15.3.12

Os mais belos carros de rally


20. Lancia Fulvia HF


19. Opel Manta 400


18. Toyota Corolla WRC


17. Fiat Grande Punto Abarth S2000


16. Renault Alpine A310


15. Nissan 240 RS


14. Alfa Romeo 75 Turbo


13. Mercedes 450 SLC


12. Ford RS200


11. Citroën Xsara Kit Car


10. Toyota Celica GT-Four


9. Peugeot 307 WRC


8. Porsche 911 SC RS


7. Alfa Romeo GTV6


6. Toyota Celica Turbo


5. Subaru Impreza 555


4. Renault Alpine A110


3. Audi Quattro A2


2. Lancia Stratos HF



1. Lancia Rally 037

Don't touch the animals




Preciso de uma merda de um abraço, mas compreendo que exista alguma relutância.

Ilustrações: Adam Avery

14.3.12

Os mais bizarros carros de rallyes


Stig Blomqvist ao volante do Saab 96 V4 que, na altura (anos 60 e 70), apresentava um design revolucionário. Ainda hoje é impossível resistir ao encanto deste charuto metalizado com 80 possantes cavalos a galope desde o espaço sideral.


O Suzuki Ignis S1600, para além de ser feio, ter nome de esquentador e aparecer invariavalmente pintado de amarelo, constituiu uma boa plataforma de lançamento, no início deste século, para alguns dos melhores pilotos actuais, graças à sua fiabilidade, baixo custo de manutenção e (relativa) rapidez. 


É um pássaro, é um avião? Não, são uns malucos a dar gás a um "boca de sapo" (ou Citroën DS 23, para a ocasião) algures numa picada africana, em 1972. Coisa mais bizarra? Um "boca de sapo" a fugir de um elefante.


Um Volkswagen 1303 S, igualzinho ao do meu avô mas com mais faróis e uma decoração competitiva, no gelo da Suécia. O "carocha" fazia muito barulho mas andava pouco, o que, com o meu avô ao volante, era decididamente um aspecto positivo. Nos rallyes nem por isso.


O Peugeot 504 não serviu apenas para ajudar nas tarefas da quinta, percorrer quilómetros infindos em estradas secundárias e espalhar petrodiesel pelo universo durante décadas a fio. Nos anos 70 levantava voo nas mãos de campeões como Tommi Mäkinen, com muito estardalhaço mas poucas consequências... na mecânica e nas tabelas classificativas.


Cansado de fazer figuração em filmes elegantes e de transportar figuras de Estado francesas, o Citroën CX meteu-se à estrada, fosse ela alcatroada ou não, e conquistou um lugar ao sol no mais alto escalão competitivo, manobrado por gauleses dedicados como Jean-Pierre Nicolas, na versão 2400 GTI. Sim, dois mil e quatrocentos centímetros cúbicos.


Michèle Mouton não era mulher para gostar de tupperwares, mas isso não a impediu de guiar um. O Fiat 131 Abarth era tosco, espesso e genérico, com uma direcção tão suave como um tronco de árvore na cervical, mas o certo é que foi dos mais vitoriosos automóveis da sua geração, graças a um fantástico motor, aos mistérios da aerodinâmica e a muito talento atrás do volante.


O DS 23 não encontrou este modelito da Citroën em África, caso contrário tê-lo-ia devorado. O certo é que o Rally, também conhecido pelo complicado (e audacioso) nome "Mille Pistes" - por causa das então inovadoras quatro rodas motrizes - ganhou reputação de terminar provas sem grandes problemas, sendo que 112 cavalos não davam para muito mais. Como seria um encontro com elefantes merece a sua dose de especulação.


Antes de decepar os membros inferiores a uma dúzia de espectadores e levantar o alcatrão de toda uma recta à sua frente, o MG Metro 6R4 conseguiu descrever esta curva graças aos 3 litros de motor e aos quase 400 cavalos que, nos idos anos 80, propulsionavam as viaturas, arraçadas de avião, do chamado Grupo B. Sobre a versão de estrada do Metro, lembro-me de uma apreciação na Proteste que aconselhava a "acender uma vela a S. Cristóvão" de cada vez que se saísse com ele. Noto um padrão.


