31.10.12

Activia


Saiu disparado.

Curioso. E profético. "Pelejão" rima com "sou um grande cagalhão e gosto de bater punhetas ao patrão ". Não sei porquê, passou-me pelo espírito. Não é poesia, não é prosa fina, mas tinha de sair. E já não tenho a barriga inchada.

30.10.12

Susan says


"Genius is the ability to stay in an uncomfortable situation the longest."

Li esta frase numa entrevista com essa mulheraça intemporal que é a Susan Sarandon - dotes artísticos inclusos - e senti-me reconfortado. Estou longe do engenho mas pelo menos fico com uma sensação de propósito.

Ilustração: Ben Newman

29.10.12

Sai um pastelinho pela Europa


Os verdadeiros obreiros da paz.

Ah, o Nobel da Paz. Esse notável prémio de feira pré-combinado. Que delícia. A porreiraça da Europa, unida, solidária e com um grande futuro apaziguador. O que se seguirá? O pastel de nata, senhores? A contribuição do pastel de nata para a harmonia universal? Pois já alguém viu um indivíduo agredir outro com um pastel de nata na boca? Ou imediatamente antes de devorar um pastel de nata? Ou logo a seguir? E alguma vez se viu alguém desperdiçar pastéis de nata nas ventas de um paspalho qualquer? Ele há tartes, ovos, gelatina, a ocasional mousse, legumes variados… Pastel de nata, não, pois não? E ele há alguém que NÃO GOSTE de um pastelinho de nata acabado de fazer? Nobel com ele! Caraças, um milhão de euros vai dar para umas valente jantaradas sobre tratados de paz, rematados por dúzias de pastéis de nata. Estou ansioso por saber do que se lembrarão para o ano. Do IKEA? Do Padre Marcelo Rossi? Das pombas brancas? Do Durão Barroso? Se for enfiado num espeto com um pastel de nata na boca, o Nobel reganhará toda a sua relevância e credibilidade.

A rainha dos Olivais




Não ajudou muito nas arrumações e foi alheia ao comité de boas-vindas que levou, da porta de casa e ao 3º dia, a minha bela (e recém-adquirida) bicla amarela. Mas testou possibilidades de disposição interior, experimentou áreas de conforto e ensinou-nos como, e onde, apreciar o Sol. Acima de tudo, está bem em qualquer lugar. E é sempre boa companhia.

26.10.12

Há-des ver se o filme é bom


É reconfortante ver o trailer para um filme português no qual o protagonista profere algo como: "Ela sabia que iam haver consequências para as suas acções...". O cosmos parece dar-me razão. Até argumentistas pensam que o verbo haver sofreu uma mutação bizarra. Boas novas, amigos, este verbo escapou aos inúmeros estragos e continua a ser impessoal nas acepções de "existir" e "acontecer" ("Ela sabia que ia haver consequências por ter faltado às aulas"; "Ele não sabia que havia inúmeras gramáticas") e a concordar com o sujeito nas restantes (surgindo sempre como auxiliar - "Eles haveriam de, eventualmente, aprender a conjugar verbos"; "Elas hão-de conseguir escrever como se tivessem completado a 4ª classe"). Não creio que seja uma boa entrada em cena para um instrumento "de cultura". Ou de lazer. Ou lá do que for. Chiça, já me viram aquele cartaz?!

Só porque sim

25.10.12

O Homem do Trator

 

Um pequeno filme, terno e sincero, sobre "a urgência de viver", como o próprio realizador, Gonçalo Branco, referiu na introdução à audiência do doclisboa, ontem à noite na Culturgest. Despido, sem a pesada sombra da condescendência (por total oposição ao filme que se lhe seguiu), O Homem do Trator é um retrato - em poucas mas certeiras pinceladas - da resistência ao declínio físico num contexto onde a vitalidade e a robustez sempre foram um imperativo de sobrevivência. A teimosa luta contra o tempo, pela identificação e pela pertença, é espelhada na relação cúmplice do velho camponês com a vetusta máquina de guerra que ainda o acompanha em grande parte das tarefas. Em dezanove minutos é-nos dada a essência de um longo percurso calejado, onde uma câmara não intrusiva deixa o bonito e o feio acontecerem como são e não como o realizador gostaria que fossem. Um primeiro trabalho que revela uma série de opções maduras.

