28.11.08

Um forte motivo para espreitar este filme



- Ouve bem miúdo, é assim que se faz.

Ontem fui ver o Body of Lies e gostei mais do que estava à espera. Ridley Scott é de um profissionalismo portentoso e o que lhe falta em génio tem em elegância, concisão e pragmatismo. O senhor não dá um passo em falso (bom, sim, por vezes) e faz empalidecer qualquer jovem aspirante a maestro de acção. Ponham os olhos no homem, Ratner, McG e restante escória. Ou melhor, não ponham e dediquem-se aos videojogos. O argumento de William Monahan é sólido, com umas tiradas memoráveis que Russel Crowe degusta devidamente, mas pareceu-me uma versão simplificada de Syriana, com mais espectáculo e menos consternação. Leonardo DiCaprio investe-se no papel, como sempre, de resto, mas está a léguas do carisma dos seus colegas de elenco, sendo especialmente cilindrado por Mark Strong, o segredo mais bem guardado do cinema, teatro e TV britânicos. Não por muito tempo: nem segredo nem britânico. Se virem o filme percebem porquê.

27.11.08

Nem a brincar



Van Gogh já sofreu todo o tipo de indignidades. Em vida e depois de morto. E não há limites. Quem faz dinheiro com isto pode, de resto, explorar um filão inesgotável. Proponho, para o próximo Natal, uma bonequinha Sylvia Plath em rigor mortis (não articulada, portanto), ainda com o forno na cabeça, e, mesmo a tempo das celebrações pascais, um pequeno Mishima de espada atravessada (esta sim, articulada). Viva a sociedade de consumo e a sua mitomania em PVC.

A hora de Daldry


Stephen Daldry está de regresso. Baseado num romance de Bernhard Schlink, adaptado por David Hare, The Reader respira classe por todo o lado, a começar pelo cartaz. Menos não seria de esperar do realizador de The Hours, um livro que muitos consideravam intransponível para cinema. Kate Wislet cimenta a sua posição de class act de uma geração, acompanhada pelo subvalorizado Ralph Fiennes. Tempos houve em que Fiennes era considerado para todo e qualquer papel, mas as suas escolhas profissionais erráticas e uma atribulada vida pessoal acabaram por, de certa forma, encostá-lo à box. Assista-se ao renascimento do senhor galês, cujo nome se pronuncia pomposamente [rayf faines] em filmes como The Duchess e, em particular, In Bruges. E digam lá se há psicótico com mais estilo.

Tiro na roda


















Yes. The planet's blood, motherfucker!

24.11.08

Filosofia do dia



Ricardo:

"Sabiam que o mundo vai acabar em 2012?"

João Pedro:

"É provável."

Mudança



Algo radical, de hábitos alimentares.

Procura-se sanidade mental

médico / criativo

Part-Time


Empresa de Marketing Farmacêutico em franca expansão, procura clinico geral (residente no concelho de Oeiras) com “veia de de Publicitário(a)”.


Integração em equipa jovem e dinâmica (ficando integrado em equipa com designers e accounts)
Requere-se (gosto) Capacidade para a elaboração (em equipa) de racionais médicos, visitas e concepção de campanhas, literaturas, entre outros desafios interessantes.

Horário flexível e adaptável às funções que já exerce (2 horas por dia, ou 6 horas por semana, em média).


Se sente dentro de si potencial criativo, porque não nos telefona… visita ou fala connosco.
Registo | Login: Para responder a esta oferta terá primeiro de se registar ou fazer login.

Visto no site
Carga de Trabalhos

Este anúncio merece uma análise detalhada do princípio ao fim. Começando pela veia, passando pelo que sente dentro de si e desembocando no pleonasmo épico. Quando pensava que "designer / copy" já era esfarelar a corda de tanto esticanço, eis que alguém se lembra de tão exótica polivalência. Para "responder a esta oferta" terá de estar completamente desesperado, se não doido varrido, sobretudo se pensar que esta empresa é algo mais do que uma chafarica nauseabunda. Até a Herbalife teria mais noção. O que se segue, "engenheiro alimentar / ladrilhador", "controlador de tráfego aéreo / arquivista", ou, sei lá, "astrólogo / apresentador de TV"?

Mensagem evangélica























I'm Jesus fucking Christ, now fucking pay me.

No canal da Xana a emissão está com delay



Ao folhear o livro Mais Luz, de Alexandra Solnado, constato, Jesus, que tens, mostras, dás, Jesus, uma grande força, uma força nice à anáfora, ao assíndeto e ao vocativo. A tua mensagem, Jesus, a tua voz, parece um anúncio à 7 Up saído dos anos 80. Devias mudar de agência de comunicação, de comunicação, mudar, sempre, evoluir, sempre. Tu.