Nos mesmos anos eighties, foram vários os pilotos que domaram a besta célere de 500 cavalos chamada Audi Quattro S1. Entre eles os míticos Walter Röhrl, Stig Blomqvist, Hannu Mikkola e Michèle Mouton. Míticos porque nenhum pereceu sentado neste míssil da marca alemã.


A morte do talentoso piloto finlandês Henri Toivonen, na Volta à Córsega de 1986, foi o acontecimento decisivo para a interdição dos poderosos e cada vez mais bizarros Grupo B. No ano do ocaso deste delírio sobre rodas, a Citroën decide apostar no BX 4TC, versão racing do popular modelo. O projecto estava por isso condenado à partida, mas a embaraçosa falta de competitividade e resistência demonstradas nas provas em que participou - na Acrópole nenhum dos carros inscritos passou da 1ª etapa - deu a entender que a Citroën já havia dado um tiro no pé e outro na testa do deus da estética.


Por que razão o fabricante checo se inspirou em Italo Calvino para designar o seu grande familiar escapa ao meu entendimento (pronto, não, foi do latim, mas ainda assim...), até porque o Škoda Octavia, aqui na versão World Rally Championship, se há coisa que tem é um ar sólido. Demasiado sólido. Diria mesmo monolítico. O que lhe permitiu, entre levar e trazer os miúdos da escola, resistir às saídas de estrada - em dupla acepção - do fogoso Armin Schwarz.


Extinto o Grupo B, e cansada de acusações de megalomania e excentricidade, a Audi decide concorrer ao recém-criado Grupo A com o discreto 200 Quattro, que se revelaria um falhanço desportivo mas um portento de versatilidade, sendo capaz de, em simultâneo, transportar múltiplos espectadores de troço para troço, carregar um satélite de telecomunicações e albergar uma delegação de imprensa. Era difícil semelhante tanque capotar, mas, se tal acontecesse, e como é fácil de perceber, não havia volta a dar-lhe. Literalmente.



Um Seat Marbella de rallyes. Repare-se que não é sequer um Fiat Panda de rallyes. Correr com uma chocolateira é mau, mas correr com um sucedâneo de chocolateira é seguramente pior. Em tempos houve um troféu de senhoras nas provas nacionais e lembro-me de ouvir um oportuno locutor de rádio referir-se às concorrentes como "pilotas". Não há (mais) palavras.

Os chineses são tramados







Vi isto hoje no The Hollywood Reporter online. Esqueçam os plásticos, os têxteis, a cosmética nuclear e quase tudo o que funciona a pilhas. A contrafacção criativa é que está a dar. Ponham estes gajos à frente de um Photoshop pirateado três vezes e eles dão à luz pequenas maravilhas. Seja como for ninguém vai poder confirmar, de modo que "what you don't know doesn't hurt you", como reza o provérbio, devidamente plagiado.

10.3.12

"Préface"


Nous vivons une époque épique et nous n'avons plus rien d'épique
La musique se vend comme le savon à barbe.
Pour que le désespoir même se vende il ne reste qu'à en trouver la formule.
Tout est prêt :
Les capitaux
La publicité
La clientèle
Qui donc inventera le désespoir ?

Avec nos avions qui dament le pion au soleil,
Avec nos magnétophones qui se souviennent de "ces voix qui se sont tues",
Avec nos âmes en rade au milieu des rues,
Nous sommes au bord du vide,
Ficelés dans nos paquets de viande,
A regarder passer les révolutions

N'oubliez jamais que ce qu'il y a d'encombrant dans la Morale,
C'est que c'est toujours la Morale des autres.

Léo Férré, 1956

9.3.12

O Slogan Recalcitrante

©

Para empresa de telecomunicações.

Uma rubrica de João M. e Gonçalo G., inspirada no estado corrente da comunicação publicitária.

