20.6.07

IM



IM
perfectível
IM
provável
IM
penetrável
IM
possível
IM
passe
IM
profícuo
IM
placidez
IM
prescindível
IM
prudente
IM
pulso

Ainda bate?

("Unavailing", Robin Grebe, escultura em vidro pintada, 2006)

Tic, tac



(Ilustração de Ian Murray)

Folk Song


Summer sky and a throat bone dry
And the fields are all gold
Dusty lane with a song in my brain
And it stoned me to my soul

I climb higher move towards the fire.....blaze sun

Silver trees and a whispering breeze
Are my sight and my sound
The thought of heaven couldnt drag me from the path
When Im wandering here alone

I climb higher move towards the fire.... so blaze sun
Watch until it dies slow falling from the sky
Pale fading sun

(Harriet Wheeler/ Dave Gavurin)

Pintura: "IKB 79", Yves Klein, 1959

Ideias que deram à costa












António Costa, acompanhado por vários elementos da sua comitiva, passeou recentemente pela Feira do Livro de Lisboa. O candidato à Câmara Municipal declarou que é necessário pensar, não só na revitalização de todo o Parque Eduardo VII, povoando-o de brasileiros, esquilos e senhores agentes da autoridade (tipologia e métodos a definir), mas sobretudo na rentabilização da Feira. Para o efeito reuniu com Yoco y sus muchachas, discutindo estratégias de expansão desta emblemática barraca para 2008. Costa falou também com os revendedores da Olá no sentido de encontrar um equilíbrio numérico entre barracas de livros e de gelados, sugerindo uma ligeira predominância destas últimas. Os comerciantes de farturas e churros também mereceram a atenção do candidato, tendo-lhes sido recomendado que, no próximo ano, propusessem opções light e distribuíssem luvas de plástico, de forma a minimizar os danos nos livros. Pelas mesmas seria cobrado o valor simbólico de 3 cêntimos, à semelhança do que se faz nos supermercados, por razões ambientais. No que toca ao universo estritamente literário, António Costa encorajou as editoras nacionais a colocarem em destaque a frase “o grande sucesso cinematográfico” na capa de todos os livros adaptados ao cinema, mesmo que ninguém tenha visto o filme. Depois de discursar animadamente para uma plateia de apoiantes, Costa passeou pela feira e adquiriu algumas obras da sua preferência, ora de cariz lúdico, ora de carácter científico.

Coisa feia







Cutileiro tem um sentido de humor perverso, não gosta do Marquês, está-se nas tintas para o 25 de Abril e provavelmente tinha um amontoado no atelier que lhe dava jeito despachar. No mesmo contexto, uma escultura de Daniel Edwards ou de Jeff Koons não pareceria descabida. Certo é que alguém aprovou aquilo. Gostaria de pensar que, num futuro governo totalitarista e especialmente sádico, Cutileiro seria obrigado a roer aquele mono até ao último calhau. Mas não penso em governos totalitaristas, preferia um apocalipse rápido e certeiro. À sua maneira, o "Monumento ao 25 de Abril" é um grande manguito aos utilizadores do parque, à Avenida da Liberdade, à cidade de Lisboa, à vista radiosa, à Câmara Municipal e à sua proverbial ausência de gosto, homenageando subversivamente os exploradores sexuais, o hedonismo, o onanismo e a falocracia (o homem tem um pedigree bem vincado na pedra, esperavam o quê?). Se João Cutileiro rompeu com o classicismo estilizado que marcava a nossa escultura, provocando uma viragem determinante na arte portuguesa, tenho para mim que nesta peça ele levou esse conceito demasiado longe. O auto-proclamado “fazedor de objectos destinados à burguesia intelectual do ocidente” fodeu o classicismo, o estilizado e criou uma manifestação muito física no Parque Eduardo VII. Infelizmente, foi feia ontem e continua feia hoje.

