8.3.12

Há demasiados dias assim


Ilustração de Bruno Brunovic

  
Ilustração de Norma Bar


Ilustração de James Yang

Como ser obnóxio


Esponja da loiça da Urban Outfitters, sugestão de presente para o Dia da Mulher.

Suburban sexy 28

It came from above.

1.3.12

Portugal, 2012


Visto há dias numa revista de turismo.

Hipocrisia a metro



Se dúvidas houvesse de que o espectro do salazarismo ainda paira sobre a realidade portuguesa, veja-se a recusa do Metro de Lisboa - devido a preceitos "morais" -  em difundir a campanha publicitária ao site de encontros - gay -
Manhunt (que, por sinal, e graças a esta rejeição, teve direito a uma divulgação gratuita exponencial). Evoluímos? Pois evoluímos. Agora não há problema nenhum em expor as criancinhas, os católicos, as viúvas e as pessoas doentes a umas fulanas todas grossas, em lingerie e touca de freira, com meio mamilo a rojar num poste, alentadas por uma frase que apela a arrancar-lhes a cueca. É só uma ideia, creio que dá para perceber. Ou à objectificação mais primária saída desse buraco negro criativo que é o "Boa ZON" (e cujo subtexto de grande subtileza é: "Ó BOAZONA, GROSSA, TESUDUA, RIJA, PAPAVA-TE TODA A SALIVAR COMO UM JAVARDO, TÃO MULA QUE ÉS!"). Nem tão-pouco ao imaginário sexy-seboso de Zezé Camarinha, lembrando-nos orgulhosamente, com divertidos trocadilhos, que é um esplendoroso representante do labrego português na versão prostibular. Enquanto a direcção do Metro faz um gostoso bobó à hipocrisia, fazendo de conta que está no genuflexório a afastar o demo, Cerejeira ri-se lá dos confins do inferno nas trombas da democracia.

6.2.12

Suburban sexy 28


Chamem o Chagas.

3.2.12

A resposta está no Chagas


Chamem este gajo. Por duas dúzias de euros, um bacalhau e um bom Dão, ele inventa mais um botão e põe ordem nesta porcaria toda. "Excomunhão do Acordo Ortográfico", com a participação especial de Pomba Gira, música ambiente, massagem tailandesa e coffee break solúvel. Lugares marcados e certificados pelo Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento Rural. Reserve já e saiba como se livrar de consoantes infernais, acentos demoníacos e conjugações diabólicas! Se não resultar, pode sempre inscrever-se no "Clube dos Escreventes Anónimos" e partilhar as suas experiências na luta inspiradora contra a dependência morfológica e a possessão sintáctica. Pague em suaves prestações com TAEG a combinar.

"Cânones da Escrita"


Estância arqueológica para os lados da Av. de Berna.

Ainda a propósito desta questão, transcrevo um texto que a minha cunhada V. me enviou, assinado pelo arqueólogo Manuel de Castro Nunes. Não partilho o conservadorismo quase radical do autor, mas é mais uma opinião pertinente e especializada:

"Sim. Está na moda e parece bem violar as convenções e cânones de escrita. Dispensar a pontuação, subverter a lógica da sua aplicação, ordenar os vocábulos de forma caótica numa proposição, intercalar até umas tiradas em latim, desconhecendo em absoluto a gramática latina.

É, sem dúvida, uma atitude esteticamente legítima. Na presunção de que o esteta as conhece e está no seu domínio. E tem a percepção de que, em dadas circunstâncias, as convenções e os cânones da escrita inibem a sua expressão.

Mas o que é curioso é que, da negação das convenções e cânones da escrita decorra a instituição de novas convenções e novos cânones.

Mas o que é mais curioso ainda é mesmo a moda. Aproveitando a maré, aqueles que partem do desconhecimento crasso das convenções e cânones da escrita, podem dividir-se em dois grandes grupos. Aqueles que por ignorância escrevem como calha, uma cambulhada indestrinçável de vocábulos e cúmulo e aqueles que, desconhecendo em absoluto as convenções e cânones da escrita e as razões por que foram instituídas, pretendem instituir uma nova estética literária, caracterizada pela dispensa, sem nexo nem sentido, das convenções e cânones. Ora, convém recordar que a dispensa das convenções e normas da escrita por ignorância resulta em erro. E que, para um leitor atento, o erro não passa despercebido.