As Aventuras da Super-Rolha: The MacXorcist

8.3.12

Hard copy 53


Quando as palavras ocupavam o tempo do consumidor com confiança e galhardia, o espaço para o desastre era maior. Um bom exemplo, este. Além de uma vírgula refractária que se encarrega de separar um sujeito do seu complemento directo, temos uma bem-intencionada interrogação negativa que soa ou a interpelação desagradável ou a expressão de desalento.

Visto aqui.

Há demasiados dias assim


Ilustração de Bruno Brunovic

  
Ilustração de Norma Bar


Ilustração de James Yang

Como ser obnóxio


Esponja da loiça da Urban Outfitters, sugestão de presente para o Dia da Mulher.

Suburban sexy 28

It came from above.

1.3.12

Portugal, 2012


Visto há dias numa revista de turismo.

Hipocrisia a metro



Se dúvidas houvesse de que o espectro do salazarismo ainda paira sobre a realidade portuguesa, veja-se a recusa do Metro de Lisboa - devido a preceitos "morais" -  em difundir a campanha publicitária ao site de encontros - gay -
Manhunt (que, por sinal, e graças a esta rejeição, teve direito a uma divulgação gratuita exponencial). Evoluímos? Pois evoluímos. Agora não há problema nenhum em expor as criancinhas, os católicos, as viúvas e as pessoas doentes a umas fulanas todas grossas, em lingerie e touca de freira, com meio mamilo a rojar num poste, alentadas por uma frase que apela a arrancar-lhes a cueca. É só uma ideia, creio que dá para perceber. Ou à objectificação mais primária saída desse buraco negro criativo que é o "Boa ZON" (e cujo subtexto de grande subtileza é: "Ó BOAZONA, GROSSA, TESUDUA, RIJA, PAPAVA-TE TODA A SALIVAR COMO UM JAVARDO, TÃO MULA QUE ÉS!"). Nem tão-pouco ao imaginário sexy-seboso de Zezé Camarinha, lembrando-nos orgulhosamente, com divertidos trocadilhos, que é um esplendoroso representante do labrego português na versão prostibular. Enquanto a direcção do Metro faz um gostoso bobó à hipocrisia, fazendo de conta que está no genuflexório a afastar o demo, Cerejeira ri-se lá dos confins do inferno nas trombas da democracia.

6.2.12

Suburban sexy 28


Chamem o Chagas.

3.2.12

A resposta está no Chagas


Chamem este gajo. Por duas dúzias de euros, um bacalhau e um bom Dão, ele inventa mais um botão e põe ordem nesta porcaria toda. "Excomunhão do Acordo Ortográfico", com a participação especial de Pomba Gira, música ambiente, massagem tailandesa e coffee break solúvel. Lugares marcados e certificados pelo Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento Rural. Reserve já e saiba como se livrar de consoantes infernais, acentos demoníacos e conjugações diabólicas! Se não resultar, pode sempre inscrever-se no "Clube dos Escreventes Anónimos" e partilhar as suas experiências na luta inspiradora contra a dependência morfológica e a possessão sintáctica. Pague em suaves prestações com TAEG a combinar.

"Cânones da Escrita"


Estância arqueológica para os lados da Av. de Berna.

Ainda a propósito desta questão, transcrevo um texto que a minha cunhada V. me enviou, assinado pelo arqueólogo Manuel de Castro Nunes. Não partilho o conservadorismo quase radical do autor, mas é mais uma opinião pertinente e especializada:

"Sim. Está na moda e parece bem violar as convenções e cânones de escrita. Dispensar a pontuação, subverter a lógica da sua aplicação, ordenar os vocábulos de forma caótica numa proposição, intercalar até umas tiradas em latim, desconhecendo em absoluto a gramática latina.

É, sem dúvida, uma atitude esteticamente legítima. Na presunção de que o esteta as conhece e está no seu domínio. E tem a percepção de que, em dadas circunstâncias, as convenções e os cânones da escrita inibem a sua expressão.