Não olhes para baixo, Marquês







O Parque Eduardo Sétimo é um dos locais mais bonitos de Lisboa, para além de ser o maior parque do centro da capital. Apesar de todas as indignidades que têm feito esmorecer a sua mística, permanece como um dos símbolos da cidade. Vinte e cinco hectares de verde lançados sobre um eixo fulcral, mirando o Tejo, preparado para receber uma enorme diversidade de plantas. Um projecto paisagístico pujante que integra pormenores luxuriantes, estruturas polivalentes, espaços para as crianças e para a prática desportiva, alguma fauna (sobretudo aves tropicais) e, mais recentemente, um espelho d’ água com esplanada adjacente.
E no entanto, grande parte disto soa a ironia. Poderíamos talvez abordar com mais detalhe as espécies animais que por ali circulam. E não me refiro propriamente à fauna nocturna que a edilidade tarda em erradicar de vez dos arbustos. Falo do cidadão comum. Dos apaixonados que se grudam ao muro frontal em bovina contemplação do pôr-do-Sol. Do portuguesinho que aí tira os seus rodriguinhos com a patroa e as crias, em tarde amena. Dos bifes e bifas que se arrumam aos cantos mais sombreados para imortalizar o momento. Falo dos domingueiros da Feira do Livro, que vão ver a vista enquanto sorvem um Cornetto e a contracapa do último Rodrigues dos Santos. Dos vendilheiros de quinquilharias, panos e bolos secos que por ali param. Dos junkies que se arrastam à cata de sabe Deus o quê. Dos putos que levam o skate ou a bola na mão, o inevitável maço de tabaco no bolso e a ausência de responsabilidade na cabeça. E por aí fora. Mas por mais que especule, não consigo encontrar uma razão para o espécime que, ali naquele ponto privilegiado com vista para o rio entrecortada pela majestosidade do Marquês, decidiu deixar umas meias! Não há apelo telúrico mais desvairado que o justifique. E a paisagem será de tal forma stressante para tantos que justifique as centenas de beatas e de garrafas que povoam o chão? O Marquês, altaneiro, permanece indiferente à porcaria que se acumula nas suas costas e míope perante a porcaria que se acumula na outra margem. Melhor assim, Marquês. Não venhas cá abaixo ver isto.

19.6.07

O Japão é um lugar estranho















Quatro dados culturais sobre o Japão, encarados com a objectividade possível:

1. É formado por um arquipélago.

2. Um dos seus comediantes mais famosos chama-se Masaki Sumitani mas é conhecido como Razor Ramon Hard Gay, criação tornada popular no programa de variedades “Bakuten” (uma espécie de Saturday Night Live local). Sumitani é o expoente máximo do Haado Gei, que se poderá traduzir por “arte hardcore” ou “gay hardcore”. Extremamente popular junto das jovens colegiais [Nota do Redactor: !?] Hard Gay revelou-se uma fonte de merchandising muito lucrativa, mas o seu sucesso tem vindo a decrescer. Uma produtora de manga está a tentar revitalizar o êxito emparceirando o misógino HG com uma curvilínea agente, de seu nome Seiko Honda, numa trama que gira em torno de uma série de violações ocorridas num dormitório feminino [NDR: ?!].

3. A Pepsi Corporation lançou, exclusivamente no Japão, uma série limitada intitulada Pepsi Ice Cucumber [NDR: sim. Pepino].

4. Produz uma bebida muito consumida localmente que se intitula Dakara, da marca Suntory. O claim do anúncio diz algo como “Dakara refresca do interior”. O resto do texto elucida o consumidor quanto à ausência de sal e de conservantes no refrescante líquido. Desconhece-se a razão pela qual um homem vestido de porco se encontra ajoelhado perante a garrafa. O Zodíaco chinês fez o crossover?

