20.5.11
Um toque de Gold
A propósito de um artigo recentemente lido sobre "a arte perdida do poster de cinema", pesquei da net alguns dos trabalhos mais famosos de Bill Gold. Talvez este autor não seja tão conhecido nem tão imediatamente identificável quanto Saul Bass, mas não é menos merecedor de admiração. Aqui se pode ler uma interessante entrevista com o nonagenário Gold, um dos mais fiéis colaboradores de Clint Eastwood.
19.5.11
Justiça em série Z
Numa interpretação um tudo-nada superficial, o que seria de esperar de um gajo com Dominique por nome próprio, Strauss-Khan de apelido, um trombil daqueles e patrão do FMI? É claro que há sempre a presunção de inocência, mas neste caso nem bem regada a água benta se converteria em grosseira injustiça. Além disso, ele há trombis que estão a pedi-las e pronto. Se existisse justiça poética punham este gajo e o Lars von Trier num contentor, com a projecção em loop do Antichrist, e atiravam lá para dentro um rotweiller em dieta de espinafre. Ora aí está a definição do fim dos dias. Pensando melhor, o rotweiller acabava sodomizado pelo Strauss-Khan, pelo que nem cão nem projecção, que ainda sujavam os três a parede. Seria castigo suficiente ouvir o von Trier a falar em sueco da sua infância na caverna dos fiordes com a ama Hedwige e as brincadeiras eróticas envolvendo um piaçá, arenque fumado e o torniquete herdado da tetravó Theresa Berkley. Certo, o Khan arrancava-lhe uma perna à dentada, mas o Trier provavelmente ia gostar, pelo que, não, cada um no seu contentor, com um garfo de plástico e o “Loca” da Shakira em loop. Desde que fui submetido ao visionamento do Dancer in the Dark que sou assaltado por estas fantasias. Antes envolviam o Ratzinger, mas agora só depois de ele dar uma canzana à madre superiora, que o Dominique entretanto pôs-se mais a jeito.
Ilustração: Joe van Wetering
18.5.11
Notas terapêuticas 2
Agradece-se aos colegas (nomeadamente Maria Conas e Maria Madalena), que, da próxima vez que eu necessitar do vosso apoio, retirem por um momento as respectivas línguas dos espaços interdigitais da chefia, e mesmo em posição genuflexória, com cotão nos dentes e a abanar o rabinho, acenem com a cabecita para reconhecer que eu tenho razão.
The Sperminator
Não me parece que os problemas extra-conjugais do senhor o impeçam de retomar a carreira cinematográfica. Muito pelo contrário, ele disse (com dificuldade) "I'll be back" e estava a falar a sério. Um monumento vivo às presenças tumefactas e monossilábicas do celulóide, Schwarzenegger vai voltar mais man-aço que nunca, depois de andar a soltar a sua langonha matadora fora do santo matrimónio. E eu que o tinha logo a seguir à Nossa Senhora de Lourdes e ao Dartacão na lista de grandes virtuosos. É tempo de nos prepararmos de novo para o rosto enfático do latagão austríaco, a quem a idade seguramente emprestou a vulnerabilidade do couro cru, e para o seu maciço muscular bem arrepanhado, num último acto de porradaria geriátrica. Sylvester, não estás sozinho.
Obrigado, G., pelo título.
17.5.11
Notas terapêuticas
Num site onde a acrimónia quotidiana brota como uma incontinente fonte de bílis, vi hoje um apelo à harmonia colectiva. Mais idiota do que o normal, mas comovente.
Com isto se inicia uma nova rubrica onde tentarei, de forma mais ou menos regular, aperfeiçoar a nobre arte da notinha passivo-agressiva. Muitas houve de minha lavra que, algures entre a retenção anal e a estupidez desembestada, foram testemunho de diversos transtornos ao longo dos tempos. Felizmente deram lugar a formas (mais ou menos) evoluídas de comunicação, e perdi o jeito. Hoje em dia, encaro o renascer do post-it estrategicamente colocado como a oportunidade terapêutica de expressar de forma mais definitiva e veemente os meus sentimentos.
