28.5.12
E agora a versão realista do Holstee Manifesto em sensacionais maiúsculas!
And now for the down-and-dirty version of the Holstee Manifesto
(full out caps locks sensational!)
25.5.12
Supositroika
“A troika voltou ontem a defender a flexibilização dos salários para inverter a tendência de subida do desemprego. Numa reunião com os deputados à porta fechada no parlamento (…) justificaram os dados negativos com a ausência de flexibilidade salarial, segundo relatos de alguns deputados na reunião. (…) Um deputado da maioria garante ao i que a troika falou em flexibilização laboral.”
Pergunto-me eu se aquelas figurinhas enfadadas que se deslocam em matilha de corredor em corredor, camuflados pela rígida altivez das suas gravatas cinzentas e casacos pretos, olhar baço e testa lapidar, fazem sequer ideia de onde estão e se alguma vez, num episódico e desagradável acesso de consciência, questionaram as alarvidades que regurgitam. Se das suas pastas sombrias alguma vez saiu um documento que não fosse perverso, inquinador ou arrogante. Pergunto-me se estas eminências pardas experimentaram pôr o pé na rua e falar com o cidadão comum. Ou, dadas as limitações do seu exílio despachante e a aversão a ambientes com luz natural, munir-se de informação pertinente e bem fundamentada sobre a realidade que espezinham com o seu sapatinho de fivela bem polido, amortecido pela total incapacidade de empatia. “We’re just doing our job” poderia ser a resposta funcional a estas considerações, com o toque de lobotomia implícito. Infelizmente, a troika arrota opiniões e pareceres com aroma a bacalhau confitado e Touriga Nacional. E eu pergunto-me se não se encontrará neste triste país um remédio, um antídoto, caramba, um desparasitante que nos livre desta entidade. Se não houver em fórmula, que seja por via de um sólido e vigoroso pau. Começava-se nestes e depois era a eito.
Lido aqui.
24.5.12
23.5.12
Escrita fracturante
Mais uma legenda antológica, pescada da distribuição gratuita, que está taco a taco com o online no aprumo estilístico. A peça falava de doenças raras, mas pouco importa, pois a universalidade deste fragmento arrasa com as exigências da contextualidade.
O mundo segundo Milton Glaser
Who is your mortal enemy?
Rupert Murdoch. He probably is the most powerful single man on earth. If you look at the amount of influence he has in virtually every country, and the internal corruption that is now being revealed in one of those sites — England — and the fact that there doesn't seem to be any constraint of decency, morality, responsibility, anything, that prevents him from doing anything he wants. It seems to me that nothing that appears on most of his outlets are any more than a reflection of his point of view. And I think that is very dangerous for a democratic society.
Rupert Murdoch. He probably is the most powerful single man on earth. If you look at the amount of influence he has in virtually every country, and the internal corruption that is now being revealed in one of those sites — England — and the fact that there doesn't seem to be any constraint of decency, morality, responsibility, anything, that prevents him from doing anything he wants. It seems to me that nothing that appears on most of his outlets are any more than a reflection of his point of view. And I think that is very dangerous for a democratic society.
What do you think of Donald Trump?
Well I've met him — I've even done a vodka bottle for him as a matter of fact. I don't know how to think about him. He's an example of the power of the ego. How can anyone be so totally egocentric to not understand that there are others in the universe. It also shows the power of that position: When you don’t think there are others, everything is attainable for you. I just find that the combination of incredible ambition and a lack of modesty can be a terrifying prospect. And if you're in a roomful of people like that, you realize that that's why the world is the way it is. And the other thing is: I can't figure out his hair. From the point of view of someone who is into art and form-making, I can't figure out the structure of it: where it's coming and where it's going. And then I also wonder, what does he think this object on his head achieves? It's just a great mystery.