Por outras palavras








A mais saloia alternativa a admissão de culpa parece-me ser:

"Aguardamos com serenidade o desenrolar dos acontecimentos".

20.11.08

Se calhar é por isso parte 2


"Polaroid is not a camera - it's a social lubricant".

John Hegarty

Se calhar é por isso parte 1

















"There's still more poetry than science in business".

Edwin Land

O que uma cambada de líricos nos arranjou.

Recalcamento

Nada é preto no branco


Nada é preto no branco.

As coisas nunca são como são
mas antes como deveriam ter sido.

Têm sombras e contornos
onde tu os encontras
e não onde a luz se fez sentir.

Têm brilhos inesperados e matizes indomáveis
em miserabilismos triviais.

Nada é como tu queres que seja.

Porquê insistir na justiça da interpretação
quando o que tu debitas é uma cartilha resumida,
um vislumbre incompetente da realidade?

Preto no branco só reflecte a tua ausência de cor.
A tua ausência de espírito.

Para ti pode ser preciso.
Para mim é um esboço rebuscado da tua ignorância.


Contribuição para a revista Mutante, Dezembro 2008

Carta ao Sr. José

Tenho a dizer-lhe que não canta bem. Não convencionalmente. Isto é, não há na sua voz a espessura de um intérprete nato, não tem a amplitude de um crooner, não tem o vibrato entusiástico de um popster. Mas o que tem, é único. É quente, meigo e íntimo. Chega mais longe do que o virtuosismo treinado dos vendedores de emoções. Confesso que nunca o vi e não construo imagem alguma para além das suas canções. E até em ritmo electrónico a sua entoação soa bem, por isso lhe perdoo as remisturas de “Killing for Love”. Em todo o caso, continue a aplicar a sua voz suave ao abandono folk e a iluminar os meus dias. Ninguém diria que é sueco. Mas também ninguém diria que um sueco se iria chamar José.

12.11.08

Gata em necessidade de zinco

A Arisca anda muito preocupada com a recessão alimentar e decidiu investigar um bocadinho mais sobre os alimentos a preservar e as principais necessidades nutricionais. Até já substituiu a ração. Só ainda não consegiu largar o tabaco.

Ora aí está


























Não sei se é ingenuidade ou sentido de humor dissimulado, mas é uma possibilidade como tantas outras.

Daqui p'rá frente

10.11.08

Gone baby gone

Biografia a sete pés

No início havia o verbo: "berrar".

Depois, uma forma única de expressar apreço pelo mundo que o recebia:

"Cocó!". Substantivo adjectival.

Aos 9 anos, sofre um trauma irremediável: os seus pais mascaram-no de cowboy no Carnaval. É preso pela GNR à saída da papelaria, loja de brinquedos e sortidos Labesmal.

No dia seguinte, o Diário de Abrantes dá destaque ao anão gatuno, apanhado em flagrante com uma Abelha Maia e um Topo Gigio em PVC no coldre.

Foge do Ribatejo depois de partir um taco de minigolfe nas costas do irmão do meio e, aos 13 anos, ganha a vida em feiras e bares como profissional de danças exóticas, sempre munido de um gorro de campino.

A juventude é marcada pela inadaptação. A idade adulta pelo amadurecimento. Já não atira objectos cortantes.

Ansioso por encontrar o seu lugar e por aprender a manejar um taco de golfe com destreza, alista-se nos Pequenos Burgueses.

Muda de rumo mas não de ramo. Emprega-se numa empresa séria e espera que a mudança ocorra. Com ou sem Obama.

5.11.08

31.10.08

Alegoria



Nunca subestimes o óbvio.

Que te sirva de lição

Produções Fictícias?




Aqui há um bom sketch. E aqui um melhor.

Meus senhores, o vosso ego será consideravelmente mais longo que o vosso esfíncter, mas não resisto a sugerir que tentem introduzi-lo por aí, bem fundo, onde o Sol não brilha. Talvez bloqueiem a quantidade de postas pagas ao quilo que cagam por dia e que, lamentavelmente, não servem de adubo. As portas do humor nacional estão fechadas e bem fechadinhas por vós, guardiães da meia dúzia de ideias recauchutadas e empreiteiros de momices requentadas. Portanto matem-se uns aos outros de inveja e ganância, a ver quem enriquece mais com o menor investimento. O humor não é, ou não deveria ser, um clube de futebol, cambada de talentos de secretaria! Como diria Nuno Lopes: vão mas é trabalhar.

