11.9.07

Em face dos últimos acontecimentos



Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

"Em Face dos Últimos Acontecimentos", Carlos Drummond de Andrade (in Brejo das Almas, 1934)

E a luta continua



Aquela bola de gelado, afogada no chocolate quente, derreteu-se mais rapidamente na negação estóica do conforto hipercalórico. Olhei então, irremediavelmente, para um lago que secava onde nascia um poço de determinação resignada.

Estás aí para as curvas




"As nossas dúvidas são traidoras que nos fazem perder o bem que muitas vezes poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."

William Shakespeare

Para S.

8.9.07

Judgementalism


"All your life you live so close to truth it becomes a permanent blur in the corner of your eye."


Rosencrantz & Guildenstern Are Dead
, Tom Stoppard (1994)

Tu

11 things I liked about Greece

Skiathos

Food

Cats

The Aegean Sea

Street names & involuntary irony

Zastava automobiles

The Acropolis

Religious iconography

Weddings

Alonnisos

Churches

11 thinks I disliked about Greece

Precarity

Tacky music

The cost of living

Athens

Drivers

Bad taste in general

Bus stations

Graphic design

T-shirts

Advertising

The heat

O paroxismo de zelo é a nova pornografia

7.9.07

A cozinha da Maxmen


Não ousarei pronunciar-me sobre o conteúdo da Maxmen que me aterrou este mês na secretária. Não saberia avaliar o rigor das propostas que vejo nas páginas profusamente ilustradas com moças em poses elegantes e roupinha estival, nem tão pouco comentar o tipo particular de humor que esguicha em cada parágrafo, mas que é em tudo semelhante ao grunhos arrebanhados que ouço nos balneários do ginásio que frequento. Contudo, permito-me destacar uma peça singular sobre dinâmica sexual, intitulada "Houdini", reveladora de um profundo respeito pelo sexo oposto e, sem dúvida, uma ilustração certeira do desejo feminino. Inspirado por este este momento ímpar, decidi propor 3 novas variantes na linha bacalhau com todos da "Enciclopédia Sexual", emprestando-lhe um tom mais cosmopolita.


ENFORNADA

Quando a mulher se mostra relutante em adoptar a posição canina, o homem deve colocar-lhe um lombo bem temperado debaixo da almofada. Quando esta exclamar: "Cheira-me a lombo de porco", o macho propõe-lhe de imediato: "Vamos virá-lo e recheá-lo como deve ser", introduzindo o seu espeto na ameixa. Ela não terá como negar.

CHAMUÇA

Numa penetração vertical, o homem deve aproveitar o espaço disponível para adiantar os seus assuntos, pelo que se recomenda encostar a mulher à parede entre uma secretária e uma estante, de forma a poder ligar o portátil e realizar consultas diversas. Aconselha-se atender à situação sexual de quando em vez, não descurando o orgasmo. Peça à sua parceira para não se mexer demasiado, de forma a rentabilizar o tempo.

MACROBIÓTICA

Se o seu pénis não tiver a dimensão desejada para satisfazer a sua parceira, experimente a seguinte receita tradicional: coloque uma courgete de dimensões generosas em leite morno durante 7 minutos. Faça um corte transversal na base, retire parte do recheio e encapote o seu órgão. Na posição canina, introduza o preparado até ao fundo na vagina da companheira. A mulher sentir-se-á preenchida. Não há risco de ela cuspir grainhas e é um excelente contraceptivo natural. Se a sua parceira desejar sentir a ejaculação, retire o membro da courgete e despeje-lhe o conteúdo na cabeça de forma a acentuar a boa impressão geral.

Não durmo bem sem ti


(Ilustração: Stefano Morri)

O bem, o bom e o bonito











"No one can be good for long if goodness is not in demand."

Der gute Mensch von Sezuan ("The Good Woman of Setzuan: A Modern Parable") (1941)

Baby zoom

O universo está de facto em expansão, com contributos das melhores galáxias. Pedro A., aka O Senador, e sua companheira pascal andam a aprender coisas com o Júnior. Antónia e André preparam-se para receber uma pequena atleta com um bonito nome e um rico par de pantufas etnográficas (do grego έθνος, ethno - nação, povo e γράφειν, graphein – escrever, eheh). Maria João debate-se com as atribulações hormonais de um primeiro feijão. Tem calma, João, que tudo há-de correr bem: num mix M&P o sangue só pode borbulhar com fervor.

5.9.07

Provérbios: a verdadeira alma portuguesa




"Quem quiser a vinha velha renovada, pode-a enfolhada."





Tradução: Vejamos... Não estou bem certo... Adivinha-se uma batalha assanhada entre significante e significado...

Arte grega



Ok, ok, já lá vêm as coisas boas, mas isto é para ver até ao fim, quando mais não seja para testemunhar o espectacular desabrochar artístico de Demis Roussos. Moderno, audaz e precursor dos Monty Python. Note-se que, embora ninguém fale Inglês na Grécia, este é um idioma commumente usado para cantar. Reponham-se os mitos no seu devido lugar.

35




Para que tudo faça mais sentido, ontem, hoje e amanhã.

(Ilustração: The Heads of State)

4.9.07

A pátria saudosa e o rissol de Maria



Quando perguntaram à emigrante Maria de Medeiros, numa entrevista entretanto amplamente citada, do que sentia mais saudades quando pensava em Portugal, a artista e agora chanteuse respondeu: "Dos rissóis de camarão". Na altura ocorreram-me inúmeras possibilidades interpretativas, carregadas de significado político, poético e até cabalístico. Acabei por me ater às hipóteses de que a Maria ou gosta mesmo muito do seu rissolito ou então estava simplesmente a ironizar. O que até nem é mal visto, porque se eu disser que senti saudades da minha Ucal fresquinha, da broa de milho torrada, de queijo flamengo e da boa e velha bica até pode parecer uma maneira trivial de subestimar as riquezas pátrias, mas na realidade é uma profunda demonstração de apreço pelos nossos hábitos, rotinas e singelezas. Petits riens, como diriam as manas de Medeiros. É que Portugal merece a ironia. Não só porque nos obriga a ela, mas também porque a estima, mesmo que não lhe agrade. A propósito, a propos, em língua mais civilizada, compreendo que la Maria tenha optado pelo rissol, à imagem do qual o seu próprio talento pode ser definido: um pastelinho ligeiramente croustillant, de formato previsível, com uma massinha leve envolvendo um lampejo de sabor - aquele fugidio camarão que o recheia. Uma grande virtude lhe encontro, porém: não emigrou para a Grécia nem na Grécia se fazem rissóis de camarão.

15 filmes a ter debaixo d'olho





























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