Dando um exemplo, eu posso suprimir muitos sinais de pontuação, encadeando as proposições umas nas outras, de forma a que nenhuma se conclua e transite ou flua para a seguinte. Mas se, salvo raras excepções, como a da intercalação de um aposto, eu intercalar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma proposição, estou a incorrer em erro. Pelo menos, devo estar apto a explicar por que razão o fiz.

Um cúmulo de vocábulos não é um poema. A não ser que eu consiga explicar e o leitor compreender por que razão os vocábulos se encontram em cúmulo e que sentido resulta desse cúmulo.

Foi também por ignorância que um universo quase incalculável de espontâneos vanguardistas aderiram ao acordo ortográfico. Por não compreenderem que as línguas de matriz portuguesa, como a brasileira, já se autonomizaram e revoltaram na afirmação da sua identidade contra a língua mãe, diferenciando-se dela em componentes muito mais significantes do que a ortografia, como são a sintaxe e a semântica.

É fácil entrar na presunção de uma nova e vanguardista elegância literária por ignorância.

Por isso, uma nova geração de arqueólogos e de poetas anda convencida de que é compreensível.

Pudera. Todos lhes batem palmas… Há até quem diga de um paper de um arqueólogo que parece uma écloga de Camões. E pode muito bem ir a Nobel."

Um ar da sua Graça


Já fui um cisne, mas fiz um "downgrade" funcional.

Goste-se ou não da personalidade em questão, a razão está do seu lado. E se há coisa que não vai influenciar minimamente nem "aproximar" a grafia (e muito menos a cultura) destas nações é o acordo ortográfico. Basta ler o mais diverso tipo de textos, escritos por "altas instâncias" administrativas e operacionais, vindos desses redutos do mais extravagante analfabetismo funcional. Juntem-se essas competências à inigualável qualidade da comunicação escrita em Portugal (ah, a cultura, o ensino, a curiosidade intelectual!) e temos uma mais que previsível esquizofrenia linguística. Primeiro há que dominar a técnica e o instrumento, para depois se atacar a sonata. Não é arrancando teclas ao piano que se aprende a tocar. O critério é essencialmente burocrático-estatístico (dizer "esilístico" seria demasiado rebuscado) e comercial. Por isso, o uso merece ser arbitrário, até não haver outro remédio. Linguística e culturalmente, esta conversão é tão relevante quanto um novo corte de cabelo no progresso individual e colectivo. E como tudo o que se fez, e continua a fazer, em Portugal, o capricho bacoco vai acabar por imperar sobre o que é certo, reflectido e fundamentado.

Não há nada de estranho em incorporar evoluções numa língua, um processo necessariamente diacrónico. Mas não se confunda essas ocorrências naturais com a bizarria que é esta óbvia despenalização da calinada, produto de um bando de tecnocratas com a mundividência de uma camilha e o apetrecho linguístico de uma colher de pau, fechados semanas a fio num gabinete interior a conjecturar, a deglutir cafés e a emborcar mini-pastelaria sortida.

Eu não simpatizo com o Vasco Graça Moura, mas ele tomou uma medida correcta e, por isso, bastante corajosa.

25.1.12

Hard copy 52


No tempo do massajador gengival.

How familiar


Lido numa crítica ao filme Hello I Must Be Going, de Todd Louiso:
 
There is (...) only the spectacle of people so into their own heads and lifestyles that they have scant understanding of or support for the needs even of a close loved one [in Sarah Koskoff’s original screenplay].

Ilustração de Vicky Rabinowicz

Frutalmerdas


Caro senhor proprietário do estabelecimento dos pastéis, dos sumos de fruta madura, das férteis famílias de bem, das senhoras de couraça de laca, dos empregados trombudos, do café queimado, das filas ao almoço, do estacionamento em 2ª fila aos sábados e das buzinadelas insistentes dos carros trancados: quando o senhor proprietário conta a massa fresca ao fim do dia, ou quando se senta proprietariamente no estabelecimento fechado, aos domingos, desfrutando do seu jornal e da sua possessão, ocorre-lhe que, ao efectuar obras nesse recanto dos prazeres, em dias de descanso bem cedo pela manhã, ou pela noite de dias de trabalho dentro, de forma a não perturbar os seus valiosos clientes e o fluxo do pastel, está a incomodar um pequeno universo de pessoas que vivem na proximidade? Concedo que, pela ausência de reacções negativas, a população em causa goste de sofrer, seja surda ou repouse em urnas. Todas elas plausíveis, tendo em conta a zona. No entanto, senhor pasteleiro, ainda há seres de sangue quente a sofrer as consequências da sua ânsia em engrossar o recheio, espetando intermináveis furos e marteladas no silêncio de um repouso merecido. Ponha-se a pau, ou qualquer dia a martelada vai bater-lhe à porta.