Well I've met him — I've even done a vodka bottle for him as a matter of fact. I don't know how to think about him. He's an example of the power of the ego. How can anyone be so totally egocentric to not understand that there are others in the universe. It also shows the power of that position: When you don’t think there are others, everything is attainable for you. I just find that the combination of incredible ambition and a lack of modesty can be a terrifying prospect. And if you're in a roomful of people like that, you realize that that's why the world is the way it is. And the other thing is: I can't figure out his hair. From the point of view of someone who is into art and form-making, I can't figure out the structure of it: where it's coming and where it's going. And then I also wonder, what does he think this object on his head achieves? It's just a great mystery.
21.5.12
Agora não
Hello. This is an automatic reply.
I'm on a Strategy Accomplishment of Advent Precision CRM & Internal Mapping meeting.
If you have any queeries, please forward them to Sara Vaz Cunha Tupperware e Castelão, Interbusiness Relations, Brand Value Evolvement and Concept Enhancer Manager.
Thank you.
João Subprime de Cotton
Concept Zeitgeist Motivation, Mise-en-scène Priority Advising,
and Catalistic Empowerment Analysis Chief Manager
O marketing e coisas que tais
Em termos de terminologia profissional, e falando de Portugal, o marketing é um universo muito à parte. Não só porque as palavras e expressões são comummente estrangeiras, mas também porque as vemos aplicadas de forma liberal a um conjunto alargado de noções e de procedimentos que podem ou não representá-las. Confortável. Na verdade, estou convencido de que o léxico se vai metamorfoseando para dar origem a esoterismos aproximados às necessidades imediatas, dir-se-ia com a volatilidade do mercado sobre o qual pairam numa neblina sabichona. Aquela linguagem que dominam os especialistas em "below the waist", como diz um amigo meu, e cuja identificação grupal se gera algures entre a brand, o buzz e o appeal, com um toque de zeitgeist e 2.0, para a coisa não parecer monolingue e sequita. Se houver PowerPoints com gráficos e citações de Kotler, metidos a preceito no meio de focus groups em ponto de rebuçado, a identificação é total. Nesse chão fértil em euforia lúdica e desopilanço especulativo, começam a brotar necessidades bizarras, como a de contratar um Dynamic Creative Supervisor, fazer o upgrade do Costa dos Recursos Humanos para Director of Application Support and Creative Processes ou mandar embora uma dezena de qualquer coisa officers, e uma dúzia de managers de qualquer coisa. As enormidades nunca são suficientemente grandes. Note-se que a capacidade de reinvenção desta autêntica língua é tão espantosa quanto a sua entropia. Mas, lá está, de algum modo tudo faz sentido, como o dirá, seguramente, o Champion, Family and Retail Cluster Manager de uma qualquer empresa nacional.
Obrigado pela dica, A.
O Slogan Recalcitrante 2
Moodboard (em português, quadro de disposição) com propostas de naming (em português, nome) e de claim (em português, slogan) para anúncio a restaurante especializado em frango no churrasco.
Restaurante Asas do Sabor
VENHA E TRAGA OS MIÚDOS!
Restaurante Dê Asas ao Sabor
É DE PERDER A CABEÇA!
Restaurante Espeto Mágico
SOLTE O PORCO QUE HÁ EM SI!

Restaurante A Bela Assadura
UM BOCADO BEM PASSADO!

Publicidade portuguesa, com certeza.
8.5.12
Contos de fadas
Uma bonita ilustração de David Pohl para a Weave Magazine, em torno desta ainda mais bonita citação de C.S. Lewis:
"Someday you will be old enough to start reading fairy tales again."
Runaway crazy
Except, of course, when crazy is so close to you that you only notice it when it smacks you upside the head.
Ilustração de Estudios Minga
Ilustração de Estudios Minga
The comfort of strangers
When I start to feel a little off I tend to find bitter solace in the fact that most people around me are, basically, batshit crazy.
Arthur Miller revisitado na Broadway
Philip Seymour Hoffman como Willy Loman, em Death of a Salesman. Encenação de Mike Nichols, Teatro Ethel Barrymore, Nova Iorque.