15.6.07

Cool Mat


Gosto do Matt Damon. É bom actor e faz boas escolhas. É giro e não tem ar de bimbo. É determinado mas não é arrogante. É convicente como actor dramático e como herói de acção. É casado com uma senhora de expressão portuguesa. Robert Ludlum teria ficado orgulhoso. A saga Jason Bourne, que originou dois dos mais trepidantes thrillers dos últimos anos, está quase a regressar às salas. O poster do 3º está aí e evoca o aparecimento do Colonel Kurtz em Apocalypse Now, ou é só impressão minha? Realiza Paul Greengrass.

"There has to be a better way."



A Downtown Partners Chicago é uma agência curiosa. O trabalho que fazem por lá não é espalhafatoso. É sóbrio, conciso e coerente (leia-se na secção Info o que têm a dizer sobre "People", "Structure", "Beliefs" e "Approach"). Possuem conceitos sólidos, muito bem definidos, trabalhados com a dose certa de afectividade e humor (vejam-se os anúncios de TV para a Walgreens e a Northern Trust, perfeitamente integrados no plano de campanha – scripts bem esgalhados, casting certeiro, contenção de meios), apoiados por um copy eficaz, que é normalmente espirituoso e claro. Têm uns quantos clientes que parecem rever-se na filosofia da agência. Até o layout e o interface do site parecem apontar para algo muito terra-
-a-terra, sofisticado q.b., mas ao nível da rua, do que se vê e sente pelos sítios onde caminhamos. As cores são um pouco soturnas, mas penso serem estes os tons de Chicago. Um case study interessante para algumas agências portuguesas. Hum.

(Still do spot Walgreens: Ornaments, com efeitos especiais de The Orphanage)

Bravo, minha brava!



A 14 de Junho de 2007 cumpriu-se um momento histórico. Agora, o voo para novas aventuras e diferentes histórias.

14.6.07

Epistemologia en passant


Ele: “Hum... sim, é uma obra a vários títulos notável. As duas peças, a de exterior e a de interior, reencenando preocupações temáticas e formais sem todavia esquecer a sua inserção concreta. Repara como a peça convergente consiste numa aproximação feliz ao universo pré-
-funcionalista, fazendo sentir a presença dos motivos insistentes da fragmentação e da intropatia mais jactante, enquanto a divergente, na sua magnitude grave, deixa que nela se projecte um sentimento de espera. Fabulosa capacidade de reinvestir uma densidade dramática que poucos artistas de hoje conseguem fazer com este telurismo e este sentido único de dramaturgia.”

Ela: “Tenho fome.”

Vazios Urbanos

















Instantâneos da exposição Vazios Urbanos, inserida na Trienal de Arquitectura de Lisboa, patente no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, até 31 de Julho.

Tirámão!



Estes senhores cantam. Ou cantavam - pois cheira-me que já estão todos a fazer tijolo - música de inspiração cristã. Aqueles grupos típicos do Sul dos EUA, constituídos por homens bem fornidos que entoavam harmonias venturosas, apregoando os "good ol' moral values", normalmente exemplificados com atitudes muito pouco católicas. Alguém hão-de ter tocado. O critério é desconhecido (publicamente).

Não queremos saber, Batman

12.6.07

Zás



"The only reason for being a professional writer is that you can't help it."

Leo Rosten

Obrigado, Alex.

Fica

O Exorcismo de Madalena Iglesias









8.6.07

Ó Elsa



Goodbye, Maria Ivone.

Já dei


Não quero voltar a dar, não quero receber, não quero falar e, acima de tudo, não quero ouvir - que os meus actos me pertençam só a mim, que as minhas palavras deixem de me escravizar, que o meu espírito paire leve sobre as boas consciências e que, acima de tudo, nunca, mas nunca, as palavras dos outros definam aquilo que eu sou. Já dei. Já recebi a troca. É um ponto final.

I don't wanna give, I don't wanna get in return, I don't wanna talk and, mostly, I don't wanna hear - may my actions belong to me alone, may my words free me from their slavery, may my spirit float amongst the well-intended and, above all things, may the words of others fall forever short of defining me. Been there, done that. That's the end.


(Pintura de Luke Chueh)

Tresmalhado

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