Roleta russa


"Life is like a box of chocolates. You never know what you're gonna get", dizia o tonto da aldeia naquele popular filme que glorificava a pacovice (um pouco como Regresso a Casa, documentário português que vimos ontem, mas isso são outros quinhentos). E se temos que dar o desconto ao atraso do gajo pelo facto de os rótulos poderem antecipar inúmeras surpresas, o que dizer quando nos colocam à frente chocolates destes? São ucranianos e pretensamente exóticos. Pelo menos é o que depreendo das cores garridas, do arco bizantino e daquele shemale com mãos de estivador que acabou de dar à costa em Lilliput. Mas quando um indivíduo se propõe afincar o dente em tamanho delírio, vira o produto e o rótulo transmite-lhe que a sua audácia deve dar em merda. À imagem de toda e qualquer iniciativa que agora se possa ter. Um mero chocolate ucraniano transporta, portanto, mais filosofia do que uma caixa de pralinés cosmopolitas. 

Para que conste, adiei a experiência por tempo indefinido. Tanto quanto se pode adiar a vida. De qualquer modo, desconheço a data de validade.

Suburban sexy 31


Cross-selling excêntrico, versão lusitana.

Não há coincidências

   
Lido recentemente no iOnline. É "oitro" acordo, só da Lusa. Vou designar o meu por "cornográfico", "horto gráfico" ou ainda "tripa à portuguesa". Vai haver um para todos.

Hard copy 64

  
Ou quando "usar a cabeça" é a expressão figurativa do seu oposto. Aqui, hard design seria mais adequado.

The dwindling department


Mais um colega que nos deixa. As boas pessoas começam a rarear ominosamente. Uma constante, de há tempos para cá, mas menos mal que, desta vez, foi por vontade própria. Haja coragem e iniciativa. Felicidades, Nuno!

Ilustração: Jean Julien

24.10.12

Acordo, o escambal!


Por força das circunstâncias tenho vindo estudar, de forma lenta e dolorosa, o velho novo acordo ortográfico. E quanto mais me adentro na coisa, mais se adensa, não já o cepticismo, mas a pura aversão. Macacos me mordam se vou adoptar a bem este monstro criado pela burocracia travestida de pedagoga. Ora vejamos alguns exemplos, retirados de um blog brasileiro apropriadamente intitulado Português na Veia (à força).

No que diz respeito à acentuação gráfica:

1) Some o acento dos ditongos “éi” e “ói” de palavras paroxítonas.

Antes: jibóia, assembléia, idéia, heróico.
Depois: jiboia, assembleia, ideia, heroico.

ATENÇÃO! Só desaparece o acento das palavras paroxítonas. As oxítonas continuam acentuadas.

Ex: papéis, herói, dói.


Tendo em conta que o principal fundamento das alterações é de ordem fonética (a actualização que a oralidade imprime na escrita e consequente necessidade de normalização - regras que, lembre-se, não são meramente gramaticais, mas também morfológicas e sintácticas, com as decorrentes implicações semânticas. Um processo lógico e normativo que, naturalmente, se esvaíu na diarreia mental que é o A.O. de 1990), faz todo o sentido que, no português de Portugal, desapareça o acento (diferenciador fonético), por exemplo, em "heroico", que, como se sabe, é maioritariamente pronunciado com o [o] fechado, como se estivéssemos acomeditos de uma constrição faríngea ou com um grave problema no maxilar. Por outro lado, "papéis", claro, a grande maioria dos portugueses articula com o [e] aberto, escancarado a bocarra para produzir um som vocálico capaz de puxar o vómito.

(...)

4) Some o acento diferencial das formas pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pólo/polo e pêra/pera.

Antes: pára, péla, pêlo, pólo e pêra.
Depois: para, pela, pelo, polo e pera.

ATENÇÃO! O acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma pode ser usado opcionalmente. Indica-se o uso do acento para conferir maior clareza.


Pois então, não sendo difícil qualquer desempate contextual entre "pêlo" e "pelo", ou "pára" e "para" - porque os falantes portugueses estão entre os mais proficientes do cosmos e isto só vem facilitar a comunicação entre a malta - é absolutamente imprescindível que, de acordo com o racionalismo puro que emprenhou estas deduções linguísticas, "forma" e "fôrma" se diferenciem SEMPRE nas formas falada e escrita. Entretanto, caga nisso que o pretérito perfeito e o presente do indicativo ("andamos/ andamos") não comporte qualquer traço distintivo. Genial! Recomenda-se, portanto, ter um caderninho sempre à mão para eventuais esclarecimentos escritos ou desenhados.

5) Desaparece o acento agudo no “u” forte dos grupos que/qui/gue/gui de verbos como apaziguar, averiguar, arguir.