4.5.12
Reinam outros, por estes dias
Guerra Junqueira não seria a mais idónea das vozes republicanas, mas este ataque visceral a D. Carlos I tem uma pertinente actualidade, se o interpretarmos com a dose de humor ácido que estes tempos exigem:
"Sim, nós somos os escravos de um tirano de engorda e vista baixa. Que o porco esmague o lodo é natural. O que é inaudito, é que o ventre de um porco esmague uma nação e dez arrobas de cebo achatem quatro milhões de almas!"
(in Voz Pública, Maio de 1906)
Indigência mental
Nunca deixarei de me surpreender com a impudência parasitária e o triunfal cinismo da publicidade. Mais uma forma de as empresas procederem à aniquilação, a soco, da pouca dignidade que subsiste.
Lido aqui:
"A nova campanha publicitária da Cerveja Sagres (...) com uma nova assinatura 'Sagres Somos Nó', pretendendo desta forma reforçar a Personalidade da marca líder de cerveja do mercado nacional, que assume a Portugalidade no seu ADN. A campanha (...) contou com a participação de grandes personalidades portuguesas (...) como é caso de Luís Figo, Soraia Chaves, João Manzarra e Rita Andrade, tendo ainda sido produzido um novo hino (...)."
Lido acolá:
De quem é o mundo de Mena?
Ao solapar inutilmente a web em busca de informação substancial sobre a socióloga Maria Filomena Mónica, por quem nutro uma simpatia aproximativa, percebo que a senhora desperta paixões, normalmente assassinas, entre opinadores de índole diversa. Parece-me que essas reacções derivam da raiva a uma certa esquerda iluminada, pessimista e condescendente da qual ela presumivelmente faz parte. Não sei se Maria Filomena é merecedora de tanta sanha amplificadora, mas desconfio que a importância a gratifica. Nas entrevistas que li, a autora de Bilhete de Identidade nunca renega a sua fina extracção – pelo contrário, enfatiza-a em demasia – e cheira-me que consideraria caviar um prazer demasiado mundano, se não ofensivo. Não tenho nem pretendo ter uma opinião fechada sobre Maria Filomena Mónica. Gosto de algumas coisas que escreve (nomeadamente as crónicas no Público), concordo com algumas das suas posições (sobre os exames de Português, por exemplo) e agrada-me o desassombro com que assume as suas opiniões e a sua vida, mesmo nos aspectos mais triviais, que, paradoxalmente, contradizem alguma grandiloquência intelectual. E então, a senhora é grandiloquente, sobranceira e contraditória. Do mesmo modo que é uma humanista perspicaz e insatisfeita. Parecem-me qualidades e defeitos mais aliciantes do que aqueles que se vislumbram usualmente no poleiro dos ajuizadores. Há dias, numa entrevista ao jornal i, a “Mena” disse coisas bem interessantes, entre outras de calibre inferior e até - horror - contraditórias.
Já tem dito que a incomoda sermos um povo subserviente. Como explica que continuemos assim, depois de tantos anos de democracia?
É preciso lembrarmos que o 25 de Abril foi um golpe de Estado, uma insurreição militar. Desde o século XIX até agora, em Portugal, os regimes foram sempre mudados por insurreições militares. Ora, a liberdade conquista-se. E nós nunca a conquistámos, foi sempre alguém que nos deu a liberdade. Em 1820 deram-nos o fim do antigo regime, vindo dos reis, com uma insurreição militar; em 1910, a República veio com uma insurreição militar; em 1926 foi uma insurreição militar que mudou o regime e abriu o caminho a Salazar; e em 1974 foi também uma revolta militar. Facto é que o povo não participou. E, ao não participar, torna-se um espectador alheado. Quando recebemos a liberdade dada e não temos de a conquistar, não a tratamos como nossa. A Constituição de 1822 diz: “O rei outorga.” “Outorga” significa “dá”. Foi sempre assim.
Dá que pensar e vai, de certeza, dar sustento a muita pena excitada. Mas a senhora volta aos livros e a caravana passa por cima das ideias. O habitual.
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