11.9.12

Compostagem verbal





























Sigo com curiosidade antropológica os comentários de alguns sites, com especial incidência no Autosport, que se tem revelado um terreno fértil de conhecimento. Em primeiro lugar, observo manifestações remotamente familiares da língua portuguesa, evocativas, talvez, de gravuras rupestres neolíticas (mas sem o investimento estético), foneticamente representáveis por urros primitivos cuja classificação decerto desafiaria a ciência moderna. Mas o que mais me fascina é o manancial inesgotável de insultos e provocações dirigidos não se sabe bem a quem, nem porquê, contudo indiciadores de enorme convicção e disponibilidade horária. Fica aqui uma pequena demonstração da fertilidade desta variante comunicativa tão pitoresca.

Hard copy 62


De um lado temos a singela identificação de produto para a higiene dentária, "com extractos naturais" e tudo e tudo. Do outro, confirmam-nos a sua pureza e garantem-nos que não estamos a ser objecto de uma qualquer experiência química, assegurando-nos simultaneamente que não foi testado em animais. Uma afirmação menos virginal que o resto, visto que uma barrinha vertical com valor absoluto coloca em dúvida o rigor da confecção. Onde está um copy quando se precisa dele.

7.9.12

Um Gorgulho na cama


E já que falamos em bens alimentares, eis Lady Gorgulho numa elegante produção fotográfica de Terry Andy-Warhol-wannabe Richardson. A porcalhona favorita das estrelas meets a badalhoca do momento. Numa pose ao estilo chouriçada no quarto "Oriente Esbraseante" da casa de alterne mais fina de Caxinas, Gorgulho, que já não sabe que uso dar ao dinheiro, faz retenção anal com um rolo de notas de quinhentos. Foge, Bobi, que a seguir és tu.

Louvai o senhor


Não sei para que lhe serve o dinheiro, mas contribui de certeza para o ar de nababo presuntuoso refastelado no trono, a esboçar um boneco descontraído e branqueado, semi-sorriso complacente e manápula executora fingindo indolência. A alva cabeleira em cenário bucólico quase lhe dá uma bonomia quintaleira. Para que servirá o dinheiro a este avô matreiro? Talvez para ir muito além das cantigas, do folclore histérico, dos chavões encerados e do populismo mais infesto... Não estamos nós cansados de saber o que está realmente por trás do realejo e das farturas destes empresários? Poder. Autoritarismo. Domínio. Mais dinheiro e cada vez menos escrúpulos. E quem impingiu pão e circo com tão diabólico engenho que, hoje, basta dar uma ordem e, mesmo enchouriçados, os portugueses acorrem ao templo para lhe dar o dízimo? Porque este já fez de Portugal, não o seu quintal, que é de somenos, mas a sua ostra. Bem chupadinha e acompanhada por um Redoma Reserva fresquinho. Consta que já é coisa para ser paga com cartão.

A imagem foi rapinada daqui.

31.8.12

No tempo dos dadaístas

 



















não havia Transtorno do Déficit de Atenção.

As cavalgaduras do apocalipse


 ... têm uma grande tromba.




Realmente é difícil perceber se os candidatos à (nomeação à) presidência dos E.U.A. são realmente perfeitos atrasados mentais ou se estabelecem como objectivo dizer o maior número possível de alarvidades centopédicas, de forma a galvanizar uma população, que, é, na sua maioria (ao que ouvi dizer), perfeitamente atrasada mental. O que, de qualquer modo, é irrelevante. O partido republicano - seja lá o que isso for, porque piquenicão na chavasqueira seria um enquadramento ideologicamente mais ajustado - detém uma vantagem ímpar neste aspecto. Entre as bestas cuspidas pelas vísceras da América para montar sem clemência a sua basculante constitucionalidade, contam-se os inesquecíveis Dan Quayle, Ronald Reagan, Dick Cheney e George W. Bush. Registe-se a mais recente azémola, de seu nome Todd Aiken, que promete superá-los por via de um "discurso" ecoando desde os mais profundos abismos da imbecilidade humana. A maior das bizarrias é que estes gajos, que aludem obsessivamente ao armagedão, são a prova de que o mundo acabou e que a iniquidade triunfou.

30.8.12

Comunicação (parte 2)

Dizias tu?...

Comunicação




















Ora ponha aqui aqui o seu pensamento.

Suburban sexy 30


Sugestão para vitrinistas arrojado(a)s que queiram dar um toque de intelectualidade aos manequins, capitalizando na sua enigmática expressividade. O negócio de certeza que arrebita. É de evitar, porém, a estética Lynda Carter circa anos 70, cruzada com o glum anoréctico dos 00s. Muito confuso.

Could this be me?


Os desenhos very funny de Marc Johns, para ver aqui.

29.8.12

Foi milagre da Virgem!


É a única razão plausível para ter quebrado o voto de castidade a farinhas processadas, gorduras saturadas e açúcares refinados, e rasgado de supetão a minha veste de monástica devoção à alimentação natural. Foi, porventura, ao constatar a minha angústia face aos desafios profissionais que se avizinham - "A nova fórmula concentrada é ainda mais potente a eliminar o calcário e a gordura! E a um preço mais baixo!"-, ao fracasso em limpar a veia da cafeína -"Cagueiparaquempediualteraçõessefizeramalteraçõestêmdemeavisarprimeiroé
sempreamesmamerdafoda-se!" - e ao profundo pesar em cumprir quarenta suados verões ao serviço da taberna lusitana - "A sério? Não parece nada que estás a entrar rápida e inexoralmente na meia-idade, virtualmente morto para o mercado de trabalho, que te encara como entidade obsoleta, reactiva e esbanjadora de recursos, e a ficar um gajo inconveniente e ausente para a família e genericamente desagradável aos olhos dos transeuntes e de alguns amigos!". 
Um pacote inteiro de bolachas Maria deglutido de rajada jaz agora nas minhas entranhas, a aguardar processamento. Ou foi para me fazer mexer, ou para me consolar, ou as duas coisas, que a Virgem interveio. Monossacarídeos! Glúten! Lactose! Banha de porco! O teu consolo, Maria, não será esquecido. Pelo menos enquanto esta azia durar.

Apresentando Merkelina...

 

 ... o cão pastor da União Europeia. Cadela. Cadela pastora.

Suburban sexy 29


A fé move montanhas e sistemas de locomoção eléctricos


De morrer a rir

 

Ou de obesidade mórbida.

24.8.12

Cem Soldos em cheio


Num pequeno reduto onde o espírito comunitário e o esforço colaborativo se manifestam com uma naturalidade que reacende a esperança (a aldeia de Cem Soldos, às portas de Tomar), monta-se bienalmente uma festa que tem muito mais para oferecer do que a (boa) música que por lá passa - o festival BONS SONS. Tem o investimento activo da população, a diversidade dos visitantes, as propostas culturais paralelas e as causas que o motivam, parte delas profundamente investidas na comunidade. E tem uma atmosfera de ruralidade com brio, que se preza a si mesma e se dá aos outros com igual estima. Que o festival continue por muitos e bons anos a caminhar autonomamente e com o mesmo entusiasmo. É um exemplo raro de dedicação, rigor organizativo e capacidade mobilizadora. Ou então foi de qualquer cena marada que bebi.

23.8.12

Um bélico momento fílmico


- All I want is to be happy...
- Happy? You can't afford happiness!

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