Com isto se inicia uma nova rubrica onde tentarei, de forma mais ou menos regular, aperfeiçoar a nobre arte da notinha passivo-agressiva. Muitas houve de minha lavra que, algures entre a retenção anal e a estupidez desembestada, foram testemunho de diversos transtornos ao longo dos tempos. Felizmente deram lugar a formas (mais ou menos) evoluídas de comunicação, e perdi o jeito. Hoje em dia, encaro o renascer do post-it estrategicamente colocado como a oportunidade terapêutica de expressar de forma mais definitiva e veemente os meus sentimentos.
Hard copy 35
Este aparelho chama-se Phuket e dir-se-ia saído de Austin Powers in Goldmember. É de produção francesa mas destina-se ao mercado internacional. Oxalá não seja um manifesto de intenções.
16.5.11
Uma vez fashion victim...
Conhecida pelo seu gosto requintado e pelagem sedosa, a Arisca recusa-se a ceder à crise. Já lhe disse que pode pôr é a viola no saco.
A propósito, preciso de t-shirts da H&M, se já estiverem a 4 euros.
11.5.11
6.5.11
Um tipo especial
No dia em que recebo da minha amiga Ana esta imagem, perdemos a muitíssimo estimada colaboração no ateliê de um gajo muito, mas muito boa onda, a quem se aplica como ninguém esta (não tão simples) filosofia, que partilhou comigo todos os dias em que convivemos. Espero que a ausência não seja por muito tempo ou, melhor ainda, que consiga continuar a sonhar em paragens que realmente o mereçam.
É mesmo aquele abraço, P.
É mesmo aquele abraço, P.
Epitáfio para um país (ou ode ao FMI)
Após sucessivos roubos em família, descarados e orgulhosos, face à escassez de bens procedeu-se a uma pilhagem silenciosa da dignidade remanescente, sob olhares submissos, obnubilados e indecisamente penitentes. A comunidade, fracturada pelo peso da sua modorra, pobre e à deriva, despareceu nas águas passadas do Atlântico, embarcada numa débil balsa feita de fado e recordações.
Imperaram os porteiros impiedosos do intocável capital, que se estavam bem a cagar para Portugal.
Ilustração: James Yang
5.5.11
4.5.11
3.5.11
Fanáticos pela vida
Urra. O Bin Laden morreu. Os EUA são os maiores, e o Obama é um lindo príncipe vingador. É ainda melhor que o outro com favolas e ar rústico. O papa morto é o maior de todos, que até num tubo provoca comoção.
Quase tanta como contemplar um lindo espectáculo de obesidade mórbida, intriga e sudação. Melhor só com um par de síncopes cardíacas e saca-rolhas para todos em períodos hipoglicémicos. A vida, afinal, está cheia destes momentos definidores em que se percebe que, de repente, tudo pode mudar para melhor.
Quase tanta como contemplar um lindo espectáculo de obesidade mórbida, intriga e sudação. Melhor só com um par de síncopes cardíacas e saca-rolhas para todos em períodos hipoglicémicos. A vida, afinal, está cheia destes momentos definidores em que se percebe que, de repente, tudo pode mudar para melhor.
2.5.11
I need an aspirina
... E o Pai Natal e o Capuchinho, onde é que 'tão?
A 5ª das “10 Estratégias de Manipulação Mediática”, compiladas por Noam Chomsky, reza o seguinte:
“ADDRESSING THE PUBLIC AS YOUNGER CHILDREN.
Most of the advertising directed at the general public uses discourse, arguments, characters, and particularly children's intonation, often close to the weakness, as if the viewer were a very young child or a mentally impaired. The more you get bringing mislead the viewer, the more it tends to adopt an infantile tone. Why? If you address a person as if she had the age of 12 years or less, then, due to suggestibility, it will tend, with some probability, a response or reaction also lacks a critical sense as of a person 12 years or younger."
Desta forma se poderia caracterizar 98% da publicidade actual, mas no caso dos bancos a velha táctica da imbecilização atingiu um patamar difícil de superar com as campanhas do Santander Totta. Qual Montepio a atirar pessoas do alto de edifícios, numa adequada metáfora do que acontece a quem confia em entidades bancárias. Qual Millennium e a sua corte de patetas com sorriso encandeante e ingenuidade hiperexcitada. Qual Catarina Furtado num warp espácio-temporal da CGD onde nada faz sentido, a começar pelo guião… Ná. Depois de turbas tresloucadas a saltar no meio de rochedos e a deitar fora moedas de euro, ao som da malha mais fatela das últimas duas décadas, o Santader quer espremer a carteira do inocente cidadão sob ameaça de o enlouquecer violentamente. É que a gaja não se limita a espernear ad nauseam “I need a Zero”, bela reinvenção do hino imortal de Bonnie Tyler, rainha do épico da tripa e Miss Bifa Portimão 1983. Não, aquela coisa alapa-se ao inconsciente e martela-nos na alma até os suores frios e o delírio nos fazerem abrir conta e subscrever 26 serviços.
