade













As 7 salmonilhas de Portugal


A Estátua Dolphins Can Fly, Setúbal


O Sado 550


A Rotunda do Bairro do Atalaião, Portalegre


A Rolha de Cortiça


A Estátua em Bronze de Fernando Pessoa, Lisboa


A Estátua do Imaculado Coração de Maria, Fátima


O Menino da Lágrima

6.7.07

Na cama com William H. Masters e a sua esposa, Virginia Johnson

1966

The American gynecologist William H. Masters and his wife Virginia Johnson publish their study of the physiological processes during sexual activity: "Human Sexual Response". After Moll and Reich, they again suggest a 4-phase model of the sexual response. 1. excitement, 2. plateau, 3. orgasm, 4. resolution.

Foi aqui que a auto-consciencialização da queca por episódios começou, promovida por estas pessoas de ar patusco e compenetrado. O argumento poderá variar ligeiramente, o final pode trazer algumas surpesas, por vezes salta-se um episódio, mas, basicamente, a história é sempre a mesma. Sexy, hã?

5.7.07

Provérbios: a verdadeira alma portuguesa









"Vaca que não vai com os bois, ou vai antes, ou vai depois."

Tradução: não te faças de sonsa e assume que és uma vaca.

Os 5 terríveis

Com uma geração de estrelas a envelhecer e a planear cuidadosamente o seu futuro no celulóide, seja através de manobras publicitárias histéricas ou de uma escolha realmente judiciosa dos filmes que decidem fazer (ou ambas as coisas), começa a perfilar-se no horizonte uma nova leva de rapazes com ambição e perfil para vestir a pele de galã universal. Infelizmente, e à semelhança dos seus antecessores, nem todos primam pelo talento. Decidi então pegar na “matriz Keanu Reeves” e medir os garbosos candidatos com maior probabilidade de vencer no mundo da 7ª Arte por razões que a razão desconhecerá.

Orlando Bloom



Varrido do ecrã por todo o elenco de “Reino dos Céus”, incluindo os cavalos, restou ao jovem Orlando brandir a espada com tanta convicção quanta a que foi necessária para dar vida aos collants de Legolas, correndo, pulando e retalhando mouros como um cabrito ensandecido. Bloom precisa de voltar à escola e deixar crescer um par de cornos bem rijos se quiser fazer frente a actores a sério.

James Franco



Há uns anos atrás, Franco imitou James Dean num telefilme e, desde então, não tem feito outra coisa. Com a mesma dificuldade com que se imaginaria Dean a usar um escudo, uma cota de malha e um par de mocassins, gritando por Isolda nos penedos da Cornualha, se pensaria em Franco para qualquer outro papel que não fosse o de jovem torturado, com penteado négligée e a melhor pose Abercrombie & Fitch. E no entanto, alguém achou que ele podia desenrascar-se como guerreiro escocês do séc. VIII. Pensava eu que já tinha visto tudo depois de Keanu Reeves em “Drácula de Bram Stoker”.

Jared Leto



Perdido no épico mastodôntico de Oliver Stone, Leto choraminga episodicamente de acampamento em acampamento e de tenda em tenda pela atenção de Alex, o Super Conquistador, demasiado ocupado a fazer coisas varonis para atender à sua boneca. Por trás (e há quem diga que pela frente) de um grande homem havia um Hefaísto de cabeleira longa e olhito sensível, triste por ter diálogos tão maus e tão pouco tempo de antena. Alexandre, farto que estava de lamentos e trancinhas amariconadas, prefere por fim as curvas de Rosario Dawson ao apêndice Leto.

