23.10.09

Embrulhada








"Trabalhar com estes gajos é como trabalhar com alguém que, ao ver um canguru pela primeira vez, pensa que é o demónio."

22.10.09

Leitura recomendada

Nesta selva não há leis


É sabido que o Carga de Trabalhos se transformou na lata do lixo da Comunicação em Portugal. Genericamente falando, as ofertas de trabalho, chamemos-lhe assim, variam entre catrefadas de estágios não remunerados, numa investida sem precedentes de sôfrega exploração laboral, exigindo uma overdose de habilitações para um sem número de funções, visando um mais que certo degredo profissional; recrutamento de figuras de ficção que dão todo um novo e psicadélico sentido a multitasking – "procura-se designer e médico" é apenas o início; e postos de designação imprecisa, normalmente em inglês, com funções pitorescas e objectivos indecifráveis. Mas a coisa atinge um outro nível de incredulidade e baixeza com o anúncio ali plantado pela draftfcb Portugal, que anuncia estar a recrutar criativos no Brasil, num processo "orientado" por Edson Athayde. Um anúncio dirigido, imagino, às legiões de brasileiros que recorrem a essa bíblia dos bons empregos à procura de uma oportunidade neste abençoado país, e que exclui, acintosamente, qualquer brasileiro imigrado e, claro está, numerosos bons profissionais portugueses, desempregados ou em situação precária. Uma repuxada escarreta na cara de um mercado que está como está, num país que é o que é e numa área da Comunicação (a publicidade) onde se entra pelo alçapão das traseiras vigiado por figuras dúbias. Estes espécimes contraem gonorreia mental na troca das suas ideias iluminadas e depois dá nisto. Quando pensávamos que depois do presente da brasileira Duda ao Pingo Doce e ao país – esse piquenicão de campanha que fez estremecer as fundações do ridículo – teria início uma revolta positiva, eis que isso é apenas um indício do iminente apocalipse. Uma coisa que o Tio Olavo não disse a Edson, enquanto o sodomizava, é que não é bonito fazer o mesmo a quem o acolhe e lhe dá oportunidades. A fama que por cá granjeou dizimou, pelos vistos, a réstia de consciência que por ali andava.

Ilustração de Tiago Albuquerque

21.10.09

Finalmente



Isto está a ficar fresco.

20.10.09

Isto & Aquilo



What gets you through a hard day's work?

The Cinematic Orchestra,
Ma Fleur (2007)

Vestidas para matar



Antes, irmãs, hoje, adversárias. Freiras que sentiram o chamamento da arena. Notáveis e aguerridas demonstrações públicas de fé. Não há reza que lhes valha. A devoção paga-se em sangue. A não perder.

Em nome do senhor



"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual. (...) As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder."

José Saramago

O homem imperfeito


E aí está que os santanários ficam tão em brasa com as declarações de José Saramago como a turba se agrava com as pataratices de uma vedeta de TV brasileira. Tudo cabe no mesmo saco, com a mesma fome de carnificina. Nem vale a pena enunciar um par de diferenças fundamentais, mas neste caso seria desejável uma reacção inteligente, familiarizada com o pensamento e a postura pública do escritor. Claro está que não é a que que vemos ser explorada com grande alarido pelos meios de comunicação. Saramago gosta de torpedear a religião organizada e os seus representantes. É praticamente uma monomania. Mas tal é fruto do espírito inquieto e inconformado de um homem quase nonagenário que, à força de tão intensamente reflectir, questionar e interpretar a condição humana, acumula desilusão e amargura. E então, o que há de estranho na sua descrença? A cosmovisão de José Saramago não é uma excentricidade, é uma conquista. Triste, pessimista? É a dele. Qual é o seu crime, enquanto intelectual e escritor? Dizer o que pensa e, não raras vezes, a verdade? É impositivo, inconveniente, desagradável? É, e então? O PNR é uma manifestação escabrosa na sociedade portuguesa, com cartazes e tempo de antena. Reacções viscerais a esta vergonha, há? Quem não der valor a Saramago que o ignore, não se ponham é os arautos dos bons costumes e da salubridade moral a brandir tochas, entumescidos de raiva condenatória. Por pouco mais anda Salman Rushdie na clandestinidade há sei lá quanto tempo. O devir histórico matou as fogueiras mas não as apagou da consciência. Talvez Saramago, com o seu anticlericalismo absolutista (não está decerto contra qualquer tipo de espiritualidade ou mesmo religião per se; o senhor é ateu, ponto), se queira certificar de que as fogueiras permanecem apagadas. Milhares de anos de experimentação não corrigiram a intolerância. Saramago não é um portentoso exemplo de diálogo, mas a sua intransigência não condena ninguém e muito menos fecha a porta à interrogação.