Mas o que é curioso é que, da negação das convenções e cânones da escrita decorra a instituição de novas convenções e novos cânones.

Mas o que é mais curioso ainda é mesmo a moda. Aproveitando a maré, aqueles que partem do desconhecimento crasso das convenções e cânones da escrita, podem dividir-se em dois grandes grupos. Aqueles que por ignorância escrevem como calha, uma cambulhada indestrinçável de vocábulos e cúmulo e aqueles que, desconhecendo em absoluto as convenções e cânones da escrita e as razões por que foram instituídas, pretendem instituir uma nova estética literária, caracterizada pela dispensa, sem nexo nem sentido, das convenções e cânones. Ora, convém recordar que a dispensa das convenções e normas da escrita por ignorância resulta em erro. E que, para um leitor atento, o erro não passa despercebido.

Dando um exemplo, eu posso suprimir muitos sinais de pontuação, encadeando as proposições umas nas outras, de forma a que nenhuma se conclua e transite ou flua para a seguinte. Mas se, salvo raras excepções, como a da intercalação de um aposto, eu intercalar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma proposição, estou a incorrer em erro. Pelo menos, devo estar apto a explicar por que razão o fiz.

Um cúmulo de vocábulos não é um poema. A não ser que eu consiga explicar e o leitor compreender por que razão os vocábulos se encontram em cúmulo e que sentido resulta desse cúmulo.

Foi também por ignorância que um universo quase incalculável de espontâneos vanguardistas aderiram ao acordo ortográfico. Por não compreenderem que as línguas de matriz portuguesa, como a brasileira, já se autonomizaram e revoltaram na afirmação da sua identidade contra a língua mãe, diferenciando-se dela em componentes muito mais significantes do que a ortografia, como são a sintaxe e a semântica.

É fácil entrar na presunção de uma nova e vanguardista elegância literária por ignorância.

Por isso, uma nova geração de arqueólogos e de poetas anda convencida de que é compreensível.

Pudera. Todos lhes batem palmas… Há até quem diga de um paper de um arqueólogo que parece uma écloga de Camões. E pode muito bem ir a Nobel."

Um ar da sua Graça


Já fui um cisne, mas fiz um "downgrade" funcional.

Goste-se ou não da personalidade em questão, a razão está do seu lado. E se há coisa que não vai influenciar minimamente nem "aproximar" a grafia (e muito menos a cultura) destas nações é o acordo ortográfico. Basta ler o mais diverso tipo de textos, escritos por "altas instâncias" administrativas e operacionais, vindos desses redutos do mais extravagante analfabetismo funcional. Juntem-se essas competências à inigualável qualidade da comunicação escrita em Portugal (ah, a cultura, o ensino, a curiosidade intelectual!) e temos uma mais que previsível esquizofrenia linguística. Primeiro há que dominar a técnica e o instrumento, para depois se atacar a sonata. Não é arrancando teclas ao piano que se aprende a tocar. O critério é essencialmente burocrático-estatístico (dizer "esilístico" seria demasiado rebuscado) e comercial. Por isso, o uso merece ser arbitrário, até não haver outro remédio. Linguística e culturalmente, esta conversão é tão relevante quanto um novo corte de cabelo no progresso individual e colectivo. E como tudo o que se fez, e continua a fazer, em Portugal, o capricho bacoco vai acabar por imperar sobre o que é certo, reflectido e fundamentado.

Não há nada de estranho em incorporar evoluções numa língua, um processo necessariamente diacrónico. Mas não se confunda essas ocorrências naturais com a bizarria que é esta óbvia despenalização da calinada, produto de um bando de tecnocratas com a mundividência de uma camilha e o apetrecho linguístico de uma colher de pau, fechados semanas a fio num gabinete interior a conjecturar, a deglutir cafés e a emborcar mini-pastelaria sortida.

Eu não simpatizo com o Vasco Graça Moura, mas ele tomou uma medida correcta e, por isso, bastante corajosa.

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