27.10.08

Message to Ridwan (talk to you soon)



Obrigado pelos parabéns atrasados. Ainda não tive oportunidade de retribuir a lembrança nem ocasião para fazer um pit stop na tua nova vida. A ver pelo Facebook tens-te mantido ocupado e popular. Mas I wonder, I wonder, in Manchester.

23.10.08

A alma ao diabo


"Let's agree to respect each other's views, no matter how wrong yours may be."

10.10.08

Morte por causas naturais

Faço uma transcrição preguiçosa do seguinte post, pois não conseguiria dizer melhor (ou pior):

"É claro que os homossexuais não se podem casar. Mas de onde é que surgiu essa ideia peregrina?

Uma qualquer pessoa que esteja disposta a enfrentar o mundo e a gente mesquinha que somos para viver lado-a-lado com alguém do mesmo sexo revela, desde logo, um pecado capital: o amor.

Ora, todos sabemos que o casamento como o conhecemos não se baseia no amor, mas no jeito que dá. E casar duas pessoas do mesmo sexo não dá jeito nenhum.

Por exemplo, não seria fácil saber qual dos dois ficaria encarregue de mandar nas criadas e qual integraria o conselho da administração da empresa do tio Joaquim.

Mas o argumento mais válido - e este não há esquerdalho por mais pé de chinelo que seja que consiga contrariar – é o de que duas pessoas do mesmo sexo não podem ter filhos biológicos.

“Ai, mas uma mulher pode recorrer à inseminação artificial, mesmo que seja homossexual,” ainda ouço um ou outro mais atrevidote dizer lá de trás (deve ser do bloco de esquerda). Olha se pode, não devia poder. É o que dá ter governos a armar ao progressista.

Uma mulher deveria ter de provar que está apta a ser mãe. Ou seja, que está num casamento infelicíssimo, que trata o marido por você, que só tem relações sexuais com o marido para procriar e que o prazer o guarda para o jardineiro e o homem do gás.

E se querem que a legislação seja realmente coerente, deveriam ser oficialmente declarados homossexuais todos aqueles que não conseguem procriar. Está-se mesmo a ver que coisas como a infertilidade, a impotência e a disfunção eréctil são mesmo coisas de maricas.

Esta moda da democracia e da igualdade de direitos só cria problemas. Precedente puxa precedente e já há quem fale no direito à adopção por parte de casais homossexuais. Está-se mesmo a ver no que é que isto vai dar. Sem terem o casamento tradicional como referência, estas crianças vão-se tornar mulheres com ideias próprias e homens que sabem cozinhar.

É a puta da confusão."

In Cama Desfeita, 10/10/2008

Mais sugiro que, numa manifestação de crescente progresso e modernidade, se tente levar ao Parlamento a discussão do sexo oral entre católicos de direita. Casais como manda a Lei, com certeza. Ou a liberalização do sexo anal. Já vislumbro os cartazes: "Aqui entra quem eu quiser / Eu é que mando no meu esfíncter". Teria de se pronunciar [ére] mas parece-me um bom slogan.
Se não, pois senhores e senhoras da Assembleia, com a vossa virtude resguardada pelos doutrinários assentos de pau, aqui vos presto homenagem.

4.10.08

Mendacity



Paul Newman e Burl Ives em Cat On a Hot Tin Roof (Richard Brooks, 1958)

30.9.08

Nobody's fool













"If you don't believe the legend... then you can't really take yourself seriously. And if you don't take yourself seriously, you've got a chance. It's when you take yourself seriously and you begin to believe all this bullshit that you can really founder."

Change # 2 - Nem tu imaginas



... A quantidade de problemas que um coelhinho tem.


The Bunny Suicide Postcard Collection, Andy Riley

26.9.08

Aumente a dose

Uma imagem vale mil palavras


Os olhos de Kristin Scott-Thomas pedem silêncio.


Il y a longtemps que je t'aime (2008), de Philippe Claudel

A amizade




















Transformou-se numa natureza morta. E até os pulmões da memória entraram em colapso.
Sem jardim, sem vida, sem aromas. Só com lampejos parasitas. Até a construção displicente tapar completamente a vista.

20.9.08

Change #1



The Bunny Suicide Postcard Collection, Andy Riley

9.9.08

O número do Tribunal de Pequena Instância Cível de Lisboa é...

213507619.

Já agora.

It's alive!