16.10.09

A propósito da Professora Estina



Quem és tu quando e onde me olhas? Quem sou eu quando te dou tempo para parares em mim o teu olhar? Como iremos usar os minutos preciosos que o nosso encontro durou? Será que essa mão estendida me quer realmente acolher? Porque não me deixas agora partir? O corpo, no qual ainda hoje nos recolhemos, é a dobradiça da porta que se abre e fecha, o ponto onde cruzamos o dentro e o fora, aquilo que vemos e sentimos. É esse, e apenas esse, o território do encontro.

Os intérpretes descobrem-se a si mesmos e o público reinventa o ângulo de visão. “Como és” e não “quem és”. A enorme distância entre o “como” e o “quem” é a viagem da obra em busca do objecto o mais subjectivo de todos, o do desejo. “Vaivém” entre a razão e a emoção, a surpresa e o trompe-l’oeil. Percurso sinuoso, construção virtual habitada pelos nossos próprios fantasmas, funcionando como uma verdade, algo que desloca o “que vemos” para o “que queremos ver”. E que território de mal-entendido mais universal existirá que o do amor? Cada um verá o que entender, ou melhor ainda, entenderá à sua maneira aquilo que quer ver.

(Textos assinados pelo coreógrafo Rui Horta, incluídos no programa de Scope)

15.10.09

Vidas lentas



Flagra: astro cometendo estupro!

Eu queria conseguir gostar de uma novela brasileira, já que em relação às portuguesas não há esperança. E como só tenho quatro canais e uma enorme necessidade de desligar o cérebro, como tanta gente, queria ter aquela horinha de indulgência doméstica. Fui atrás da publicidade da SIC e decidi sintonizar o folhetim “Viver a Vida”, que é escrito por aquele guionista que fez aqueloutra novela que era muito boa e mais não sei quê. Simplesmente, “Viver a Vida” tem inúmeros inconvenientes, um dos quais é parecer que se desenrola em tempo real. Uma prova de vestido em tempo real, um casamento em tempo real, leitura de mensagens SMS em tempo real, conversas de chacha em tempo real. Houve ali uma elipse para os protagonistas se casarem, mas, caraças, agora até fazem o amor em tempo real. Depois há esse mesmo problema. O dos protagonistas. Ora bem, há duzentos anos atrás, quando eu era puto, o José Mayer tinha quase a mesma cara, já era galã e não parecia propriamente novo. Hoje o senhor continua com bom ar, para um homem centenário, mas faz par romântico com uma actriz que tem idade para ser sua bisneta. As cenas românticas (que são tantas, muitas, tantas, em tempo real) constituem, consequentemente, um tratado de gerontofilia. Também não tem piada nenhuma a recriação de ambientes europeus “sofisticados” na estética cabaré-chique, com flutes reluzentes por todo o lado e covers foleiras do songbook clássico americano. Gosto de levar com aquele imaginário novelesco de bilhete postal em festa, tudo bem, vamos fingir que o Brasil é assim, mas não chega e acaba por cansar. Talvez o argumentista esteja no modo contemplativo, mas a coisa está a ficar pesada e, novela por novela, acho que prefiro as notícias na RTP2.