Estas campanhas, com as suas coloridas e debilóides declinações, fazem da publicidade à Evax uma demonstração de maturidade e clareza, dos anúncios do Pingo Doce um exemplo de contenção, daquelas coisas da Meo um… Bom… da Meo talvez não.
Obrigado, V., pelo pretexto.
Ontologia do mau feitio
Tornei-me benchmarking da insatisfação.
Constatei isso há uns dias, quando uma colega me tomou como "exemplo" (ou seria pretexto?) numa reivindicação sua. E de repente lembrei-me da escola preparatória, do liceu e da faculdade. Era um chamamento! Estava predestinado!
Beatificação popal
A presença de ilustres (e santas) figuras como Berlusconi e Mugabe foram a única coisa que achei coerente na manifestação de histeria pop-religiosa que os meios de comunicação nos espetaram p’los olhos adentro, escarafunchando na orgia de atavios, adereços e eunucos como uma chusma de paparazzi no cio. Dois tamanhos trastes no evento deram um toque de realidade ao circo de óstias e vestes acetinadas que a igreja montou para se reabilitar publicamente. E não nos fazem esquecer que, em tempos de aflição, o povo precisa mesmo é de forma sem substância: o Rottweiler a regurgitar em latim, o freiral em frenesim por sair à rua e um exército de parasitas a arejar a sotaina. Com tanto saiote e gajedo exaltado à volta de uma ampola espanta-me que não tenham apanhado o Silvio a alçar a perninha para marcar território. Milhares de peregrinos? Pois sim, se calhar o orçamento não chegou para irem aclamar a Kate e o outro tipo a arrastarem-se numa charrete forrada a talha dourada, cujos arreios custam mais do que três temporadas de bola na bancada principal.
Este processo de espiritualíssima burocracia é anacrónico, hipócrita e genericamente inane, mas isso pouco interessa à igreja. O simbolismo maior que daqui se retira não é o do persistente poder da Bíblia. É a adequação perfeita do regime eclesiático à santa palavra da revista cor-de-rosa.
21.4.11
A bandeira somos nós
A "Carta aberta ao povo finlandês", do jornalista Hélder Fernandes (TSF), é um texto profundamente humano e de rara inteligência, sobretudo nos tempos que correm, que me fez reavaliar a minha identidade e, por um momento, dela me orgulhar novamente. Ou como a lucidez, ao eivar-se de um cada vez mais urgente idealismo, nos mostra que um povo não pode deixar-se reduzir ao mínimo denominador comum do governalho intrujão.
Acho que faz todo o sentido lembrar isto:
"A criação bordaliana do zé-povinho é um mito que reúne em si as potencialidades positivas e negativas de uma nação que se autodefine romanticamente como generosa e boa, e se vê morrer, realisticamente, de ignorância e indiferença numa História sofrida". (José Augusto França)
11.4.11
Hard copy 33
Assim se enche uma ambiguidade iníqua de graçola e melaço. O pior (e mais mal intencionado) tipo de manipulação a que a publicidade pode chegar.