De: João
Enviada: segunda-feira, 8 de Setembro de 2008 14:46
Para: correio@lisboa.tpiciv.mj.pt
Assunto: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


Boa tarde,

Recebi Notificação de Distribuição datada de 31 de Julho de 2008, assinada por Maria Luisa Rocha, e gostaria de saber, visto que a carta não indica se serei notificado, qual a data a partir da qual terei de efectuar o pagamento da taxa de justiça inicial.

Muito obrigado.

De: Correio Oficial Lisboa TPICIV [mailto:lisboa.tpiciv@tribunais.org.pt]
Para: 'João'
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 10:24
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


O seu Email foi recebido neste Tribunal com êxito

Com os melhores cumprimentos

A Escrivã Direito

Anabela Ferreira

De: Correio Oficial Lisboa TPICIV [mailto:lisboa.tpiciv@tribunais.org.pt]
Para: 'João'
Enviada: segunda-feira, 8 de Setembro de 2008 15:11
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


Informo ainda que a taxa de justiça é paga no prazo de 10 dias, contados do 1 de Setembro de 2008, neste caso 10/09/2008.

Com os melhores cumprimentos

A Escrivã Direito

Anabela Ferreira

De: João
Enviada: segunda-feira, 8 de Setembro de 2008 15:20
Para: 'Correio Oficial Lisboa TPICIV'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


Podem nesse caso informar-me de como posso proceder ao pagamento através de multibanco?

Obrigado

De: Correio Oficial Lisboa TPICIV [mailto:lisboa.tpiciv@tribunais.org.pt]
Enviada: segunda-feira, 8 de Setembro de 2008 15:30
Para: 'João'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


Pagamento por Multibanco:
Opções pagamento ao Estado - Custas Judicias/ seleccionar a taxa de justiça e pagar .
Deverá também informar o processo (juntar comprovativo do pagamento da taxa de justiça inicial), para o nº. 4XXX/08.0THLSB do 5º. Juízo

A Escrivã Direito

Anabela Ferreira

De: João
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 10:18
Para: 'Correio Oficial Lisboa TPICIV'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


Bom dia,

ainda uma questão sobre este assunto:

o MB apresenta-me duas opções:

"Taxa Justiça Inicial Normal (S/ Redução)" e "Taxa Justiça Inicial Electrónica
(-10%)"

Podem p.f. dizer-me qual delas devo seleccionar?

Muito obrigado.

De: Correio Oficial Lisboa TPICIV [mailto:lisboa.tpiciv@tribunais.org.pt]
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 10:24
Para: 'João'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação sobre Data de Distribuição


O seu Email foi recebido com êxito neste Tribunal, mas solicita-se que de futuro seja mencionado o respectivo numero de processo 4XXX/08.0THLSB, do 5º. Juízo.

Com os melhores cumprimentos

A Escrivã Direito

De: João
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 11:31
Para: 'Correio Oficial Lisboa TPICIV'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação - 4XXX/08.0THLSB, do
5º. Juízo


Sendo que a resposta é?...

Obrigado.

De: João
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 12:02
Para: 'Correio Oficial Lisboa TPICIV'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação - 4XXX/08.0THLSB, do
5º. Juízo


Boa tarde,

Os telefones indicados na lista telefónica vão ter directamente ao fax e não parece haver informação fidedigna na Internet, nem em qualquer outro suporte, sobre um contacto directo para os vossos serviços. O prazo para pagamento da Taxa termina amanhã e eu agradecia a vossa colaboração no sentido de me elucidarem sobre algumas particularidades que, naturalmente, não sou obrigado a saber.

Passo então a reproduzir o email enviado hoje de manhã:

Bom dia,

ainda uma questão sobre este assunto:

o MB apresenta-me duas opções:

"Taxa Justiça Inicial Normal (S/ Redução)" e "Taxa Justiça Inicial Electrónica (-10%)

Podem p.f. dizer-me qual delas devo seleccionar?

Muito obrigado

De: Correio Oficial Lisboa TPICIV [mailto:lisboa.tpiciv@tribunais.org.pt]
Enviada: terça-feira, 9 de Setembro de 2008 12:05
Para: 'João'
Assunto: RE: Injunção nº 46XXX de 2007 - pedido de informação - 4XXX/08.0THLSB, do
5º. Juízo


O telefone 213507619

8.9.08

Perdidos e enchidos



As máquinas não funcionam (computadores, impressoras e o que mais houver) e as cabeças também não. Os briefings acumulam-se quase tanto quanto os tempos de espera. As bolachas desapareceram e a cafeína deixou de fazer efeito. As olheiras afundam-se e o ar condicionado seca sem clemência o que resta das retinas. Há quem se queixe de ter passado o dia a encher chouriços, com tanto crachanço e prints repetidos. E depois as lagartixas, as malditas lagartixas.