Próteses do ofício

Hoje fui confrontado com uma série de protocolos estabelecidos entre uma empresa e diversos prestadores de serviços, visando beneficiar, pois claro, os colaboradores. Havia um, em particular, com o seguinte headline: UMA PARCERIA COM VISÃO. A entidade em causa era uma rede de produtos oftálmicos. Apesar da vergonha vicária, pensei que, neste contexto das grandes empresas, seria bem menos cansativo debitar pensamentos lineares, em auto-gestão, sem ninguém ter que aprovar ou desaprovar coisa nenhuma. E até podia fazer umas coisas mais exigentes. Por exemplo: 1. Empresa de próteses e material ortopédico: UMA PARCERIA COM PERNAS PARA ANDAR; 2. Farmácia: ESTÁS DOENTE? TENS BOM REMÉDIO; 3. Funerária: PARA QUEM ESTÁ MORTINHO POR CHEGAR A CASA; 4. Vales de refeição: COME E NÃO CHORA; 5. Centros de formação: PARA O SABER NÃO OCUPAR O TEU LUGAR; 5. Material informático: COMPUTAS… OU NÃO
COMPUTAS?...; 6. Creches: UMA PARCERIA SEMPRE A CRESCER; 7. Seguro de saúde: PORQUE SABES O QUE TE ESPERA; 8. Entidades de crédito: APROVEITA O FANTÁSTICO PACK COM SEGURO DE SAÚDE INCLUÍDO; 9. Assistência médica ao domicílio: O DOUTOR TOCA SEMPRE DUAS VEZES; 10. Marcas automóveis: UMA PARCERIA SOBRE RODAS. Por aí.

13.10.09

Que delícia (p’rá fogueira)!




Maitê Proença, esse notável agente cultural brasileiro, fez umas tristíssimas figuras neste vídeo caseiro e ainda foi exibi-lo num programa de TV brasileiro, cacarejando alegremente com umas sopeiras conterrâneas. Pegou fogo ao circo e agora só de burka é que volta cá. Até por isso a sua estupidez fere a vista, mas a mim o que me deixa alterado não é a bimbalhice duma tipa que em tantos anos de carreira, nossa, continua a exibir os dotes interpretativos de um bacuripari bem verdinho. A mim o que me mói é que para nos gozar, e por mais que se adentrem na vida e nos costumes portugueses, os brasileiros continuem a usar expressões como “pois sim” e "pois claro" para significar anuência; assim onde, desde que a nossa língua é língua, usaríamos, “claro”, "naturalmente", “com certeza”, “já vai, porca” ou, tão simplesmente, “sim”. “Pois sim” e "pois claro", ó irmãos amantes do primarismo, é uma forma irónica e relativamente culta de manifestar incredulidade. NÃO SE USA como vocês querem. Tá? Se quereis gozar, aprendei como se faz. Fora isso, acho que a Maitê está bem melhor aqui do que em A Selva, do portuguesíssimo Leonel Vieira, onde até as narinas do Diogo Morgado a eclipsavam.
Continua a brindar-nos com o teu peculiar sentido de humor, pá, e vê se agora compram os teus folhetins eróticos na Guiné-Bissau. Do Palácio da Pena (onde vivia o Salazar) para baixo é que ardeu.

Ilustração de Luke Chueh

12.10.09

Cookies

Não costumo ser dado a estas coisas, mas estou relleno de orgulho. Dois ateliers com os quais trabalho receberam prémios e menções nacionais e internacionais. Um amigo, com quem colaboro episodicamente, está a produzir uma exposição fotográfica de grande interesse e apresta-se a trazer cá ao burgo outra não menos interessante. Este é o lado irracional da vaidade, como o estímulo imediato ao ouvir alguém tratar-nos por “dr.” depois de sairmos da faculdade. Uma coisa tão fortemente idiota quanto inegavelmente cultural. Logo nos apercebemos do ridículo e chamamos a pessoa à razão, mas há ali um não sei quê de validação a que sempre aspirámos. Não existiu qualquer intervenção minha nestes trabalhos, e não é o valor (mais ou menos) subjectivo das distinções que me deslumbra. Acho que, pela primeira vez, é a realização dos outros que me faz sentir mais completo. É o orgulho de os conhecer, de confiarem em mim e, mais importante do que isso, de com eles privar. Assistir ao reconhecimento de pessoas cujo trabalho marca a diferença, na postura e na execução, é um excelente tónico para uma realidade enfermiça. Por isso, malta, vos tiro o chapéu.