Ian Somerhalder



Não se sabe bem de onde Somerhalder surgiu. Nem porquê. Nem interessa.
Nunca devia ter saído do Havai nem da ilha onde estava perdido e muito bem, porque quem viu Pulse – se teve semelhante azar –, viu um gajo que não tinha a mais pequena ideia do que estava ali a fazer. Com uma manifesta dificuldade em falar e correr ao mesmo tempo, Ian telefona as suas deixas, deixa-se arrastar pela câmara e pela co-protagonista, que sua e grita pelos dois, parecendo genericamente aborrecido e com vontade de ir às compras ou ao solário. A única coisa assustadora neste filme é a sua presença como protagonista.

Ryan Phillippe



Phillippe não tem apenas o azar de ostentar um nome ridículo e um ar de querubim musculado que insiste em resistir aos anos e lhe prejudica a composição das personagens. Também não tem talento. O seu método base é uma mistura de mutismo introspectivo, um olhar ora vago ora hesitante e um sortido de boquinhas preciosas. É preciso muito mais quando se contracena com Chris Cooper e Laura Linney.

Pior anúncio da semana (press)



"Mayonnaise", Leo Burnett, Bruxelas, Bélgica (Cannes Lions Winner 2007 - Bronze)



"KUNSTHALLE Wien" (Museu de Arte Moderna KUNSTHALLE Wien - "It will blow your mind."), Jung von Matt/Donau Werbeagentur, Viena, Áustria

Melhor anúncio da semana (press)







"Smart For Two", Contrapunto, Madrid, Espanha (Cannes Lions Winner 2007 - Bronze)



"Stella Artois Quality", LOWE, Londres, GB (Cannes Lions Winner 2007 - Bronze)

3.7.07

À procura de Bansky















Com algum tempo para pesquisar decobri Bansky. Melhor dizendo, conferi uma identidade a intervenções urbanas que, episodicamente, ia cruzando, mas que nunca integrei na lógica de "pertencendo a". Agora posso dizer que ganhei uma visão mais alargada do trabalho deste britânico, suposto Robert Banks (na verdade, a sua identidade é um enigma bem preservado), e do poder disruptivo das suas mensagens. Daquelas coisas que se dizem em publicidade, mas que até lhe assentam bem, porque o rapaz daria um criativo do caraças. Prefere a iconoclastia e o anonimato, o que só lhe fica bem. É o autor do "booklet" alternativo do disco da Paris Hilton (obrigado a pensarcusta), tem um site que vale a pena visitar e uma visão do mundo que ressoará nas mentes mais xistosas. Alguns exemplos para aferição imediata.

Bota abaixo

















Devia exigir-se um referendo. Quanto a mim, faltam aqui (*) vários outros mamarrachos, embora de bom grado desse o meu voto à taveirada decadente que se impõe sobre Lisboa há mais de 20 anos. Lembro-me de uma senhora dona tia professora de matemática, com voz de cana particularmente rachada, nos dar um sermão sobre os “anti-progressistas” que cascavam no complexo comercial e habitacional das Amoreiras, garantindo que o tempo daria razão àqueles que reconheciam o génio visionário de Tomás Taveira. Isto foi na Escola Eugénio de Castro, em tempos muito idos, mas lembro-me bem, não sei porquê. Dado tratar-se de uma aula de matemática, terá sido a única vez que lhe prestei atenção. Ciente do chumbo garantido, passava o tempo a tentar alhear-me do zumbido incessante produzido por aquela glote infernal, assassinando figuras geométricas, escrevendo bilhetinhos a mim próprio e antecipando o momento especial do dia, atrás do ginásio, em que levaria a dose de porrada mandatória do facínora de serviço, depois da aula de Educação Física. Ou antes, dependia da disposição do sujeito. Que podia eu fazer contra um gandulo de 17 anos, filho de camionista? Um pobre ribatejano de 13, assustado e sem claque… Recordo-me também da dita professora me chamar ao quadro logo no início do ano, mas me ter mandado sentar pouco depois, convencida de que eu era narcoléptico. Enfim… As taveiradas mais populares não eram ainda do conhecimento público, por isso estas dondocas ousadas de gostos esotéricos opinavam com gosto e convicção. Acho muito bem, quer dizer, a senhora lá tinha os seus problemas. Mas não, não creio que o tempo lhe tenha dado razão, e aquelas duas torres de controlo de tráfego aéreo espetadas na colina espelham bem (literalmente) o desregramento e os atropelos caciquistas no planeamento urbanístico daquela época, cortesia de Krus Abecassis. As Amoreiras tiveram a sua maior projecção na “Vila Faia” e, de facto, têm tanta relevância no panorama cultural português quanto uma novela da NBP. Infelizmente, e até se botar abaixo, não vão cair no esquecimento. Os anos passaram, crimes maiores ou menores foram sendo cometidos, e agora, subjugados pelo peso da fealdade, podemos apenas sonhar com lindas e depuradoras implosões. A escolha é pessoal, mas aqui fica, ao vosso critério.