É segunda-feira outra vez.

O humor contemporâneo

Não sei qual é o maior problema d' Os Contemporâneos, para além da minha má vontade em relação ao humor em geral e ao português em particular. Sei que dou por mim a contemplar o programa sem reacção, a rir-me ocasionalmente com o jogo físico do Nuno Lopes, e a pensar que os autores têm ideias muito giras (a das mascotes, na última emissão, tinha imenso potencial, assim como a do tocador de ferrinhos) mas que, por qualquer razão, aquilo não funciona. Não sei se é a falta de química dos e entre os actores, a morosidade das cenas ou a montagem pesada. Alguns textos têm graça mas parecem mal articulados e rematados pela pressa e pelo improviso, sem que a realização se consiga ancorar numa visão de conjunto. Para ajudar à fragmentação, não há grandes comediantes ali, Rueff e Lopes à parte, e mesmo que os houvesse, não conseguiriam salvar ideias soltas alinhavadas em scripts tão displicentes. Em todo o caso, a tentativa de fazer algo “diferente” é recomendável e pode dar origem a algumas lições importantes.
A primeira de todas: o Eduardo Madeira é um pé de chumbo do humor e um improvisador de terceira. Quem teve a triste ideia de colocar este gajo nos ecrãs tem o discernimento de um busto de gesso e a sensibilidade de um canhão de assalto.

A inocência morreu assassinada



Spot da agência de publicidade BETC Euro RSCG para 13ème Rue, canal TV francês de acção e suspense.

5.9.08

Vida nova

Depois de um desastre chamado The Truth About Charlie e do muito mediano The Manchurian Candidate, Jonathan Demme, autor do seminal "O Silêncio dos Inocentes" e documentarista de mão cheia (de tal forma que, desde Charlie, lançou três e tem mais um na calha) está de regresso com o que parece ser uma boa longa-metragem de ficção. Rachel Getting Married marca também o regresso aos papéis de destaque de uma grande actriz, auto-exilada durante demasiado tempo, Debra Winger.

4.9.08

Uma casa de outros tempos



A casa disse-me que se sentia desamparada. Que não merecia estar assim.
As entranhas pesavam-lhe e sentiam o cansaço pesaroso dos outros. O ar condicionado respirava por ela. Percorriam-na figuras anónimas com fatos e pretensões indistintos. As cócegas de outrora eram há muito manchas no pavimento. As conversas cruzadas já não a embalavam, faziam-na sentir-se cada vez mais por fora daquilo que levava dentro. Lamentou-se que já só era fachada para vaidades recônditas, e não tinha qualquer orgulho em exibir-se. Ali estava, simplesmente, falida e desenquadrada. Mas não, mas não, dona casa, o seu encanto não esmoreceu. Só por si vale a pena aqui passar. Seja menos negativa e olhe um pouco mais para fora, talvez aprenda coisas novas. A sua época pode ter sido outra, mas ainda vai a tempo de mudar. Convidou-me a entrar. Recusei. Fico feliz por contemplá-la, mas não desejo aprofundar a relação.

Isto & Aquilo



1, Juvelen

Este rapazinho sueco andou a ouvir Prince a mais e isso às vezes é mau, quando os high pitches parecem provocados por um aperto nas partes baixas. Mas 1 traz um pop "fresco" (detesto este adjectivo, mas é o que me ocorre, fresco) e sexy (outro que tal) enquadrado por uma parafernália de sintetizadores orquestrados com brio e bom gosto. Para os nostálgicos, para os modernos e para todos os que gostam do som de aparelhómetros a ligar e a desligar.

3.9.08

Happy days are here again


Par de jarras



A melhor prenda veio daqui.

"Affection", Sarah Wood

Chiquitita em Nova Iorque

Hoje de manhã recebi os parabéns da Cetelem, da Cecília e da loja “Em Forma”, no Parque das Nações. Fiquei muito contente por a Cecília se ter lembrado. Primeiro porque gosto muito dela, depois porque já não falávamos há imenso tempo – e nisto um gajo nunca sabe se o outro está zangado, tresmalhado ou simplesmente anestesiado – e por fim porque a rapariga faz anos a 11 de Setembro. E é tal o trauma que este ano se vai refugiar em Nova Iorque, provavelmente a contemplar o Ground Zero e a perguntar-se como é possível a demência humana eclodir com tamanha fereza. Por isso, Ceci, aqui vai um grande xi-coração, votos de ‘celente viagem e que desfrutes o teu dia. E agora deixa-me aqui abrir uma simpática mensagem da Sport Zone…

Arquivo do blogue