20.1.12

Esta é que é a verdadeira artista


Alguém quer realizar esta merda por mim?

Tenho lido várias críticas ao filme W.E. realizado por Madonna, a história de amor entre who the fuck cares, com muitas roupas vintage e cenários bonitos e por aí fora. São todas invariavelmente negativas, mas esta leva a palma, até porque, para além de bem escrita, é especialmente divertida.

Madonna’s skill with the camera seems to extend to her being able to turn it on, but not a great deal further: to liven up an argument between Wallis and Edward, she has her romantic leads inexplicably run around a tree trunk. Later, we see Wallis dancing the Charleston with an African tribeswoman to the strains of 'Pretty Vacant’ by The Sex Pistols in front of a Charlie Chaplin film, which must be a strong contender for the most garbled, half-baked image in cinema history.

(...)
 
W.E. is — still — a stultifyingly vapid film, festooned with moments of pure aesthetic idiocy. With characteristic humbleness, Madonna performs a song called 'Masterpiece’ over the end credits, although one can’t help but feel that her 2003 number one single 'Sorry’ might have been more appropriate.

As Aventuras da Super-Rolha: Locomoção em Tempo de Crise

Subjectivity is objective


Love and Death, de Woody Allen (1975)

Sonja: Boris, Let me show you how absurd your position is. Let's say there is no God, and each man is free to do exactly as he chooses. What prevents you from murdering somebody?
Boris: Murder's immoral.
Sonja: Immorality is subjective.
Boris: Yes, but subjectivity is objective.
Sonja: Not in a rational scheme of perception.
Boris: Perception is irrational. It implies immanence.
Sonja: But judgment of any system or a priori relation of phenomena exists in any rational or metaphysical or at least epistemological contradiction to an abstracted empirical concept such as 'being' or 'to be' or 'to occur' in the thing itself or of the thing itself.
Boris: Yeah, I've said that many times.

19.1.12

Keeping up spring



Variações em Tourette


E como toda a comunicação é inelutavelmente subjectiva, o que se pretende dizer pode ser tão ou mais rico quanto o que realmente se diz. Nesse sentido, arrepanhei o meu espírito analítico, e, após um momento de pura interiorização, durante o qual descasquei uma tangerina com os dedos, reinterpretei uma conversa tida há pouco com o perscrutamento e a densidade requeridas. Temo, no entanto, que a tradução resvale para o âmbito neurológico.

João Madeira diz:
Janeiro 19, 2012 às 12:49 pm
 
A ética tem hoje um valor tão subjectivo quanto a verdade. A verdade institucional é, a céu aberto, a mais retumbante mentira. No entanto, e depois de devidamente empacotada e vendida para consumo generalizado, a mentira transforma-se numa verdade substituta, argumento de uma opera buffa de muito má qualidade que alimenta a compulsão folhetinesca deste país. Nesta farsa interminável, a ética é o seu mais estimado polichinelo. Por aqui, só dá para rir.


Leia-se: 

Todos pró car****, filhos duma ganda pu**, era enfiar-lhes a tromba num formigueiro, metê-los nus num vagão cheio de tachas, atirá-lo pra um aterro e acender uma fogueira no meio, cagalh*** de mer**!

Mário Moura diz:
Janeiro 19, 2012 às 12:58 pm
 
A ética é sempre subjectiva, e isso não lhe retira qualquer tipo de valor. Uma ética objectiva será sempre mais do domínio da lei ou da religião, algo externo, mas as decisões, mesmo informadas por instituições, são sempre individuais.


Leia-se:

Eláaa! Quem és tu, ó palhaço do car**** que vens práqui meter a tua tromba convencida na minha chafarica, ó cão? Achas quésperto? Péra lá queuját'digo!