Antes: apazigúe, averigúe, argúi.
Depois: apazigue, averigue, argui.


(Conjugação do verbo "arguir", aqui.)

Quanto a esta pérola, que começa por ignorar a particularidade dos grupos [gu] e [qu], dá origem a tal confusão que prefiro transcrever o texto de um especialista, para eventuais interessados em (tentar) perceber a choldraboldra instalada:

Ora, quanto ao verbo arguir, eu é que faço algumas objecções na nova grafia recomendada pelo novo AO. De facto, argui («ele a.»), arguis («tu a.»), arguem («eles a.») deixam de ter acento. No meu ponto de vista, porém, no grupo gu ou no qu, o u, indissociável da consoante, ou é um símbolo que não se pronuncia ou tem o valor de semivogal quando não é tónico. É esta particularidade que não permite separar o u da vogal seguinte na translineação quando o u se pronuncia.

No novo AO, assemelha-se a grafia de argúi à de intui, quando as características do grupo gu são peculiares, o que justifica a diferença entre, por exemplo, arguimos e intuímos (o novo AO tem delinquimos, logo será na nova regra arguimos, como tem sido sempre, incoerentemente porque se depreende que passa a ser arguís [vós], como delinquís [vós] no texto).
Não creio que esta novidade, ao arrepio das decisões de bons vernaculistas anteriores, seja obra portuguesa.

Conclui-se:

Primeiro, que a inferioridade está agora do lado de Portugal. Se não podemos culpar os brasileiros por terem assim um amor tão grande à nossa língua, a ponto de apresentarem já um trabalho monumental sobre o novo AO, o que devemos é lamentar que não haja da nossa parte amor equivalente. 
Em segundo lugar, lembra-se que aberto um precedente pelo Brasil em não respeitar o texto do acordo de 1990, também eu posso recusar em Portugal as novas formas do verbo arguir recomendadas pelo novo AO; e fica aberta a porta para uma disputa de alterações discricionárias ao texto do acordo, dado que em Portugal estamos sem rei nem roque.

D´Silvas Filho, in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 2009

Em diversos suportes "explicativos" do novo A.O., atesta-se, com confiante sapiência, que "(...) as conjugações do [sic] verbos 'arguir' e 'redarguir' deixam de ter acento" (in Aprende o Acordo Ortográfico com o... Prof. Girassol, Girassol Edições, Lda). E mai'nada. Pobres crianças. Pobres de todos nós.

Poderia ainda referir a acentuação algo discricionária dos verbos terminados em [guar], como "enxaguar", de acordo "com a pronúncia", mas já estou exausto. Onde apelo que se passe a grafar de acordo com as diversíssimas variações regionais da mesma, para tornar esta merda ainda mais divertida e desafiante.

Ilustração: Leslie A. Wood

4.10.12

Nunca foi diferente


"Your letter riled me to such an extent that I’m answering immediately. Who are all these ‘real people’ who ‘create business and politics’? and of whose approval I should be so covetous? Do you mean grafters who keep sugar in their ware houses so that people have to go without or the cheap-jacks who by bribery and high-school sentiment manage to control elections.

(...)

It seems to me I’ve let myself be dominated by ‘authorities’ for too long — the headmaster of Newman, S.P. A, Princeton, my regiment, my business boss — who knew no more than me, in fact I should say these 5 were all distinctly my mental inferiors. And that’s all that counts! The Rosseaus, Marxes, Tolstois — men of thought, mind you, ‘impractical’ men, ‘idealist’ have done more to decide the food you eat and the things you think + do than all the millions of Roosevelts and Rockerfellars that strut for 20 yrs. or so mouthing such phrases as 100% American (which means 99% village idiot), and die with a little pleasing flattery to the silly and cruel old God they’ve set up in their hearts."

"F. Scott Fitzgerald Responds to Hate Mail", por Maria Popova, Brain Pickings Weekly, 24/09/2012

25.9.12

Ode à amizade sobre música de Suzanne Vega



No tempo em que ainda conseguia decorar letras de canções, tarefa à qual me dedicava com denodado investimento, os discos de Suzanne Vega eram um manancial eleito de belos textos, com a dose certa de enigma. As melodias intimistas, envoltas na delicadeza de uma voz de garota, eram menos óbvias do que o que se consumia na altura, nomeadamente o rock grupal e os hinos de afirmação "rebelde" (grande bocejo) de que estavam o States e o Moçambique cheios – ainda havia aqueloutro, como é que se chamava?... Transbordaram dos seventies e estacionaram em Coimbra no início dos anos 90, algures entre a Rua do Brasil e o Bairro Norton de Matos. Eu, como morava no Penedo da Saudade, epicentro da sobranceria burguesa, estava condenado à exclusão.