E mandaram-na às urtigas
Nunca disseram à Pintocas, nem vinha escrito n' "As Gémeas no Colégio de Santa Clara", que assinar livros recheados com apetitosas ideias de terceiros é receita para se estragar rapidamente, mesmo em países de tão boa boca como Portugal. Eventualmente, mais cedo ou mais tarde, alguém estranha que tanto e tão diversificado talento brote às arrobas sem aparente rega, por maior que seja a frescura da Tia. Lá que a querida é fértil, não parece haver dúvidas, mas pelos vistos também é muito amiga do quintal alheio. E estava a nossa heroína paneleira entretida a comprar crème fraiche e a encomendar uma nova minivan classe R com estofos em pura seda do Ceilão, para levar biscoitos de citronela de Java à quermesse da Quinta da Marinha, quando foi super-horrivelmente surpreendida pela brutalidade e crueldade - as duas ao mesmo tempo - do seu despedimento. "Não fazia ideia [que havia estes rumores sobre a sua saída da Visão]. Fui apanhada de surpresa e até fiquei assustada", pronunciou a bebé, enquanto chuchava timidamente no polegar, reclinava a cabecinha para a direita e dobrava a perna esquerda à altura do joelho, obrigando a uma desagradável rotação interna do pezinho em ponta. Depois de acertar o decoro e recuperar o índice glicémico com um chupa biológico da Hello Kitty, a amorosa afirmou: "O que faço é experimentar. Crio, adapto e, por vezes, está tudo tão perfeito que nem mudo nada, limito-me a partilhar a receita com várias pessoas. (...) Quando as receitas são perfeitas, não faz sentido modificá-las. Partilho o que gosto."
No mundo encantado da Mafalda Pinto Leite (e de tantas, tantas outras pessoas neste país), plagiar não é imoral, e muito menos criminoso. É, sim, o exercício livre do mais assertivo hedonismo, na sequência do qual se produz esta osmose giríssima: o que é teu é do universo e, portanto, é meu e, portanto, eu assino os cheques por ti. 'Tá? 'Tá!
Obrigado ao P.B. pela notícia.
11.3.11
Redactor acróstico
Foi um copy engenhoso que criou este anúnico. Muito engenhoso, como se descobre aqui.
10.3.11
Isto é Atypyk
Atypyk, antes de ser uma marca, é um gabinete de design independente fundado em 1999 por Ivan Duval, Jean Sebastien Ides e Emilie Dolain. É, acima de tudo, uma fonte inesgotável de boas ideias, agora apresentadas numa exposição retrospectiva em Barcelona. Na newsletter mais recente vem o convite-manifesto, que não se limita a ser engraçado e espontâneo. Fazendo jus ao espírito do projecto, tem um par de pequenos erros. A iconoclastia sob todas as formas.
ATYPYK IS NOT A BOYS BAND
ATYPYK SOUNDS GREEK, BUT IS ACTUALLY FRENCH
ATYPYK IS FULL OF SPELLING MISTAKES
ATYPYK IS NOT A FAMILY BUSINESS
ATYPYK IS A FRIENDLY BUSINESS
ATYPYK HAS NO MARKETING DEPARTMENT
ATYPYK HAS NO SALES DEPARTMENT
NO BIG SURPRISE THAT YOU NEVER HEARD ABOUT US THEN
ATYPYK ENJOYS MAKING COMPLETELY UNNECESSARY THINGS
ATYPYK IS MUCH YOUNGER THAN YOU ARE
ATYPYK PRODUCTS ARE NOT FREE
ATYPYK CAN'T QUIT SMOKING
ATYPYK DOES NOT COMPETE WITH IKEA
ATYPYK THINKS THAT HUMANS ARE WONDERFUL (SOMETIMES)
ATYPYK WILL ALWAYS TELL NOTHING BUT THE TRUTH
ATYPYK PRODUCTS CONTAINS SMALL PARTS DANGEROUS FOR CHILDREN
ATYPYK PROMISE A LOT, BUT CAN'T GUARANTY ANYTHING
ATYPYK PRODUCTS ARE NOT MADE IN CHINA
ATYPYK IS NOT SPYCHIC
ATYPYK IS NOT TYPICAL
EVRYBODY DOES EVERYTHING AT ATYPYK
ATYPYK DOES NOT USE DRUGS TO COME UP WITH IDEAS
ATYPYK DRINK TOO LITTLE WATER DURING THE DAY
ATYPYK MAY CONSIDER ACCEPT MONEY FROM STANGERS
ATYPYK IS GOOD FOR YOUR MENTAL HEALTH
YOU'RE GOOD FOR ATYPYK'S HEALTH
ATYPYK PRODUCTS MAY BE ADDICTIVE
ATYPYK MAKES SMALL AND BIG MISTAKES
ATYPYK LEARNS SLOWLY BUT SURELY
ATYPYK WON'T SOLVE ANY WORLD PROBLEMS
ATYPYK LOVES TO WORK
ATYPYK KILLS FLIES (SORRY)
ATYPYK NEVER SAYS NEVER
ATYPYK NEVER EATS CAT FOOD
ATYPYK NEVER SKIPS HOLLYDAYS
ATYPYK DOES THINGS WITH PLEASURE
ATYPYK DOES NOT HAVE THE KEY TO SUCCESS
ATYPYK IS NOT SMART ENOUGH TO STEAL IDEAS
ATYPYK GETS DISTURB BY TOO MUCH COMPLIMENTS BUT LIKES IT ANYWAY
BELIEVE IT OR NOT ATYPYK LOVES HAPPY ENDS
EXHIBITION AT "OTRASCOSAS DE VILLAROSÀS"
BARCELONA 24TH MARCH / 15TH APRIL 2011
OPENING : THURSDAY 24TH MARCH FROM 8 PM
OTRASCOSAS DE VILLAROSÀS VIA LAIETANA 64. PRINCIPAL 08003
3.3.11
E tu, prestas?