(*) Ideia exposta na Trienal de Arquitectura de Lisboa, no Pavilhão de Portugal.

29.6.07

Occasional full circle
















The other day I couldn't help but cry. Thank you for being there. It meant everything.


(Pintura de Luke Chueh)

Para o Tomás



Psst, não é para dizer. É só um estado de espírito.


(Foto de Heidi Slimane)

Fode-te, porco imundo!



O José Sócrates é um pulha, um crápula, um safardanas, um argentário vil e reles, que nunca há-de ter a tromba num selo porque as pessoas vão cuspir-lhe em cima e não no verso (obrigado ao senhor que teve este pensamento tão útil). Pronto, agora fico à espera do processo judicial e de ouvir a Alberta a dizer o nome do meu blog na televisão estatal, daquela maneira tão dela... e por falar em vogais abertas como se não houvesse amanhã.

Geme geme la vie


Ontem fui a estúdio gravar voz para um spot. Há muito tempo que não o fazia e só os constrangimentos de tempo e de budget o proporcionaram. Não sendo a primeira vez, ‘bora lá, caça-se com gato. A verdade é que a minha voz não é versátil. Ou nunca tive tempo suficiente para a treinar e tornar mais plástica. Austeridade é o meu nome do meio, até quando falo. É uma voz que os senhores do estúdio designam por “não comercial”, elogiando a colocação e adivinhando alguma técnica. Pois, mas não passo o dia na agência a pensar que vou dar voz a produtos langorosos, sobretudo depois de uma manhã de trabalho, às 3 da tarde e com um calor do caraças. Não é para me desculpar. Mas enfim, a preocupação maior era que saísse tudo direitinho, dentro do tempo previsto e com o cliente agradado. Cedo descartei a técnica Margarida Vila Nova, que consiste em locutar todos os anúncios com um tom rouco, ressudado, quase gemente. Certo, é uma bonita especialidade, que cola bem com as massas frescas Milaneza, com a Arte Lisboa, com a campanha pró-preservativo da Câmara Municipal de Cascais, com os iogurtes Adágio… Mas faltava-me um hoompf para dar alma à coisa. Ora parecia um locutor da Emissora Nacional com aquele tom todo especioso a sair pelas narinas, ora um totó armado em sedutor a abrir as vogais como se a minha vida dependesse disso. Lá optámos pelo tom neutro, que é como quem diz “põe voz grossa, não cantes e cá vai alho”. A verdade é que saiu com o mínimo de qualidade exigível. Um colega meu, mais dado a estas artes, decidiu introduzir um gemido na sonorização, que ele próprio emitiu ao micro, com grande deleite, de resto. Se não precisassem de uma voz grossa, o rapaz teria feito a Margarida roer-se de inveja.

27.6.07

Eles andam aí!







Pareceu-me oportuno divulgar 3 obras maiores desse subgénero esquecido que é o evil clown movie: Killer Klowns from Outer Space, Killjoy e S.I.C.K. (Serial Insane Clown Killer). Quem os viu, não os esquece. E quem não os vir, jamais esquecerá esta imortal tagline: "In space no one can eat ice cream!".

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