Keep the fuck away from me



Tenho vergonha de quem mas fez. Falta-me andamento para a leviandade contemporânea, mas a única vantagem de fazer repetidas figuras de parvo é acabar por não sofrer mais do que meros arranhões cognitivos. Porque afecto, afecto, eu sei o que é. Deixa marcas, sim, mas não deixa cicatrizes.

Quentes e boas



Quando for mesmo grande quero ter o meu próprio negócio e vendê-lo como bem me apetecer. Quero ser como a professora Estina, mas com menos redundância vocabular e com um 's' em "devanecerão". Se a teorização se faz ao quilo, é justo que se criem novos canais de produção. Estou lá.

A vida segundo Vadim















O trabalho de ilustração do ucraniano Vadim Gannenko (também reputado designer) é absolutamente original. Gannenko tem uma forma única de reinterpretar a realidade com ironia e inquietação, onde nada é o que parece, nem temática nem figurativamente.
O pormenor, a cor e a coerência dos seus trabalhos, que podem ser lidos como uma tela in continuum, fazem dele um dos melhores profissionais da actualidade. Partilho para dar um incentivo aos meus irmãos (continuem a fazer bom trabalho... e mostrem-no). E porque dão uma sequência bestial.

9.10.09

Procura-se realidade alternativa





Uma contracção muscular, ou ruptura, ou traumatismo, ou lá o que é. O edificante Centro de Saúde e as suas tiazorras apressadas disfarçadas de agentes da saúde, funcionárias menas e funcionários nelos a fazer jus à fama tratando mal toda a gente, as urgências do Santa Maria em versão dupla com notável rapidez e igual ineficácia, uma osteopata de bota branca de cano alto. Um massacre de esoterismo para fugir ao massacre do SNS. E podemos agradecer por termos um. Devemos.
Pela primeira vez em dez anos apetece-me beber, e não é só por causa das dores.

Um susto de filme



Sam Raimi deve ter realizado Drag Me to Hell para matar saudades dos tempos de quase penúria e de provocação delirante que viram nascer a série The Evil Dead. Mas a verdade é que esses tempos, claramente, já lá vão. O seu último acto de transgressão parece ter sido pôr Tobey Maguire a dançar numa das sequências mais confrangedoras da saga Spider-Man. Se os seus melhores filmes (a meu ver, Darkman, A Simple Plan e The Gift) antecedem a rendição à indústria, não esperava que no intervalo entre um êxito estival e outro fizesse uma espécie de downgrade demoníaco de Beetlejuice, vendido como filme de “terror”. O único horror, aqui, consiste em ver a fita do princípio ao fim. Com um orçamento mais lustroso, mas sem norte nem convicção, Raimi tenta ordenhar um série Z amigo de todos os públicos e do product placement (descarado), desbaratando totalmente o gore e o factor susto em função de duas ou três sequências de humor desopilante, é certo, mas que parecem pertencer a um programa de sketches. Da péssima direcção de actores (o amadorismo dos secundários e o protagonismo desamparado de Alison Lohman e Justin Long) ao argumento desleixado, passando pelo falso ar irreverente, não há nada que se salve neste filme. O facto de a crítica em geral ser positiva só me torna mais convicto de que os escribas especializados não são mesmo de confiar.

2.10.09

Descobri o que sou



... Especialista em minudências.

Cats rule



"Time spent with cats is never wasted."