I wanted to see how it would feel
To be that sleek
And instead I find this hunger's
Made me weak


No pequeno reduto que formámos quando percebemos, que, na realidade, só nos tínhamos a nós os três, a Rita e eu elegemos a Suzanne Vega como musa. Aquele maravilhoso primeiro disco que falava suavemente à nossa sensibilidade riscada de adolescentes. Deslocados na família e na rua - e, por vezes, contrastando belicosamente com a aura de adequação realizada da Ana - mas muito, muito pouco práticos.

Today I am
A small blue thing
Made of china
Made of glass


Tudo sem grandes estardalhaços. Éramos pouco práticos mas não estúpidos e, acima de tudo, partilhávamos um sentido de humor que nos mantinha ao abrigo de alguns lugares-comuns. E de algum sofrimento. Enfim, líricos e ociosos, selando o nosso pacto com as letras de Suzanne Vega. “Marlene on the Wall”. “The Queen and the Soldier”. “Small Blue Thing”. “Cracking” e “Undertow”. E também o “Some Small Hope”, da Virginia Astley, para dias mais cinzentos. Estes foram os nossos hinos ao longo dos tempos e, em certa medida, são-no ainda hoje.

But the only one here now is me
I'm fighting things I cannot see
I think it's called my destiny
That I am changing


Tenho saudades desses tempos, de nós os três, de um certo espaço que não gosto especialmente de revisitar, mas que, mais que especial, foi determinante para tudo o resto. Para o que conseguimos. Para o que não conseguimos. Para, finalmente, sabermos o que queremos.

It's a one time thing
It just happens a lot
Walk with me and we will see
What we have got


(…)

The sun is blinding
Dizzy golden, dancing green
Through the park in the afternoon 

Wondering where the hell I have been?

21.9.12

Conselho de Estado











Hoje, e em portugês, numa latrina mais ou menos perto de si.

Ilustração: Jordi Sàbat

20.9.12

Hard copy 63



Obrigado, D.

Fragmentos de copy, ou um cadáver esquisito


Já foste exposto à ignorância radioactiva daquela tipa?

Não te conheço, mas porque é que a tua assinatura de email está em itálico?

… É muito estilo Colecções Philae meets plásticos Domplex.

A alma portuguesa com geleia real.

E com um par de ovos se faz a Páscoa.

Olhaa, o que é que a tua mãe faz? És comunista? O teu pai está desempregado? Aaah…

“Estou a ter uma crise existencialista.”

Vem experimentar uma coisa em grande e sente o teu prazer aumentar.

Oxalá chegues àquela idade com a mesma patine na simpatia.

Desculpe, mas a sua finesse não lhe permite assegurar as necessidades básicas da boa educação?

O meu passado sórdido veio estagiar dois dias para a vivenda ao lado.

Eu localhosto, tu localhostas, ele localhosta

“Conheces as Pussy Riô?”

“Boroa”?! Mas quem raio escreve “boroa”?

"Olhaa, 'camarão' é com maiúscula ou minúscula? Aaah…"

- “Ça va?”
- Ça. Já não há orçamento para o va.

- “No tempo do Salazar é que se estava bem.”
- Acima de tudo porque tu não eras nascida.

Não é quaisqueres, é quaisquer. Não é hajam, é haja. Não é eu disse a elas, é eu disse-lhe. Não é há-des, é hás-de. O acento é para a esquerda, não para a direita. Não é vistes, é viste. Não é asterístico…

- “O que é a ri-ã-trê? [n.d.r.: rentrée]”
- É uma festa popular "tunísia".

Podes perfeitamente sacrificar a originalidade à funcionalidade e até à mera conveniência, mas não esperes que a tua dignidade faça a síntese.

Cadavre exquis pintado por Leonora Carrington e o seu filho Pablo Weisz-Carrington

13.9.12

Servidão


Este texto foi escrito antes de eu ter lido estoutro, incomparavelmente mais interessante, eloquente e expressivo no emprego das analogias, assinado por Juan José Millás (obrigado, V.). Uma tradução crua e muito clara do sentimento geral, para todos os que enfiam a cabeça na areia e para todos a quem serve a carapuça de cabrão filho da puta.

"Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória."

(...)

"Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro." 

Ilustração: Patrícia Póvoa

Stop. Motion.


Instalação artística não comissionada.

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