João Madeira diz:
Janeiro 19, 2012 às 3:10 pm
 
Isso pressupõe que, ao agir, podemos invocar os contornos imprecisos de um conjunto de valores de utilidade discutível. Tudo o que a consciência debita é subjectivo. Mas existe um compromisso entre a noção íntima do que fazemos e o impacto social desses actos. É um percurso há muito trilhado, de experiência feito. É esse compromisso que cria uma fronteira entre ética e amoralidade. O caminho entre ética e instituições deveria ter duas vias dinâmicas e evolutivas, que não tem. Mas decisões individuais, por mais independentes que pretendam ser, não podem estar perdidas numa nebulosa autocrática, nem criar um sistema substitutivo do bom senso e do bem comum, que são subjectivos mas civilizacionalmente muito úteis. É essa conveniente desagregação semântica que contesto, nomeadamente quando convertida em manipulação governativa.


Leia-se: 

Bou-te espetar mazé tão fundo c’a minha prosa caté te saltam as fossas nasais cuimpacto, ó car****!

Mário Moura diz:
Janeiro 19, 2012 às 3:25 pm
 
A utilidade dos valores é sempre discutível, sejam eles subjectivos (emoções, interesses, etc.) ou sociais (costumes, leis, religiões). Não é o facto de serem discutíveis que os torna piores, apenas que numa democracia é habitual ter de discuti-los com outras pessoas.
 
A autocracia só entra em jogo quando se tenta impôr os nossos próprios valores sem essa discussão.


Leia-se: 

Óoooo car****! Agora é que te faço a folha com duas linhas filhas da pu**, fod*-** todo, cabr**, eu fod*-** todo e chupo-te o sangue, porco! Baza mazédaqui!

Não sabias?


Será que assistiríamos a uma ligeira inflexão na decadência comunicacional, se espalhassem o boato de que tinha sido esta senhora a inventar o like?

E agora, um porco fofinho


Não sei se é da Bairrada, mas pensem no assunto.

A ética, essa furtiva realidade


Este interessante artigo, num blog não menos interessante, suscitou-me um comentário que, a ser reprimido, acabaria por se transformar num post bastante azedo e cheio de analogias desagradáveis. De modo que assim antecipo a questão e desgasto um bocadinho menos o(s) sistema(s) nervoso(s). Ou talvez não. Esta história das nomeações do Passos é mais do mesmo, e receio bem que sejamos derrotados pelo cansaço e pela indiferença antes mesmo de a bancarrota se encarregar disso. Mas, bom, desde que dê para um prazeiroso debate epistemológico. Aqui reproduzo a conversa* para os (des)interessados nestes assuntos envolventes. E embora a minha aparente inflexibilidade seja – suspeito eu – despachada com uma bofetada de luva branca, fico satisfeito por ver o autor rematar, de forma precisa, com uma ideia partilhada. Sendo que, a meu ver, a conclusão de tal premissa é tão optimista (e subjectiva) quanto o estado actual da democracia portuguesa.


João Madeira diz:
Janeiro 19, 2012 às 12:49 pm


A ética tem hoje um valor tão subjectivo quanto a verdade. A verdade institucional é, a céu aberto, a mais retumbante mentira. No entanto, e depois de devidamente empacotada e vendida para consumo generalizado, a mentira transforma-se numa verdade substituta, argumento de uma opera buffa de muito má qualidade que alimenta a compulsão folhetinesca deste país. Nesta farsa interminável, a ética é o seu mais estimado polichinelo. Por aqui, só dá para rir.

Mário Moura diz:
Janeiro 19, 2012 às 12:58 pm

 
A ética é sempre subjectiva, e isso não lhe retira qualquer tipo de valor. Uma ética objectiva será sempre mais do domínio da lei ou da religião, algo externo, mas as decisões, mesmo informadas por instituições, são sempre individuais.


João Madeira diz:
Janeiro 19, 2012 às 3:10 pm

  
Isso pressupõe que, ao agir, podemos invocar os contornos imprecisos de um conjunto de valores de utilidade discutível. Tudo o que a consciência debita é subjectivo. Mas existe um compromisso entre a noção íntima do que fazemos e o impacto social desses actos. É um percurso há muito trilhado, de experiência feito. É esse compromisso que cria uma fronteira entre ética e amoralidade. O caminho entre ética e instituições deveria ter duas vias dinâmicas e evolutivas, que não tem. Mas decisões individuais, por mais independentes que pretendam ser, não podem estar perdidas numa nebulosa autocrática, nem criar um sistema substitutivo do bom senso e do bem comum, que são subjectivos mas civilizacionalmente muito úteis. É essa conveniente desagregação semântica que contesto, nomeadamente quando convertida em manipulação governativa.