Sigmund Freud

29.9.09

Hard copy 13



Nesta curta tentativa de fazer o militarismo sair do armário oferecemos este exemplo contundente de propaganda soviética. O copy fica a cargo da imaginação de cada um, ou de alguém versado na respectiva língua.

28.9.09

Suburban sexy 17




Mau gosto furioso 2.

24.9.09

This song is for you



I've no time for religion
maybe doubt's a modern disease
then I look at you and here's what I do:
I wear holes in both my knees

I pray that God protects you
and if he is busy elsewhere
may his legions speed
in your hour of need
and surround you till he's there

I pray that God protects you

God watch over you every minute,
every moment
God Watch over you -and if you fall-

May he stretch out his arms
and catch you, keep you from harm
Or sweep you into his arms but
God watch over you,
God watch over you

I've told your guardian angel
not to let you out of his sight
or attempt to fly if he sees you cry
He's to stand his ground and fight

God watch over you every minute,
every moment
God Watch over you -and if you fall-
May he stretch out his arms
and catch you, keep you from harm
Or sweep you into his arms but
God watch over you,
God watch over you

"God Watch Over You", de Paddy McAloon

21.9.09

E fizeram o ninho



A minha irmã tinha passarinhos no cabelo. E porquinhos, e castores, gatos e cobrinhas verdes. Estava feliz e comoveu-se. Eu não, porque não faço disso. Foi um dia bem passado, com energia e criatividade, fornecida, entre outros, pela família Wood e super-agregados, num exemplo de colaboração que há muito não se via e que, suspeito, poderá não se repetir. Mas a união ali era outra, e essa foi celebrada sem mácula. Não postei na altura, mas não quero deixar de marcar a data. Pronto, gostei.

17.9.09

11.9.09

Muy linda



Parabéns, Chiquitita. Se não te ligar é porque estive privado de recato e de saldo. Já foste arejar a cabecinha? Beijos latino-americanos nessa testa grande e até uma próxima e reveladora conversa. Saudades deste Totó que te quer (sem pecado).

A vibrar com a Experimenta



"Sei que ela é provocatória, mas quis expressar o exacto momento em que fui convidada e a excitação inerente a isto."

A cautelosa Guta Moura Guedes não terá previsto que algum dos criadores que gentilmente acederam a promover-se no espaço Coca-Cola incorporasse elementos desestabilizadores nas suas peças. Afinal, era um espaço da Coca-Cola. A marca que se transformou na epítome do capitalismo graças à indução globalizada de um impulso inexplicável: ingerir água gaseificada com açúcar. Que esteja a encher os bolsos da Experimenta Design com um patrocínio desta natureza fará sentido se olharmos para as peças como meros artifícios de marketing, desprovidas de substância e de intencionalidade. Algo que, desde logo, não se esperaria de um evento que se firma no pressuposto “está na hora de fazer alguma coisa, de tomar uma atitude”. ‘Bora lá colaborar com a Coca-Cola. Resultados mais evidentes, até ver, são o choque e o drama. Imagens do Holocausto? Alusões ao 11 de Setembro? Não. Um vibrador. Uma criadora insubmissa decide enfiar um manguito contundente na sua estatueta dourada, eruptindo de umas calcinhas spandex que desafiantemente a revestem. O marketing da Coca-Cola entrou em colapso hiperglicémico e obrigou a organização a retirar a peça. Se tal não fosse feito, fechava a tasca ou contratava uns mercenários galegos para partir aquela porcaria toda. Claro que a bela encantadora de serpentes já veio a público dizer que a artista “não respeitou o briefing” (Cláusula 5: está estritamente proibida a utilização de dildos, vibradores e outros massajadores faciais) e a rapariga, mais a publicidade à borla, levou a peça para onde pudessem admirar a sua singular iconoclastia e, quem sabe, levá-la para casa por uma soma simbólica.
Quem é mais esperto, Guta? Eu voto na Catarina Pestana, que pelo menos tem sentido de humor. De resto, ganham a irrelevância e o provincianismo, como é tão cansativamente recorrente neste belo Portugal.