Portugal é uma embalagem de Presto. Passe a fácil consideração de que já não se usa, está carregadinho de glutões e em tentativa desesperada de branqueamento. O Presto possivelmente desapareceu porque os glutões desataram a devorar-se uns aos outros, os sobreviventes foram devorados pelo poder (multinacional) do Skip e ficou tudo por fazer. No nosso cantinho de tanta virtude e desígnio incumpridos, onde todos, incluindo o presente escriba, têm virulenta e concernente opinião, gerações distintas assanham-se, abocanham-se e canibalizam-se em função de maiores ou menores interesses, que contemplam todas as possibilidades de ganho pessoal, nem que seja o da bicicleta opinativa, e nenhuma de entendimento e entreajuda. Que o cinismo impere não é surpresa, mas que a incapacidade generalizada, feita espectáculo em tudo o que é fórum, de nos colocarmos na pele do próximo, sobretudo daqueles de quem mais deveríamos cuidar, seja a força motriz neste momento da nossa história, é absolutamente desolador. Ninguém se lembra do que foi, do que pensou, do que reivindicou e do que tem. Sobretudo quando a maioria que hoje emite censuras se fundamenta em testemunhos e experiências que não fizeram da sua vida um exemplo, em guerras que não foram as suas, em contextos que não são comparáveis porque tais comparações são escusadas e improdutivas. Não é imperativo que as consciências despertem, se formem, evoluam e intervenham, a um nível a que muitos de nós já desistiram de fazer, por desinteresse ou incapacidade?... Vejo as críticas unidas na agressividade mas desencontradas na razão, metendo no mesmo saco legitimidade e aproveitamento, reacção e inconsciência. Mas estarão todos os sub-30 a exigir conforto e mordomias mergulhados num ócio caprichoso? Haverá algum real interesse em dialogar com putos de vinte e tal anos, cientes da realidade em que vivem e do mundo que têm perante si? Quê, que vão todos malhar com os ossos no Luxemburgo e mijar na tumba do Zeca porque a música de intervenção era para preguiçosos e maricas? O que fizemos nós da herança dos nossos avós, com a vida melhor que pudemos ter? Que caminho combativo, pragmático, empreendedor e determinado em construir um futuro melhor trilhámos? Porventura navegávamos num mar de civismo que só recentemente foi agitado por fedelhos mimados e sem disciplina?
Faz a diferença quem está presente, e faz a diferença quem faz, independentemente do seu passado e do seu futuro. E se o passado é terra de ninguém, o futuro pode ser de todos. Nós, os críticos de outra estirpe, os que temos um sofá de desencanto para nos espraiarmos, não podemos limitar-nos a desprezar o que mexe, porque pode bem acontecer que esses movimentos sejam o início de um processo que pegue nos cavacos em que nos tornámos e volte a fazer disto um país.
Faz a diferença quem está presente, e faz a diferença quem faz, independentemente do seu passado e do seu futuro. E se o passado é terra de ninguém, o futuro pode ser de todos. Nós, os críticos de outra estirpe, os que temos um sofá de desencanto para nos espraiarmos, não podemos limitar-nos a desprezar o que mexe, porque pode bem acontecer que esses movimentos sejam o início de um processo que pegue nos cavacos em que nos tornámos e volte a fazer disto um país.
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