Mário Moura diz:
Janeiro 19, 2012 às 3:25 pm


A utilidade dos valores é sempre discutível, sejam eles subjectivos (emoções, interesses, etc.) ou sociais (costumes, leis, religiões). Não é o facto de serem discutíveis que os torna piores, apenas que numa democracia é habitual ter de discuti-los com outras pessoas.

A autocracia só entra em jogo quando se tenta impôr os nossos próprios valores sem essa discussão.


*Com os devidos retoques cosméticos.

Ilustração de Ilya Kolesnikov

Suburban sexy 27

Amigados


Parece que no Facebook também se pode "desamigar" (eu sei, cheguei tarde à festa, como o Vasco Pulido Valente). Um novo conceito que faz todo o sentido nos tempos que correm, alinhando-se, na mesma simpática categoria prefixal, com "desemerdar", "desinteressar", "desatinar", "desinformar" e "desindiciar" no modus operandi da nação. Por familiaridade fonética poderia também mencionar "designar" (para cargos oficiais os trastes do costume que fazem carreira a lamber orifícios e a meter ao bolso o rebotalho do erário público) e "desinteria" (moral generalizada). Pois com a mesma facilidade com "amiguei" fulana de tal, decidi agora "desamigá-la". Ora sucede que esta cidadã, que toda a vida conheci dos tempos da RUC, anda a fazer pela vida nas mesmas paragens que eu. Sempre que nos cruzamos, a moça dá início a uma pouco subtil operação oculta, e eu, que não mudei tanto assim, só posso depreender que ela tem um fetiche por ser "amigada" por pessoas de quem não gosta, ou é muito amiga de jogar às escondidas. Para confirmar a impressão, estacionou na mesa de café ao lado da minha no dia de Natal, na cidade que nos viu trocar olhares cúmplices (nem por isso). Ela devia estar sem as lentes e eu, confesso, tinha-me esquecido da disposição. A rapariga "amiga-se", a rapariga comenta posts dos meus amigos contratuais, a rapariga passeia pela urbe e deve ser boa pessoa, não duvido. Mas esta explosão de virtualidade social com que o Facebook nos presenteou, qual acelerador de partículas descontrolado que interfere no contínuo espaço-tempo e na realidade tal como ela é, faz-me um bocadinho de confusão. Felizmente, e sem consequências, podemos carregar no botão e inverter o processo.

12.1.12

As Aventuras da Super-Rolha: O Ateliê Vai ao Basquete

Caras palavras


Vocês são muitas e tão boas, mas nem que vivesse 200 anos de intensa actividade coca-bichinhos vos conheceria todas. Em minha defesa tenho a dizer que algumas de vós simplesmente não têm o estofo necessário, por isso vos desdenho. 

Indivíduo de tal foi alvo de um ataque selvagíneo por parte dos seus pares.

Consigo antecipar um "quem?", e não é relativo ao tal indivíduo. 

Uma certa banda de rock teve uma actuacção silvática.

E nunca mais ninguém a (ou)viu. Tenho dito.

Cemitério de pianos






Com a Pudding Camera do Android, Matinha, Lisboa, Dezembro 2011

Suburban sexy 26

Uma notícia das entranhas

 Também será válido para os traques?...

Mais um artigo naquele tom levezinho e incongruente de quem precisa de encher chouriços com muita pressa. Então sublinha o "mau humor" ao volante mas é encimado por uma parangona destas? "Solte a sua raiva" é, desde logo, uma das mais imbecis asserções de auto-ajuda alguma vez proferidas. De que contextos falamos? Dos corredores da Segurança Social, do lar do Paco Bandeira, do gabinete do patrão?... E no trânsito, não? Então porquê? Se um gajo soltasse "a sua raiva" à discrição já não havia ninguém para contar a história, ó palhaço! E não há ciência nenhuma na road rage, que se explica simplesmente pelo facto de as pessoas serem umas bestas de cérebro coalhado, com o sentido cívico de uma chapa de zinco e o auto-controlo de um javali em pânico, que, mesmo assim, seria seguramente mais discernente dentro de um automóvel do que 98% dos portugueses. Se este gajo viesse fazer um estágio comigo eu mostrava-lhe a beleza (e produtividade) de soltar a fúria em contexto gregarista, e, entre enxovalhar a colega analfabeta e pegar fogo a um mail para a chefia (e à minha carreira em geral), ainda arranjava tempo para o espancar com a edição em capa dura, a ver se lhe sacava uma ideias que se aproveitassem.