9.9.09

Misplaced affection



I once lost a brother
Who was ever so frail

Standing flimsy on his feet
He decidedly pursued his trail

Set upon a journey
To unleash misused potential

All smiles along the way
Learning all things essential

Charming and unsteady
Like a tentative piece of jazz

But enough to gain him his place
With earnestness and pizzazz

He eventually fell in love
With someone so eager and assured

That all his needs were replenished
Till needs there were no more

His hesitant spirit
Did pause briefly to reflect

Upon the life he was choosing
And everything he would neglect

His frailty let him know
That he shouldn’t care

About things unsolved and undone
Things that stubbornly remained there

(As he was on his way
For something bold and merry)

Though never admitting
How it could be so scary

To feel alone in his love
And to move away from the shore

So this is how I lost a brother
Who was ever so unsure

Who drifted away unsoundly
Following erratic commands

To an unknown destination
Of overpowering demands

On which he lost himself

Frail
Like always.

8.9.09

Uma prenda para Jerónimo

"A luta continua e vale a pena lutar."



Neste matagal é sempre a direito, Jer.

Uma prenda para Pepê

"Vou dizer duas polémicas. Em período de desemprego, é prudente ter uma política de imigração mais restritiva. As pessoas sabem que é verdade, mas dizê-lo é cair o Carmo e a Trindade. E entendo que Portugal só deve aceitar quem puder integrar.»

Com políticas tão demagógicas e exclusivistas, Pepê, talvez nem precise do vernáculo recorrente, mas é um toque giríssimo de marketing pessoal, não é?

Uma prenda para Zezé

"Não quero que o meu partido seja prejudicado pela decisão de uma empresa, que a tem de explicar muito bem. Tem de se verificar se estas justificações estão de acordo com a lei."

Pão e circo 2 em 1: à cautela pomos ao fresco uns bugs perniciosos e distraímos a populaça com a falsa polémica (e uma vitimização maneira).

Uma prenda para Chico



"A excitação, o nervosismo, a agressividade pessoal e política do PS no fim-de-semana anterior desaba agora como um castelo de cartas. Já se sabe toda a verdade."

Descansa, que não se esqueceram da estrelinha na porta.

Uma prenda para Manela

"A Madeira é o exemplo de um bastião inamovível e de um bom governo do PSD."



Qual vai ser a profundidade máxima?

4.9.09

Mais uma peixeirada corporativa



Tudo bem, a gente sabe que a malta com filhos tem de alimentar a prole. Mas a fúria predatória de algumas mulheres com filhos menores em cargos de chefia é caso para estudo. Alimentam-se com especial sôfrego de outras mulheres com filhos menores, abocanhando a presa e passeando a carcaça pelos corredores, para marcar uma posição. Mesmo se esses cargos são ocupados em multinacionais povoadas por cretinos, incompetentes, parasitas e escroques, ou indivíduos que reúnem todos esses pré-requisitos, normalmente à frente de um departamento de Comunicação ou de Recursos Humanos… Não explica. Não serve. Por mais sapos engolidos, solas lambidas e indignidades sofridas, não explica. Estão lá por que querem, não me lixem que não é por desespero. E são situações recorrentes às quais já assisti. O irracional à solta em todo o seu esplendor. Ontem soube de uma ex-colega (a última pessoa a merecer semelhante filha da putice) que está a ser alvo de um desses ataques viciosos, num dos momentos mais delicados da sua vida, cuidadosamente escolhido pelos facínoras que decidem. E as senhoras da portaria executam sem piscar os olhos, alisando a saia e ouvindo o tilintar do reconhecimento superior. Estas senhoras são aquilo a que se chama, correntemente, umas grandes vacas, e deviam pôr-lhes as crias ao cuidado de uma hiena, que ficavam mais bem servidas.
Quanto à taberna em questão, onde já trabalhei e pude privar com uma chefe bipolar, um chefe degenerado e o maior naipe de energúmenos em cargos de chefia que há no mundo mundial (expressão bipolar), continua a vomitar lojas e a promover-se como uma marca jovem, dinâmica, cheia de cultura e muito tua amiga. Pena que seja um buraco sem alma onde as pessoas são tratadas como as caixas de cartão que os pobres umpa lumpas amontoam no armazém. De resto, a ver pela quantidade de estágios não-remunerados que anda a propor, imagino a quantidade de processos que se vão arrastar durante anos à procura de uma magra compensação pela exploração e trafulhice inflingidas.