11.1.12

Citação de asas cortadas


Thoreau, Thoreau, tinhas tanta razão, mas não fazias puto ideia do que era um avião.

Outra coisa má

Ontem à noite estava a dar na TV Innocent Blood, um filme realizado por John Landis em 1991, que capitalizava, por um lado, no sucesso internacional de Anne Parillaud, graças a Nikita, de Luc Besson, e, por outro, tentava reeditar o sucesso de An American Werewolf in London, com a mesma mistura de gore e humor. Por razões que escapam ao entendimento, pelo menos à luz dos nossos dias, Parillaud tornou-se uma pequena sensação na altura, talvez porque aceitasse despir-se ao menor pretexto. De resto, como explicar o nu frontal logo no início do filme, em que vemos o jardim de Inverno da protagonista em toda a sua glória? Decerto um petit rien para consumo entusiástico do mercado europeu e no remanso do leitor de VHS. Mas por muita frescura que se exiba, o perfil da mignone enjoativa, com o fiozinho de voz, a presença inefável e uma inabilidade aflitiva para enfrentar a fonética inglesa, esgotou-se rapidamente no celulóide, longe das mãos do seu criador. Innocent Blood é tão inenarravelmente mau, dos diálogos aos efeitos especiais, que por vezes se torna bom. Nomeadamente graças ao desempenho de Robert Loggia no papel de um mafioso sádico, que dá a cada cena o excesso burlesco de que a coisa desesperadamente precisa, parecendo o único actor com noção do filme em que está e a ter algum gozo nisso. Se fizessem uma reedição em Blu-ray só com as sequências em que ele aparece, talvez valesse a pena perder algum tempo a assistir ao precipitado declínio de John Landis.


Agora podes.


Agora não podes.


 Agora estou com um certo calor.



Ah, directo à jugular da minha carreira!

WTF?!...

Hard copy 51

Desclassificados

Indivíduo coloca à venda um artigo. Outro indivíduo faz proposta. Primeiro indivíduo responde com a categoria que define um comerciante sagaz . Se a cloaca produzisse poesia, sairia assim.

Sala de estar


Temos de combinar um jantar…
Pois temos…
O email que eu tenho está certo?...
Não sei, é aquele do… ou o do outro? O mais antigo já não existe.
Sim… Prefiro de manhã…
Cedo?...
Sim, mais cedo… Domingo…
Pequeno-almoço?...
Não, brunch, prefiro brunch, é um compromisso…
Compromisso?...
Sim, assim aproveito melhor o dia…
Podíamos tomar um café…
Boa, um café, sim, combinamos um café… O teu número é o mesmo?
Sim…
Tenho aquele do teu trabalho…
Já não estou lá…
Ah não?...
Há 3 anos…
Então deve ser o outro que tenho no telefone antigo.
Pois…
Tenho de o recuperar…
Hmm…
Olha, e tens escrito?
Escrito?...
Sim, aquelas coisas que tu escrevias, na… no…
Sim…
Boa. E que leituras aconselhas?...
Eu?…
Ando a ler uma coisa bestial daquela… como é que ela se chama?... Já leste?
Não…
Pois é… Realmente, temos mesmo de marcar um almoço… Apareçam mais vezes…
Sim…
Lembram-se daquela vez que vocês fizeram um vídeo, estávamos todos no aniversário da tia… foi uma paródia… tão giro… Têm feito vídeos? Têm de fazer outro vídeo, todos juntos…
Hmm… Já lá vai tanto tempo… A vida…
Então, a tia fazia… Foi em… Treze, catorze anos? Meu Deus…
Bem, está um frio… Assim de repente a temperatura baixou imenso…
Está, está, agasalhem-se… Então vá, beijinhos!
Beijinhos, obrigado…

2.1.12

Quem tem medo de 2012?


Recebi este postal de Boas Festas do ilustrador Pedro Burgos. Bestial e certeiro.

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