Suburban sexy 15

A girl called Melody



Melody Gardot é uma flor rara. Uma flor que nasceu e cresceu luminosa no meio do infortúnio. Se pesquisarem a história dela verão que se trata de uma daquelas pessoas que definem “humanidade”, em tudo o que tem de admirável e redentor. Antes de começar a ouvir My One and Only Thrill desconhecia os seus antecedentes. Arranjei o álbum porque era produzido por Larry Klein, que trabalhou nalguns dos meus discos favoritos de Joni Mitchell, e por causa de uma daquelas solícitas sugestões online (“Se gosta de Madeleine Peyroux vai gostar disto”). O encanto de Gardot não é igual ao de qualquer outra vocalista de jazz que tenha ouvido. Não é artificioso, nem portentoso, nem tem a indolência calculada de uma Diana Krall que várias vezes, e erradamente, se lhe associa. O seu embalo é só dela connosco, sem plateia. Suave mas firme, verdadeiro e generoso, sem cálculos. E agora percebo, sofrido. Mesmo quando canta sorrisos, o tom de Melody é quase imperceptivelmente triste. O que só torna a sua música mais rica e distintiva.

A de aviso



De certa forma devíamos dar-nos por felizes por termos uma Gripe A. Não querendo parecer insensível, porque houve e haverá vítimas, se atentarmos no que a História nos tem reservado em termos de pragas e pandemias, este vírus é uma coisa incrivelmente prosaica. Não valem comparações com as condições sanitárias e preocupações higiénicas de outros tempos. Não valem se olharmos para a implosão do equilíbrio
bio-ecológico, com a manipulação genética mais néscia, o desbarato ininterrupto da paisagem natural para fornecimento de recursos civilizacionais (e foi a isto que chamámos civilização), a insalubridade perene e crescente do 3º mundo, com fome e doença, a produção massiva e descontrolada de alimentos artificiais… Não deixa de espantar que não grasse já uma estirpe ainda mais destrutiva de um Ebola, propulsionado a antibióticos da Pfizer, capaz de carcomer a espécie humana em 12 minutos. Se bem que não faço fé na eficácia com dirigentes da indústria farmacêutica e das construtoras automóveis, talibãs, o xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Kim Jong II, gestores e sociopatas em geral.
Já a Gripe A é uma espécie de diabrura divina para nos lembrar que o aparelho imunitário humano é uma frágil papoila num ecossistema em colapso.

"The Earth is the prey", ilustração de Jose Luis Martinez

3.9.09

When did I get this old?



Dizem-me que estou "muito bem para a idade". Ok, mas a idade não está muito bem para mim. Quando é que perdi tanto tempo? Acho que a expressão "envelhecer com graciosidade" começa a ecoar com alguma insistência. Ou talvez seja muito cedo, não sei. É uma inquietação. Não me sinto com 37. Será que isso conta para alguma coisa, visto que nunca tinha tido 37 antes? Enfim, haja saúde. E polifenóis.

2.9.09

Dança ao Outono (Balanço Eleitoral Mix)



Cartoon de Jules Feiffer

Dança ao Outono (Raisparta o Calor Mix)



Cartoon de Jules Feiffer

Ao amor incondicional



Cartoon de Jules Feiffer

Hard copy 12



Ai amigas, esquecemo-nos da bandeira!

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